<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-23069912</id><updated>2012-02-11T13:54:56.361-02:00</updated><title type='text'>Ácida Brancura</title><subtitle type='html'>Sincera articulação dos membros, formando o gesto de um espelho.


Confundindo os conceitos desde 2006</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://acidabrancura.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23069912/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://acidabrancura.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>André Lira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05596118036306451188</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_jG0L32jYfC8/S7L44h7_oGI/AAAAAAAAAEQ/GQsX9UMOIAo/S220/DSC03111.JPG'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>59</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23069912.post-2921928906972222511</id><published>2012-01-31T20:23:00.003-02:00</published><updated>2012-01-31T20:33:40.116-02:00</updated><title type='text'>Lançamento do livro Poesia entre-vista</title><content type='html'>Amigos, no  dia 03/02/2012, às 18h, será lançado o livro "Poesia entre-vista",  organizado por André Lira e editado pela Multifoco. O livro consiste em  uma série de entrevistas com jovens expoentes do panorama cultural  carioca, convidados por suas reflexões questionadoras em torno &lt;span class="text_exposed_show"&gt;&lt;span&gt;de  arte, educação, filosofia, política. Mesmo com tal abrangência, o foco  se mantém na poesia e na sua dimensão edificante, apontando a premência  de se pensar, com dedicação e seriedade, o estatuto fundamental da arte  em relação aos desafios históricos enfrentados pelo homem na atualidade.  Pelo seu caráter oral, o livro se equilibra entre o formal e o  informal, o conceitual e o &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="text_exposed_show"&gt;&lt;span&gt;digressivo, oferecendo uma leitura fluente,  mas provocante e reflexiva. A obra também traz uma entrevista instigante  com o Prof. Dr. Antonio Jardim, tricolor apaixonado, compositor,  professor e membro do grupo vocal-instrumental Música Surda. Ao fim, os  convidados invertem o jogo e entrevistam o organizador-entrevistador,&lt;/span&gt;&lt;wbr&gt; André Lira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Integram o livro os seguintes entrevistados:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;André Borges&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="text_exposed_show"&gt;Antonio Jardim&lt;br /&gt;Bianka Barbosa&lt;br /&gt;Danielle Mello&lt;br /&gt;Fábio Pessanha&lt;br /&gt;Felipe Forain&lt;br /&gt;Jun Shimada&lt;br /&gt;Leonardo Bomfim&lt;br /&gt;Priscila Wandalsen&lt;br /&gt;Rodrigo Teixeira&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="text_exposed_show"&gt;&lt;br /&gt;Contamos com sua presença! Divulgue!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apoio: NIEP – Núcleo Interdisciplinar de Estudos de Poética&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-qST0KFITluk/Tyhr4iubBBI/AAAAAAAACBY/sgNfWge4mA8/s1600/convite-poesiaentrevista.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 320px;" src="http://4.bp.blogspot.com/-qST0KFITluk/Tyhr4iubBBI/AAAAAAAACBY/sgNfWge4mA8/s320/convite-poesiaentrevista.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5703927547203093522" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23069912-2921928906972222511?l=acidabrancura.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://acidabrancura.blogspot.com/feeds/2921928906972222511/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23069912&amp;postID=2921928906972222511&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23069912/posts/default/2921928906972222511'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23069912/posts/default/2921928906972222511'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://acidabrancura.blogspot.com/2012/01/lancamento-do-livro-poesia-entre-vista.html' title='Lançamento do livro Poesia entre-vista'/><author><name>André Lira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05596118036306451188</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_jG0L32jYfC8/S7L44h7_oGI/AAAAAAAAAEQ/GQsX9UMOIAo/S220/DSC03111.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-qST0KFITluk/Tyhr4iubBBI/AAAAAAAACBY/sgNfWge4mA8/s72-c/convite-poesiaentrevista.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23069912.post-7135538842669180126</id><published>2011-05-17T16:04:00.003-03:00</published><updated>2011-05-17T17:36:23.563-03:00</updated><title type='text'>Informação e Ontologia III</title><content type='html'>As duas últimas exposições procuraram discorrer brevemente sobre os embates do processo de informatização perante a ambiguidade e diversidade do ser. O terceiro e final tópico que gostaríamos de trazer a questionamento é o fenômeno do Facebook, uma rede social que leva o processo de recolhimento, armazenamento e divulgação de informações a altos patamares. A internet tornou familiar para nós a sensação de divulgarmos nossos dados para navegar, fazer compras, visualizar conteúdos. Desde um simples &lt;span style="font-style: italic;"&gt;nickname&lt;/span&gt; até o complexo cavernoso de dados criados pelo Facebook, estamos retraduzindo os acontecimentos da vida para uma linguagem cibernética que pode ser facilmente acessada e divulgada. Como buscamos dizer nas outras exposições, esse não é um fenômeno pontual, mas do atual patamar de virtualização do real. O pensamento é técnico, os acontecimentos são técnicos, as palavras são técnicas. Dentro desse paradigma, a maneira pela qual as pessoas se relacionam também não poderia deixar de ser técnica.&lt;br /&gt;Logo que abrimos a página de algum usuário do Facebook, temos disponível muito facilmente uma incrível quantidade e qualidade de dados. Podemos ver onde mora, sua profissão, sua família, seu estado civil, sua formação, filmes, músicas, séries de televisão prediletas, seus amigos, suas fotos, seus mais recentes pensamentos, anseios, eventos a que esteve presente... A lista não para, e é maior ou menor de acordo com a participação de cada usuário. A gama de relações interpessoais é exposta com uma clareza assustadora. Os mais leves comentários sardônicos, brigas, elogios, declarações de amor, tudo adquire transparência e publicidade com uma autonomia intocável. O curioso é que, no fundo, não é o site que fica a serviço dos usuários, mas o inverso. Isso se verifica de duas formas:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;Quando um grupo de amigos que possuem conta no Facebook se reúne, se tornou bem comum aludir a uma conversa, um vídeo, uma foto que viram. O site ocupa dessa maneira um lugar ímpar, porque transmite e oferece experiências particulares que os usuários, fatalmente, só poderiam ter lá. Em vez de apenas divulgar informações, ele é o motivo pelo qual as informações acontecem. Se você não tem conta ou não está "antenado" no Facebook, é quase certo de que você ficará de fora das conversas, dos eventos, dos planejamentos etc. Progressivamente, tudo vai acontecendo no e por causa do Facebook, o que, como dissemos, não é um privilégio ou característica dele, mas mais um passo na eleição da informação e na publicidade como régua e resultado dos movimentos da vida. Daí que, muitas vezes, somos expostos a e &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;queremos&lt;/span&gt; consumir uma informação só por estar sendo comentada e divulgada. Os vídeos mais imbecis e sem sentido para nós ganham espaço e reconhecimento, sem nunca nos questionarmos qual a validade daquilo para nós.&lt;br /&gt;&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;br /&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;Quanto mais você é incorporado e se incorpora na rede de troca de informações, maior a eficiência e, sobretudo, a legitimidade e a força da rede. Esse aspecto quase não se distingue do primeiro. Cria-se a impressão, a partir do que dissemos acima, de que você &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;precisa&lt;/span&gt; do Facebook, de que você sai &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;perdendo&lt;/span&gt; sem ele. Pelo contrário, o site oferece tantas opções de privacidade, de notificação, de adaptação... Ora, a ideologia do site é a de que você participe dele e participe o máximo que puder, para o seu próprio bem. Mais do que uma vigência puramente instrumental, o site, na medida em que ocupa um nodo inconfundível, simulando o próprio espaço da vida em que as coisas acontecem, parece nos atingir no íntimo. Abrir mão dele é abrir mão do principal meio de comunicação, é quase abrir mão da própria vida. Esse quase, essa confusão, se imiscui imperceptivelmente em grande parte dos seus usuários. Se você não se expõe completamente a um usuário que quer ser "amigo", é um tapa na cara, uma declaração de más intenções. Se você não acompanha as últimas publicações dos seus amigos, ficam decepcionados, dizem que você está distante, sumido, "por fora". O controle e consumo das informações, portanto, passa a ser o parâmetro geral.&lt;br /&gt;&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;br /&gt;O que tentamos insinuar ao longo dessas exposições é o de que isso é um grande embuste: acompanhar informações divulgadas não é amizade; ler o perfil de uma pessoa não é conhecê-la; comentar e curtir (ou não o fazer) não é carinho nem diálogo. Muito ressentimento advém daí. A grande oferta de informações rápidas e poucas vezes contextualizadas leva as pessoas, muitas vezes, a se guiarem inteiramente pelas conclusões que tiram a partir dessas informações. Não é raro ouvirmos: "Fulano tá online e nem falou comigo, é um grosso, mal-educado"; "Tá vendo, olha Sicrano, comentando todo besta na foto da Beltrana"; "Ele é um mentiroso, disse que ia fazer aquilo, mas acabou de postar um negócio"...&lt;br /&gt;Não se percebe como se instala, aos rufares da virtualização, como nós nos tornamos tão eficiente e eficientizadores quanto nossos computadores, iPods, carros e empresas. O Facebook nada mais é, dentro dessa interpretação, de um dos modos pelos quais viemos realizando a informatização e utilitarização dos seres humanos.&lt;br /&gt;Na poesia, aprendemos que o silêncio diz mais que uma palavra bem gritada, que cada pessoa é uma história rica e única, intraduzível, que precisamos tocar e con-viver para co-nhecer. Possui ética profunda, porque cada pessoa tem e exige alta dignidade e respeito, a que devemos agradecer e valorizar pelo tempo e pelo que compartilha conosco. Mostra que nosso conhecimento e nossos ouvidos são reduzidos e limitados, que não somos completos nem inteiros, estamos num processo contínuo de abertura para o outro e para nós mesmos, processo fundado inteiramente no &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;diálogo&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;p.s.: "Facebook helps you connect and share with the people in your life" é o que diz a entrada do site. Não desenvolvemos isso delongadamente acima, por isso achamos que isso merece uma observação. O Facebook não me &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;possibilita&lt;/span&gt; a compartilhar e interagir com as pessoas da minha vida. O telefone não me &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;possibilita&lt;/span&gt; a falar com os meus amigos. Trata-se de instrumentos que, teoricamente, "ajudam"&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;&lt;/span&gt;. Mas deve-se perceber que, por trás deles, há um pensamento mercadológico que quer instaurar a &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;falta&lt;/span&gt; nas pessoas para que sejam levadas a consumir e comprar. O pensamento de que se sai &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;perdendo&lt;/span&gt; sem esse cabedal tecnológico é um pensamento toma a vida como uma balança de valores. Na experiência existencial humana, não se ganha nem perde, genuinamente. É claro que, por exemplo, o Facebook me permite acessar uma pessoa do outro lado do mundo. Mas será que ele me permite me tornar amigo dela, constituir história, laços? Isso não. Um comentário ou um "curti" não tem o valor de mesmo uma carta ou um presente enviados pelo correio. Por isso que insistimos, nos dois textículos anteriores, de que o homem é orientado pela paixão, que tudo que brota e se cria é pela familiarização, pelo diálogo, pelo amor.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23069912-7135538842669180126?l=acidabrancura.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://acidabrancura.blogspot.com/feeds/7135538842669180126/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23069912&amp;postID=7135538842669180126&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23069912/posts/default/7135538842669180126'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23069912/posts/default/7135538842669180126'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://acidabrancura.blogspot.com/2011/05/informacao-e-ontologia-iii.html' title='Informação e Ontologia III'/><author><name>André Lira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05596118036306451188</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_jG0L32jYfC8/S7L44h7_oGI/AAAAAAAAAEQ/GQsX9UMOIAo/S220/DSC03111.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23069912.post-863991233076973079</id><published>2011-05-12T15:30:00.000-03:00</published><updated>2011-05-13T17:37:52.226-03:00</updated><title type='text'>Informação e ontologia II</title><content type='html'>No último texto publicado aqui, discorremos sobre como o informar de uma informação está sempre aquém do desabrochar de um acontecimento. Defendemos como uma partida de futebol adquire um sentido genuíno como paixão na medida em que convoca ao torcer, o que a mera informação estatística não o faz; não cria sentido, portanto. Traremos outros exemplos para tornar mais clara essa dinâmica a quem não se enternece com futebol.&lt;br /&gt;A experiência escolar das aulas de história é bem familiar a nós. Sem muito esforço, nos lembramos de um sem número de nomes, causas, eventos, consequências e características de diversas sociedades, em diferentes estágios do tempo. Colegas, hoje na docência, relatam a dificuldade de tornar aquela quantidade de informações e conjunturas disponível para os alunos. A questão se localiza neste ponto: os alunos não se inter-essam por tais conhecimentos porque são conhecimentos que não co-nascem, não co-movem. Nada mais justo e natural. Quando não se trabalha com a paixão, um mundo diferente do nosso é apenas curioso. Se, por outro lado, mencionarmos jogadores de futebol, atores de cinema ou novela, ou mesmo as dificuldades que a vida urbana estabelece, rapidamente veremos surgir opiniões bem aguerridas e, não raro, elaboradas.&lt;br /&gt;Bem antes do estabelecimento da disciplina histórica (e literária, vale dizer) na instituição escolar, havia a história mitopoética, que se tratava de uma paideia completamente distinta da atual. Dentro da mitopoética, percebe-se duas dimensões históricas, que são, em realidade, a mesma: por um lado, a palavra mítica enternece pelo genético, por outro, pelo poético. Mitopoeticamente, a terra que é mãe é instalada na existência histórica, assim como seus consortes, filhos, netos e demais descendentes, todos possuindo laços com cada vivente, em maior ou menor grau. O discurso genético (no sentido de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;génos&lt;/span&gt;, de originariedade) torna real a fundação do mundo e da civilização humana que se desenvolve a partir dele. É um laço apaixonante porque umbilical, supõe uma unidade dançante entre o cosmo e os homens, que percebem nessa filiação histórica, por via dos mitos, uma necessidade essencial. Não há aí nenhuma necessidade de coerência lógica nessa "descrição" do mundo real, porque o mundo real deve sua realidade a ser poético.&lt;br /&gt;Esse é o segundo ponto da história mitopoética: a realidade do mundo que o mito instaura se dá no recuo espantoso da linguagem. Isso quer dizer: a palavra corresponde perfeitamente, isto é, na mesma rica dimensão que os desafios e as conformações do mundo. A palavra poética é o caminho descortinado pelo mito e que o mito possibilita descortinar. Nesse sentido, ela não informa acerca de um evento, como"Fulano criou o mundo", com que poderíamos, subjetiva e cinicamente, concordar ou não. (Diante do dizer imperioso do mito e da poesia, não há espaço para contestações, só convites. Daí se achar, modernamente, que as sociedades arcaicas, tradicionais, são ultrapassadas, já que não fazem, no seio de sua cultura, a experiência do falar filosófico-especulativo como nós.) No contar da história, o mundo, no contar, atesta sua criação, pois seu sentido endógeno só é legítimo se, mus(ic)almente, se oferece como sentido, se enlaça e entrelaça quem conta e quem ouve. O mundo que vemos ("físico"), o mundo que não podemos ver ("mítico") e o mundo que ouvimos nas palavras ("poético") são apenas um. Ora, é justamente a experiência do poético que se faz, a estupefação diante do dar-se das coisas, dar-se esse que funda a nós e ao que nos circunda por inteiro. Ainda se consegue ver, em certas comunidades ancestrais, o poder de presença das palavras, que, ao nomear e contar histórias, fundam por inteiro o que é.&lt;br /&gt;Hodiernamente, fazemos melhor esse tipo de experiência pelas obras de arte. O que ouvimos na &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Odisseia&lt;/span&gt; e na &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Ilíada&lt;/span&gt; de Homero, por exemplo, tem um grau muito mais concreto para a experiência do mundo grego do que um achado arqueológico. Mas o sentido de familiarização e familiaridade não é exclusivo das obras de arte. Dentro da perspectiva de um narrar poético, poderíamos pensar, por exemplo, nos pais contando histórias aos filhos antes de dormir, ou mesmo dos avós contando, com a ritualística de quem sabe ter algo muito importante para contar, a história deles e dos seus antepassados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(continua)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23069912-863991233076973079?l=acidabrancura.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://acidabrancura.blogspot.com/feeds/863991233076973079/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23069912&amp;postID=863991233076973079&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23069912/posts/default/863991233076973079'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23069912/posts/default/863991233076973079'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://acidabrancura.blogspot.com/2011/05/informacao-e-ontologia-ii.html' title='Informação e ontologia II'/><author><name>André Lira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05596118036306451188</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_jG0L32jYfC8/S7L44h7_oGI/AAAAAAAAAEQ/GQsX9UMOIAo/S220/DSC03111.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23069912.post-1821153924954239997</id><published>2011-05-07T17:42:00.003-03:00</published><updated>2011-05-07T18:21:39.277-03:00</updated><title type='text'>Informação e ontologia I</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Há diferenças bem marcadas entre assistir um jogo de futebol ao vivo e acompanhar "em tempo real" um resumo textual dos lances. Vulgarmente, diríamos: "Assistir um jogo ao vivo é mais emocionante". Dito com simplicidade, a palavra "emocionante" remete a uma experiência do jogo de futebol que é orientada pela emoção, ou, melhor dizendo, pela paixão. Seja a sinergia do público, a visão não-mediada da partida ou qualquer outro parâmetro a que poderíamos atribuir essa diferença, a paixão delimita duas experiências distintas: o &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;saber sobre&lt;/span&gt; a partida e o &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;saber da&lt;/span&gt; partida.&lt;br /&gt;À primeira vista, pode-se dizer que o saber sobre a partida, o saber técnico que representa informacionalmente uma partida de futebol, é mais completo e real do que o saber da partida. Basta pensarmos no recurso já habitual do "tira-teima" das transmissões televisivas, em que lances polêmicos são decifrados e desmistificados com a ajuda da tecnologia. Contudo, esse é um saber que é dado, desapaixonadamente, pelo instrumento técnico. É requerido de todo torcedor que assiste a uma partida, por pouco envolvido que esteja com o acontecimento esportivo, que o faça pelos olhos da paixão.&lt;br /&gt;Ao presenciar um lance polêmico, ele raramente vai assumir uma posição de frieza racional, buscando evidências para julgar corretamente a jogada. Independentemente de o lance prejudicar ou beneficiar o seu time, o espectador reage apaixonadamente, sob o furor dos gritos dos seus pares, em meio à tensão dissolvida por todo ambiente gerada pela dúvida. O julgamento preciso não é sua preocupação; sua preocupação é torcer. Isso é facilmente perceptível ao vermos que o juiz de futebol, instância máxima de manutenção das regras do jogo dentro de campo, é o alvo preferencial dos xingamentos e maldições dos torcedores. Pela mesma ótica, poderíamos mesmo dizer que o futebol não precisaria, para o torcer do torcedor, de marcações como contagem de gols e tempo de jogo. Talvez seja uma afirmação ousada. Lembremo-nos, contudo, (e basta ter visto poucos jogos de futebol para isso), de que &lt;/span&gt;o futebol bem jogado e a vitória nem sempre se equivalem; além disso, um jogo pode, em 90 minutos, ser perfeitamente desinteressante, enquanto outro ser emocionante desde o primeiro minuto. Os dois parâmetros são secundários para o torcer do torcedor. Se o time do torcedor perde no último minuto de jogo, não se invalidam nem se renegam seus gritos e comemorações anteriores. O torcedor não torce porque o time está ganhando nem deixa de torcer porque está perdendo; ele torce, em comunicação, pela paixão que tal time lhe incute. (Daí que o torcedor não é torcedor apenas ao assistir jogos de futebol, muito embora seja por causa dele que seja um torcedor. Vale lembrar o relato do meu amigo Antonio Jardim, que grita "Nense!" sempre que passa em frente à sede do Fluminense.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(continua)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23069912-1821153924954239997?l=acidabrancura.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://acidabrancura.blogspot.com/feeds/1821153924954239997/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23069912&amp;postID=1821153924954239997&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23069912/posts/default/1821153924954239997'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23069912/posts/default/1821153924954239997'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://acidabrancura.blogspot.com/2011/05/informacao-e-ontologia-i.html' title='Informação e ontologia I'/><author><name>André Lira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05596118036306451188</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_jG0L32jYfC8/S7L44h7_oGI/AAAAAAAAAEQ/GQsX9UMOIAo/S220/DSC03111.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23069912.post-7404258994227010957</id><published>2011-03-23T03:13:00.002-03:00</published><updated>2011-03-23T03:21:16.726-03:00</updated><title type='text'>Em tempo</title><content type='html'>&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt; 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 &lt;p class="MsoNormal" style="line-height:150%"&gt;tecidos aceitam o dia&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: 150%;"&gt;do corte, do abate, do destroço.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="line-height: 150%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="line-height:150%"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt; &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height:150%"&gt;O mundo jaz todo em história.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height:150%"&gt;Mas quem muito mira, não sacia&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height:150%"&gt;a sede na fonte do deserto.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height:150%"&gt;Então vem cedo, pois te querem.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height:150%"&gt;Não venhas por mim, mas pelo longo&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height:150%"&gt;peso das estruturas querendo estações,&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height:150%"&gt;o gigante rubro que gera amanhãs.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height:150%"&gt;O pensamento do corpo é deixar escorrer&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height:150%"&gt;o suco pelos dentes dúbios, &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: 150%;"&gt;operando o milagre da gengiva.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="line-height: 150%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="line-height:150%"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height:150%"&gt; &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height:150%"&gt;A boca quer doce, e quanto mais, melhor.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height:150%"&gt;Doce sugado e pulsante,&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height:150%"&gt;lambido com fé das coisas feridas.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height:150%"&gt;Grosso, melífluo, sem pressa,&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height:150%"&gt;confirme em surda confidência:&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height:150%"&gt;somos apenas os movimentos.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23069912-7404258994227010957?l=acidabrancura.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://acidabrancura.blogspot.com/feeds/7404258994227010957/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23069912&amp;postID=7404258994227010957&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23069912/posts/default/7404258994227010957'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23069912/posts/default/7404258994227010957'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://acidabrancura.blogspot.com/2011/03/em-tempo.html' title='Em tempo'/><author><name>André Lira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05596118036306451188</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_jG0L32jYfC8/S7L44h7_oGI/AAAAAAAAAEQ/GQsX9UMOIAo/S220/DSC03111.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23069912.post-180233381626380946</id><published>2010-09-03T02:09:00.002-03:00</published><updated>2010-09-03T02:12:35.155-03:00</updated><title type='text'>Os desvios da política</title><content type='html'>&lt;meta equiv="Content-Type" content="text/html; charset=utf-8"&gt;&lt;meta name="ProgId" content="Word.Document"&gt;&lt;meta name="Generator" content="Microsoft Word 10"&gt;&lt;meta name="Originator" content="Microsoft Word 10"&gt;&lt;link rel="File-List" href="file:///C:%5CDOCUME%7E1%5Cuser%5CCONFIG%7E1%5CTemp%5Cmsohtml1%5C01%5Cclip_filelist.xml"&gt;&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;  &lt;w:worddocument&gt;   &lt;w:view&gt;Normal&lt;/w:View&gt;   &lt;w:zoom&gt;0&lt;/w:Zoom&gt;   &lt;w:hyphenationzone&gt;21&lt;/w:HyphenationZone&gt;   &lt;w:compatibility&gt;    &lt;w:breakwrappedtables/&gt;    &lt;w:snaptogridincell/&gt;    &lt;w:wraptextwithpunct/&gt;    &lt;w:useasianbreakrules/&gt;   &lt;/w:Compatibility&gt;   &lt;w:browserlevel&gt;MicrosoftInternetExplorer4&lt;/w:BrowserLevel&gt;  &lt;/w:WordDocument&gt; &lt;/xml&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;style&gt; &lt;!--  /* Style Definitions */  p.MsoNormal, li.MsoNormal, div.MsoNormal 	{mso-style-parent:""; 	margin:0cm; 	margin-bottom:.0001pt; 	mso-pagination:widow-orphan; 	font-size:12.0pt; 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&lt;![endif]--&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;b style=""&gt;Os desvios da política&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: right; text-indent: 35.45pt;" align="right"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: right; text-indent: 35.45pt;" align="right"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: right; text-indent: 35.45pt;" align="right"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: right; text-indent: 35.45pt;" align="right"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: 150%;"&gt;O cenário político das diversas democracias pelo mundo, sejam elas antigas ou recentes, dá muito o que pensar. É comum ouvir comentários nostálgicos sobre a “corrupção” do estado de coisas de hoje e a retidão dos políticos e dos projetos de outrora. Inversamente, também se ouvem discursos sobre promessas para o futuro, sobre o destino brasileiro de se tornar uma grande potência, sobre os avanços e a melhoria na situação geral. Movimentos como o que gerou a Lei da Ficha Limpa inspiram e reforçam o papel da sociedade na política.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: 150%;"&gt;Contudo, gostaria de fazer algumas observações. O que o discurso midiático e a propaganda não parecem dizer é que se trata de uma luta pelo poder, por ocupar cargos de importância política (= dentro da pólis). Essa luta é mitigada de algumas formas: os órgãos eleitorais enfatizam o “papel cidadão” e a “liberdade” dos indivíduos pelo direito ao voto; os candidatos esforçam-se não só para diferençar-se dos demais (de forma mais ou menos explícita), mas para se colocar como verdadeiros apaixonados pelo trabalho, mártires do Brasil, que, por alguma clarividência espiritual, sabem &lt;i style=""&gt;exatamente&lt;/i&gt; o que e como fazer para melhorar a vida de todos, e o farão por generosidade. O que se faz na política é gerenciar o poder que lhe foi concedido: administram-se e aplicam-se programas e projetos já existentes, abre-se espaço para novos, fazem-se alianças, participa-se de eventos e efetuam-se discursos dizendo que está se fazendo o possível e que tudo vai melhorar. Sem erro, fazer política é representar um determinado papel dentro da sociedade.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: 150%;"&gt;Mas quem criou, ordenou e distribuiu esses papéis? Deve-se perguntar, então, que sociedade é essa. De certa forma, nos parece que o que nos cabe é aceitar e cumprir nosso papel dentro dessa sociedade, acatar seus princípios. A sociedade capitalista globalizada enuvia uma contestação do nosso modelo de vida e política, pois tende a corroborar o raciocínio de que não poderia ser diferente, já que é assim em todo lugar, que é um modelo que dá certo, mas que precisa ser melhor equilibrado em alguns países... Vemos, porém, a necessidade de se compreender que se trata de &lt;i style=""&gt;um &lt;/i&gt;certo paradigma econômico, político e social que favorece a uns e não a outros. A maneira como os discursos oficiais encaram a desigualdade social no Brasil, por exemplo, leva a pensar que uma terrível injustiça histórica criou e alimentou a má distribuição de riquezas no país, e que muito deve ser feito por meios de programas de assistência, melhoria e ampliação das escolas públicas, mais projetos habitacionais, empregos, saúde etc. Essas soluções, entretanto, são superficiais: nenhuma delas &lt;i style=""&gt;resolve&lt;/i&gt; o problema porque são soluções de &lt;i style=""&gt;dentro&lt;/i&gt; do sistema da desigualdade. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: 150%;"&gt;Se hoje há uma divisão mais ou menos definida entre os países desenvolvidos e os em desenvolvimento, é porque os países desenvolvidos mantêm (e mantiveram) os demais “em desenvolvimento”, explorando-os. A forma como tudo estar se tornando um item de mercado, a força da economia, deve dar índices de como essa exploração se torna cada vez mais agressiva. O “mercado verde”, nome dado aos produtos e iniciativas que “respeitem” o meio ambiente, é um exemplo não só dessa agressividade, mas também do que mencionamos anteriormente, sobre soluções internas ao sistema. Primeiro, havia uma constatação: produtos e empresas que causavam danos registráveis ao meio ambiente se tornaram, de forma crescente, malvistas por isso. O aquecimento global se tornou, ao longo das décadas de 1990 e 2000, um dos principais pivôs dessa mudança de interesse dos consumidores. Surgiu, então, uma oportunidade de as empresas se valorizarem através de um novo ícone – o “sustentável” –, uma nova via de se tornarem ainda mais atraentes para o consumidor.&lt;a style="" href="http://www.blogger.com/post-edit.do#_ftn1" name="_ftnref1" title=""&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;!--[if !supportFootnotes]--&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:12pt;"  &gt;[1]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: 150%;"&gt;Pode-se pensar que isso é um exagero, que, na realidade, chegou-se a uma consciência global da necessidade de cuidar do planeta, que está se tentando reverter ou minimizar os efeitos ferozes do capitalismo na natureza. Talvez isso seja verdade, mas não deve excluir o fato de ter sido a própria exigência de produção e lucro que causou tais efeitos, e que é a mesma exigência que continua a reger a sociedade, mas de maneiras mais sutis e organizadas.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: 150%;"&gt;O progresso técnico não pode ser dissociado do progresso do capitalismo: ambos estão em sinergia em um conjunto de ideais que guiam, em maior ou menor grau, as nossas vidas. O segundo financia o primeiro, que supre o segundo de seus produtos. Desses ideais, o mais importante é a própria ideia de progresso, de que a vida deve ser facilitada para melhor servir às vontades e desejos humanos. Essa ideia reforça o sentimento eterno de que há muito ainda por se fazer e que estamos longe de resolver todos os problemas. Daí a necessidade premente de reformas, projetos, iniciativas e novos produtos, numa complexidade exponencial.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: 150%;"&gt;Todas essas discussões revolvem em torno da mesma disputa pelo poder. Compreendemos essa disputa como um jogo de luzes. Façamos a pergunta hipotética: se apenas &lt;i style=""&gt;um &lt;/i&gt;candidato fosse capaz de cumprir tudo o que prometeu, ser completamente íntegro e eficiente, seja ele candidato a presidente ou a vereador, estariam resolvidos todos os problemas? Talvez a essa pergunta nem possa ser feita, porque talvez esse candidato necessariamente não exista. Não quero dizer que não haja candidatos de boa índole, que acreditem, de verdade, poder fazer diferença na vida das pessoas. Porém, o seu discurso é sempre o de que o outro é mau, e só ele vai conseguir resolver os problemas, daí a necessidade do voto. No fundo, é retórica pura, convencimento. Aquele candidato hipotético não pode existir porque, como disse antes, o político é um gerente, cuida de como as coisas estão encaminhadas, fazendo diferente aqui ou ali. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: 150%;"&gt;Quando falamos nos “problemas”, não podemos ao menos endereçá-los de maneira própria sem pensá-los em sua origem. Por exemplo, pensemos na situação do transporte nas grandes cidades. Já houve época em que a expansão das rodovias e o crescimento da indústria automobilística fosse solução. Hoje, as soluções são outras: ampliação das principais rodovias ou medidas para melhorar seu fluxo, como rodízio de veículos; expansão das linhas de transporte de massa como os metrôs, os trens e os ônibus; barateamento da taxa de uso dos transportes públicos, tornando-os mais acessíveis; estímulo ao uso de transporte público, desafogando as rodovias, além de outros meios de transporte, como bicicletas (que também são relativamente menos poluentes). Todas essas soluções, reforçando, são soluções que brotam dos problemas, necessidades e empenhos de uma sociedade capitalista. Não se ouve falar, por exemplo, em tornar os transportes mais lentos: é preciso que as pessoas se transportem cada vez mais rápido, para trabalhar e consumir mais.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: 150%;"&gt;Da mesma forma, os candidatos jamais poderiam agir de maneira diferente. Nenhum candidato pede para não votar nele, para ganhar um salário mínimo, ou declara que pode fazer muito pouco para mudar a realidade. Nenhum deles pede para pensar nas propostas dos outros candidatos, porque talvez eles tenham boas ideias que mereçam ser postas em prática. Nenhum deles, aliás, questiona o sistema eleitoral excludente porque entende que um deva ganhar a eleição e outros não, ou seja, que um tenha boas ideias e outros não&lt;a style="" href="http://www.blogger.com/post-edit.do#_ftn2" name="_ftnref2" title=""&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;!--[if !supportFootnotes]--&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:12pt;"  &gt;[2]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;. Nenhum deles, nem mesmo alguma entidade fora do processo eleitoral, torna público e divulgado que escolher entre A, B, C, D e E não é liberdade de escolha, é necessidade de escolha. A liberdade restrita, a nosso ver, não é só por não haver um F que se poderia escolher, mas principalmente pela obrigação de jogar um jogo com regras inquestionáveis, por se dar como natural – e necessário – que haja tais candidatos, que precisamos escolher entre tais propostas. Por que isso se dá? Ora, como dissemos, as regras já estão decididas, não podem ser alteradas. Vota-se nos candidatos registrados pelos órgãos eleitorais, filiados a determinados partidos, com certas ideias. O que há para se debater, na verdade, é muito pouco; o espetáculo que se vê nos meios de comunicação são os diferentes candidatos se promovendo denegrindo os outros, de maneira mais ou menos explícita, como já apontamos. Mesmo quando se põem a discutir projetos, suas discordâncias quase sempre são sutis e por vezes só diferenciadas pelo jargão usado. Isso porque as discordâncias fazem parte do jogo, de poder isolar um candidato de outro.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: 150%;"&gt;O que nos leva à seguinte pergunta: e quanto aos candidatos ditos “socialistas”, que criticam a estrutura capitalista pensada aqui? A resposta a isso está apontada no que dissemos em todo este ensaio: a política institucional encobre a sua crueza, traduzida na simples disputa pelo poder, por estar em posições privilegiadas, separando-se da massa. Todos os candidatos socialistas agem conforme isso, pois são candidatos: candidatos ao poder numa sociedade global e capitalista. É uma alternativa e não deixa de ser uma alternativa. Mesmo que considerássemos que essa mesma sociedade capitalista seria capaz de eleger um representante para re-estruturá-la em seus fundamentos, tal representante ainda estaria sob todas as dúvidas que levantamos aqui, sendo a principal: até que ponto conseguiria ele efetivar tudo que prometeu? Em especial, medidas que vão à contramão do padrão estabelecido? Ele teria êxito em fazer isso em âmbito nacional, por exemplo, mesmo com a integração crescente com outras nações? Mesmo se seguíssemos essa linha, podemos pensar: em algum momento, abriria mão do poder? Abriríamos, todos, mão de disputar o poder, para com esse poder resolver demandas e necessidades? Deixaríamos de depositar em outros a gerência de nossas vidas?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: 150%;"&gt;De acordo com o caminho que nos conduziu até aqui, vê-se que talvez seja hora de questionarmos a representatividade política, ou seja, um sistema onde um grande grupo de pessoas &lt;i style=""&gt;confia&lt;/i&gt; em algumas poucas outras para regulamentar e ordenar sua sociedade. A fissura radical nesse ato de fé que chamamos de voto é a origem, a nosso ver, de uma reclamação eterna dos subjugados à política a quem subjuga, de quem precisa de mudança e de quem (não) poderia provê-la. A representatividade, claro, é uma questão mais profunda: possui o seu aspecto econômico, indissociável do político, hoje, que consiste, para nós, no sistema de domínio dos bens de produção e acúmulo de capital chamado de capitalismo. Porém, muito mais essencial do que isso, e constitui o cerne da nossa reflexão, é que a política (como a economia) se fundamenta numa ideia muito fixa do humano, do que é o homem e do que ele deve ser, e a defende com muita naturalidade – o que facilmente convence. Essa representação do humano diz respeito a toda interação inter e intrapessoal, molda as nossas estruturas culturais. Por outro lado, é nesse terreno do ideal humano que se travam as maiores batalhas. O ideal, contudo, sempre deixa de lado a originariedade e a singularidade dos homens, pois os convence, duplamente, que não são o que são e que para ser o que são eles devem ser algo de outro. Nos tira a possibilidade de encontro conosco, pois esse encontro seria com algo externo a nós, o ideal, algo que nos foi outorgado. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: 150%;"&gt;É necessário pensar a questão da política dentro desse plano, portanto, o da vida concreta. Mesmo com todas as palavras romanceadas, é fato que algumas pessoas possuem muito dinheiro e a maior parte não. Nenhum plano de governo muda isso; todos os palácios e impérios do passado (e do presente) foram erigidos nesse princípio. A desigualdade brutal dos meios imediatos pelos quais as pessoas podem viver suas vidas não pode ser ignorada e deve ter em vista o horizonte essencial de que elas, em sua grande maioria, são esmagadas, funcionalizadas, agredidas e limitadas por um ideal humano que não as liberta para si mesmas, e que estrutura todos os sistemas de dominação, já que não abre espaço para o desabrochar rico de cada um, premente, incontrolável e indefinível. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: 150%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;div style=""&gt;&lt;!--[if !supportFootnotes]--&gt;&lt;br /&gt; &lt;hr align="left" size="1" width="33%"&gt;  &lt;!--[endif]--&gt;  &lt;div style="" id="ftn1"&gt;  &lt;p class="MsoFootnoteText"&gt;&lt;a style="" href="http://www.blogger.com/post-edit.do#_ftnref1" name="_ftn1" title=""&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;!--[if !supportFootnotes]--&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:10pt;"  &gt;[1]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt; Contudo, não são completamente desconhecidas diversas histórias, desde a época de Tesla até hoje, de descobertas científicas que abalariam os produtos e métodos de sua época de tal maneira que as impediram (e impedem) de ser continuadas, disseminadas. Os produtos verdes se tornam, hoje, uma diretriz interessante, mas de nenhuma forma isso quer dizer que só agora a tecnologia e a consciência global os alcançaram. Mesmo assim, a influência das companhias de carvão e especialmente de petróleo continua imensa.&lt;/p&gt;  &lt;/div&gt;  &lt;div style="" id="ftn2"&gt;  &lt;p class="MsoFootnoteText"&gt;&lt;a style="" href="http://www.blogger.com/post-edit.do#_ftnref2" name="_ftn2" title=""&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;!--[if !supportFootnotes]--&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:10pt;"  &gt;[2]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt; Ora, se todos estariam propondo ideias, querem trabalhar para o bem da sociedade, por que só o podem fazer os ganhadores das eleições? &lt;i style=""&gt;Por que não votar em todos os candidatos – e em nenhum?&lt;/i&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;/div&gt;  &lt;/div&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23069912-180233381626380946?l=acidabrancura.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://acidabrancura.blogspot.com/feeds/180233381626380946/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23069912&amp;postID=180233381626380946&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23069912/posts/default/180233381626380946'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23069912/posts/default/180233381626380946'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://acidabrancura.blogspot.com/2010/09/os-desvios-da-politica.html' title='Os desvios da política'/><author><name>André Lira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05596118036306451188</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_jG0L32jYfC8/S7L44h7_oGI/AAAAAAAAAEQ/GQsX9UMOIAo/S220/DSC03111.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23069912.post-8289969197061882664</id><published>2010-07-20T13:57:00.004-03:00</published><updated>2010-08-15T02:35:39.081-03:00</updated><title type='text'>Paulo Soares</title><content type='html'>"A história de Paulo Soares não é incomum, nem mesmo especial. Muito embora seja a dele e não a de outro, quem a conhecer não deixará de perceber incrível familiaridade. Paulo nasceu sob o signo da pressa e da certeza, estas tão grandes que é de se espantar que tenha sido capaz de nascer. Mais coerente seria nem mesmo sair da eternidade. Ou talvez, como aos olhos dos deuses, durasse um momento, um assustador momento cinematográfico. Encaixaria-se mesmo no relato do velho Shandy, delineado com traços carregados desde seus princípios. Bem, é verdade que um dia nasceu e em pouco tempo se deu conta das suas ideias. Esse fenômeno, pouco estudado pelas ciências modernas, foi decisivo na vida de Paulo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O primeiro acontecimento de que sabemos ocorreu numa tarde de domingo, num parque não muito longe de onde morava. Tinha seus primeiros anos de vida. Naquela manhã, o pequeno Paulo ouvia com entusiasmo seus pais acertarem o passeio pelo parque, terminando com um delicioso sorvete. Paulo gostou de sorvete desde quando compreendeu que, quanto mais rápido o comesse, menos quente ele ficaria e não derreteria na sua mão. Como achou fantástica essa comida desesperada! Sua mãe o pedia para comer com mais calma, mas isso pouco afetava o fascínio da criança com a corrida que ela apostava com o sorvete. No futuro, descobriu as bebidas geladas e as refeições quentes, mas o sorvete permanecia inabalável. Voltando àquele domingo, Paulo e seus pais, algumas horas depois, foram até o parque. A mãe e o pai de Paulo aproveitavam todo o tempo do fim de semana para estar com Paulo, por isso procuravam, por mais simples que fossem os programas, estar juntos nesse tempo. No parque, o pequeno andava solto, maravilhado com o tamanho e a força das árvores. Tentava derrubá-las com o bico de seu pé, como se fossem de papel, e na negativa, caía sentado no chão, sem que isso o desestimulasse. Algumas partes do parque eram cobertas de areia, Paulo evitava de ir para lá – pensava que a areia poderia comê-lo inteiro e se assustava. Entretinha-se com insetos interessantes ou outras crianças que passavam, algumas mais velhas, brincando com seus cães.  Mesmo com essas distrações, Paulo pensava mesmo é no sorvete, na definição fundamental: chegar ao mais sorvete do sorvete, tomá-lo todo num segundo (mesmo com sua pequena boca). Suspeitamos de que ele não pudesse ficar sem sorvete: era a sua condição básica. O tempo passava e Paulo ansioso pelo sorvete. Espertamente, procurava&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma forte chuva subitamente desabou, surpreendendo a todos que, antes, presenciavam um dia morno e suave. A mãe de Paulo, consciente de um surto de gripe naquela época, decidiu, com seu marido, sem delongas, voltar para casa. Não havia motivo para ficar ali pegando chuva, expondo a saúde do menino a riscos. É o que qualquer mãe faria. Quando seu pai foi até ele e o carregou até o carro, os primeiros sentimentos foram de confusão. Ainda não tinham concluído o passeio planejado, por que estavam indo embora? Por que não poderia tomar o seu sorvete? Quando se fez essa pergunta, já dentro do carro, o "não" ecoou forte demais. Paulo aceitou o exemplo da chuva e desatou a chorar, como se todos os sorvetes houvessem deixado de existir. Seus pais atribuíram o choro à vontade que o garoto tinha de brincar mais e tentaram acalmá-lo, sem sucesso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem dirá que foi a perda do sorvete? Toda criança aprende a não ter as coisas. Mas é certo que, nos muitos dias que se seguiram, Paulo descobriu as ideias, as palavras e seu perigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este, sim, é o início mais importante da história de certezas de Paulo."&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23069912-8289969197061882664?l=acidabrancura.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://acidabrancura.blogspot.com/feeds/8289969197061882664/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23069912&amp;postID=8289969197061882664&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23069912/posts/default/8289969197061882664'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23069912/posts/default/8289969197061882664'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://acidabrancura.blogspot.com/2010/07/paulo-soares.html' title='Paulo Soares'/><author><name>André Lira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05596118036306451188</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_jG0L32jYfC8/S7L44h7_oGI/AAAAAAAAAEQ/GQsX9UMOIAo/S220/DSC03111.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23069912.post-1484875293429659397</id><published>2010-07-09T12:54:00.003-03:00</published><updated>2010-07-09T13:01:36.979-03:00</updated><title type='text'>Entrevista com Jun</title><content type='html'>A seguir, um trecho da entrevista com Jun Shimada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;meta equiv="Content-Type" content="text/html; charset=utf-8"&gt;&lt;meta name="ProgId" content="Word.Document"&gt;&lt;meta name="Generator" content="Microsoft Word 10"&gt;&lt;meta name="Originator" content="Microsoft Word 10"&gt;&lt;link rel="File-List" href="file:///C:%5CDOCUME%7E1%5Cuser%5CCONFIG%7E1%5CTemp%5Cmsohtml1%5C01%5Cclip_filelist.xml"&gt;&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;  &lt;w:worddocument&gt;   &lt;w:view&gt;Normal&lt;/w:View&gt;   &lt;w:zoom&gt;0&lt;/w:Zoom&gt;   &lt;w:hyphenationzone&gt;21&lt;/w:HyphenationZone&gt;   &lt;w:compatibility&gt;    &lt;w:breakwrappedtables/&gt;    &lt;w:snaptogridincell/&gt;    &lt;w:wraptextwithpunct/&gt;    &lt;w:useasianbreakrules/&gt;   &lt;/w:Compatibility&gt;   &lt;w:browserlevel&gt;MicrosoftInternetExplorer4&lt;/w:BrowserLevel&gt;  &lt;/w:WordDocument&gt; &lt;/xml&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;style&gt; &lt;!--  /* Style Definitions */  p.MsoNormal, li.MsoNormal, div.MsoNormal 	{mso-style-parent:""; 	margin:0cm; 	margin-bottom:.0001pt; 	mso-pagination:widow-orphan; 	font-size:12.0pt; 	font-family:"Times New Roman"; 	mso-fareast-font-family:"Times New Roman";} @page Section1 	{size:612.0pt 792.0pt; 	margin:70.85pt 3.0cm 70.85pt 3.0cm; 	mso-header-margin:36.0pt; 	mso-footer-margin:36.0pt; 	mso-paper-source:0;} div.Section1 	{page:Section1;} --&gt; &lt;/style&gt;&lt;!--[if gte mso 10]&gt; &lt;style&gt;  /* Style Definitions */  table.MsoNormalTable 	{mso-style-name:"Tabela normal"; 	mso-tstyle-rowband-size:0; 	mso-tstyle-colband-size:0; 	mso-style-noshow:yes; 	mso-style-parent:""; 	mso-padding-alt:0cm 5.4pt 0cm 5.4pt; 	mso-para-margin:0cm; 	mso-para-margin-bottom:.0001pt; 	mso-pagination:widow-orphan; 	font-size:10.0pt; 	font-family:"Times New Roman";} &lt;/style&gt; &lt;![endif]--&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;"&lt;i style=""&gt;[...] Podemos dizer que há um processo no mundo de consumar uma vida capitalista, de reificação. Cada vez mais as coisas são orientadas por esse princípio de mercado. E as pessoas veem a literatura como uma coisa secundária – isso, claro, já de algum tempo, mas que enxergo estar a passos mais largos. Então ela é substituída pela estética, ou reduzida ao prazer dos sentidos. Nessa esteira, há os grandes filmes hollywoodianos e grande parcela da arte orientados para chocar e alimentar esses sentidos da expressão, se faz aí o seu fim. Podemos identificar, então, um processo global, uma crise dessa interpretação do ser, convertido em sujeito. Como o homem está no real e lida com esse real é, na modernidade, uma sobreposição do homem ao real. Minha pergunta interroga, na verdade, por uma surpresa e um sentimento aporístico que tenho atualmente. Vejo isso, de alguma forma, relacionado com a proposta de Poética: deparar-se com esses paradigmas estabelecidos e, com o contato com diversas obras, ver o que neles se pode repensar e rever. Essa é uma pergunta para o Jun político.&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;i style=""&gt;Percebendo esse movimento civilizatório e modernizador que acontece em larga escala pela globalização, como você alia as suas reflexões teóricas e suas críticas a esse processo a uma esperança ou uma necessidade sua de mudar, interferir nesse processo? Como você concebe e age nesse momento? Há uma saída? Para onde estamos sendo conduzidos? Será que você, como acadêmico, pode ajudar alguma coisa? Na prática docente, talvez? O que você pode fazer?&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;Essa pergunta é difícil. É óbvio que a coisa não parece boa, não. Parece que as coisas não estão boas. No nível mais evidente, se a gente pensar politicamente, estão muito erradas. A gente sabe que a sociedade é desigual, que estamos acabando com os recursos do planeta, que estamos caminhando para um lugar cada vez mais “sem volta”. As pessoas se matando, indiferentes umas às outras – e a si mesmas. Isso vem um pouco junto. Essa insatisfação é geral e parece que é específica, algo do nosso tempo, de fato. Mas também sou um pouco cético, parece que tudo já sempre esteve um pouco errado. Você vê lá que o Platão está lutando para encontrar um jeito de organizar aquela cidade, que não dá certo. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;E o debate ainda é o mesmo, embora tenhamos novos conceitos e modos de lidar com isso. Parece que, essencialmente, a dificuldade é a mesma. E não sei bem pontuar exatamente essa dificuldade. Quem sabe seja a indiferença. Por isso é que talvez Platão tenha dito que os governantes sejam filósofos, mas que os filósofos sejam os educadores, de forma que houvesse cada vez mais filósofos nessa cidade. E se a gente pensar que a filosofia trata de uma busca do próprio, de buscar uma autenticidade, de cada um pensar no sentido de cuidar da sua vida, buscar essa diferença em meio à indiferença fosse um caminho. Mas não sei, o que se pode fazer é muito pouco. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;Tenho minhas ilusões também, há quem esteja certo em entrar para o PSTU e que o negócio é fazer a revolução proletária mesmo, porque a estrutura já está corrompida... Mas também vou lá no &lt;i style=""&gt;site&lt;/i&gt; do Greenpeace e repasso os e-mails dos abaixo-assinados contra a mortandade das baleias e contra a mudança do código florestal, enfim. Tem umas resistências que a gente tende a fazer. Não vejo solução concreta, pelo menos pensando no macro, não vejo solução definitiva para tudo. Economicamente, seria muito bom que todo mundo tivesse acesso a uma vida mais digna, às condições básicas de alimentação e educação. Mas essas condições básicas também são ambíguas, não sei se sorvete está incluído. O exemplo é bobo, mas mostra que a gente não sabe o que são essas condições básicas. Tem sempre alguém que define quais são, mas de repente eu consiga viver sem arroz e feijão e só de sorvete... Não sei, essas soluções do macro tendem a invadir a propriedade de cada um. Sinceramente, de vez em quando, acredito numas coisas, de vez em quando acredito em outras, mas na maior parte do tempo sou bastante cético. Na maior parte das vezes, o que podemos fazer é pouco, e temos que nos esforçar para que esse pouco seja o melhor possível. Sou eu dando as minhas aulas e pensando estar contribuindo para alguma reflexão que vá fazer diferença. Claro que não vou revolucionar a vida de ninguém – se conseguisse, seria muito bom, mas se vivesse em prol disso, me frustraria demais. Se sentir que algo que eu fiz tenha feito diferença para que alguém se encontrasse ou buscasse algo de sentido para si próprio, já me sinto bastante realizado. Se todo mundo fosse filósofo nesse sentido, seria um avanço. Seria um avanço já frente à indiferença. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;Você vê, já estou pensando no macro outra vez, buscando uma solução que envolva todo mundo. A pessoa pode não querer ser filósofa, estar na caverna olhando para as sombrinhas, achando que aquilo é assim porque tem que ser assim. Mudar a si próprio já é difícil demais para que a gente queira ainda por cima mudar o outro. É não saber exatamente o que quero, mas saber o padrão para o que o outro deve querer. Não é um tanto absurdo? Fico um pouco com o Diego quando ele diz que a gente faz política até quando come. Fazemos política quando conversamos. Fico sempre nesse dilema entre o grande e o pequeno. Sinto que os resultados, no pequeno, são mais positivos. É difícil. É bom que seja difícil, porque quando é difícil, sinto que estou no caminho certo. Não porque os obstáculos sejam grandes, mas por não saber o que fazer. Quando estou muito certo de alguma coisa, já começo a duvidar de que esteja certo. Só o fato de estar se perguntando o que se pode fazer já mostra uma não-indiferença e já mostra uma procura. Que eu faça um pouco de um lado e um pouco de outro, o que importa é não sair do ceticismo e partir para o cinismo e a indiferença. Aí é problemático. Enquanto conseguirmos nos preocupar sem que isso se torne uma neurose enorme, já há um caminho. Que seja em sala de aula, como você disse. Não dá para querer salvar o mundo. No final, Sócrates e Jesus estão aí para mostrar e o Conselheiro também, que querer salvar o mundo não dá certo, que querer salvar nada dá certo. A gente vai resolvendo aqui e ali, compra uma agenda, anota as obrigações do dia, e aos poucos a coisa vai tomando o seu rumo. A vida é tão curta para querer resolver tudo, não dá. Fazemos um pouquinho ali e vai-se levando. De repente, quando você chegar aos setenta anos, você percebe que fez alguma coisa. Se fez um pouquinho, está bom. Não dá parar querer fazer tudo. Talvez exista gente que faça, mas não se pode cobrar que as pessoas sejam grandiosas nem que se seja grandioso. Tem que haver uma vocação, 'a pessoa é para o que nasce'."&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23069912-1484875293429659397?l=acidabrancura.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://acidabrancura.blogspot.com/feeds/1484875293429659397/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23069912&amp;postID=1484875293429659397&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23069912/posts/default/1484875293429659397'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23069912/posts/default/1484875293429659397'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://acidabrancura.blogspot.com/2010/07/entrevista-com-jun.html' title='Entrevista com Jun'/><author><name>André Lira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05596118036306451188</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_jG0L32jYfC8/S7L44h7_oGI/AAAAAAAAAEQ/GQsX9UMOIAo/S220/DSC03111.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23069912.post-725617915209150159</id><published>2010-06-22T00:48:00.003-03:00</published><updated>2010-06-22T00:53:06.231-03:00</updated><title type='text'>Entrevista com Priscila</title><content type='html'>Dando prosseguimento à série de entrevistas, ponho aqui um trecho da entrevista com Priscila Wandalsen.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;meta equiv="Content-Type" content="text/html; charset=utf-8"&gt;&lt;meta name="ProgId" content="Word.Document"&gt;&lt;meta name="Generator" content="Microsoft Word 10"&gt;&lt;meta name="Originator" content="Microsoft Word 10"&gt;&lt;link rel="File-List" href="file:///C:%5CDOCUME%7E1%5Cuser%5CCONFIG%7E1%5CTemp%5Cmsohtml1%5C01%5Cclip_filelist.xml"&gt;&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;  &lt;w:worddocument&gt;   &lt;w:view&gt;Normal&lt;/w:View&gt;   &lt;w:zoom&gt;0&lt;/w:Zoom&gt;   &lt;w:hyphenationzone&gt;21&lt;/w:HyphenationZone&gt;   &lt;w:compatibility&gt;    &lt;w:breakwrappedtables/&gt;    &lt;w:snaptogridincell/&gt;    &lt;w:wraptextwithpunct/&gt;    &lt;w:useasianbreakrules/&gt;   &lt;/w:Compatibility&gt;   &lt;w:browserlevel&gt;MicrosoftInternetExplorer4&lt;/w:BrowserLevel&gt;  &lt;/w:WordDocument&gt; &lt;/xml&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;style&gt; &lt;!--  /* Style Definitions */  p.MsoNormal, li.MsoNormal, div.MsoNormal 	{mso-style-parent:""; 	margin:0cm; 	margin-bottom:.0001pt; 	mso-pagination:widow-orphan; 	font-size:12.0pt; 	font-family:"Times New Roman"; 	mso-fareast-font-family:"Times New Roman";} @page Section1 	{size:612.0pt 792.0pt; 	margin:70.85pt 3.0cm 70.85pt 3.0cm; 	mso-header-margin:35.4pt; 	mso-footer-margin:35.4pt; 	mso-paper-source:0;} div.Section1 	{page:Section1;} --&gt; &lt;/style&gt;&lt;!--[if gte mso 10]&gt; &lt;style&gt;  /* Style Definitions */  table.MsoNormalTable 	{mso-style-name:"Tabela normal"; 	mso-tstyle-rowband-size:0; 	mso-tstyle-colband-size:0; 	mso-style-noshow:yes; 	mso-style-parent:""; 	mso-padding-alt:0cm 5.4pt 0cm 5.4pt; 	mso-para-margin:0cm; 	mso-para-margin-bottom:.0001pt; 	mso-pagination:widow-orphan; 	font-size:10.0pt; 	font-family:"Times New Roman";} &lt;/style&gt; &lt;![endif]--&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;i style=""&gt;"[...] No seu trabalho com colégios, você vê muito esse minguar da literatura nos currículos. Quer dizer, a gente tem um público leitor cada vez menos interessado e capacitado, mesmo com a expansão do mercado editorial, com a redução do analfabetismo. Temos esses aparentes avanços, mas mesmo assim é evidente que a literatura tem ganhado cada vez menos espaço, menos prioridade. Você conta para as pessoas que faz Letras e ninguém sabe o que isso quer dizer além de ser professor, e mesmo assim, um professor totalmente condicionado a um ensino de língua. Como você vê esse movimento de perda de importância? Você identifica esse movimento? Como isso altera o seu trabalho, como você se posiciona em relação a isso? Há algo a se fazer, é um sintoma de como a nossa sociedade está sendo conduzida? O que é um mundo que dá pouca importância à literatura, que pessoas são essas?&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;Acho que você colocou muito bem. Na verdade, a pergunta é essa: “O que é um mundo que dá pouca importância à literatura?” É um mundo que dá pouca importância ao pensamento. Pensar e criar estão muito fora de moda. Pensamento crítico, de criação e recriação das coisas. A literatura é uma reformulação, uma crítica. Falo isso para os meus alunos, sei que a literatura é cafona. É perda de tempo pensar. Para que pensar, se alguém vai te dar esse pensamento pronto? E os &lt;i style=""&gt;bestsellers&lt;/i&gt; estão aí justamente para isso. Quer dizer, o mercado aumenta, mas há um monte de livros que falam da mesma coisa do mesmo jeito. Não é o universalismo das questões humanas, mas falam os mesmos chavões de uma maneira muito ruim, sem preocupação com a forma. Pior até mesmo do que café sem açúcar. Tanto na escola quanto na universidade, não se aprende para saber. Sei o que é dar uma aula de literatura diferente, questionando padrões, e o aluno perguntar como se classifica o texto nas escolas literárias, pois é isso que cai na prova. É o que vai fazer dele um profissional que ganhe dinheiro, tenha um carro, uma casa grande, uma mulher, dois filhos e viagem nas férias. É o ideal burguês. O que foge disso é desinteressante, chato. Esse processo é absoluto. O analfabetismo está sendo erradicado, porque se precisa de números de desenvolvimento no&lt;span style="color:red;"&gt; &lt;/span&gt;país, mas isso é um número, pois, na prática, um aluno regular não sabe ler direito. Não é um leitor, não consegue ler e pensar ao mesmo tempo o que lê. É uma deficiência séria, ainda de alunos de escola particular. É só para se dizer que sabem ler. O que, claro, denuncia a falta de vontade dos políticos de que esses alunos saibam alguma coisa, mas não só dos políticos. É também dos pais, das escolas, da mídia. Isso existe de maneira dominante. Você está sempre falando para dois, três no máximo. O resto quer decorar o que vai cair na prova. É cabal na sociedade de forma geral, só se aprende se vale nota. Você só faz várias coisas porque vai cair na prova. Como lidar com isso? Só consigo lidar com isso porque tenho tesão no que faço. Sou uma resistência. Isso vai dar certo, isso faz diferença? Acho que não. Não faz uma grande diferença. Mas faz uma grande diferença para mim. Quando vêm um ou mais alunos depois da aula querendo mais é maravilhoso. Sempre fico impressionada com essa vontade de saber. Se você consegue alimentar esse sentimento ao menos em alguns alunos, é algo incomensurável. Se você consegue lidar com isso, você tem tesão no que faz. Senão você surta, vai ser uma frustração eterna para você. Quando se tem tesão no que se faz, o tesão alimenta, você não precisa que o outro venha te alimentar. Lógico que o fato de eles não darem importância para você é doloroso. Mas não aprendo com essa dor, insisto, senão não dá para respirar num sistema desses. Como disse, é o tesão no que você faz que te alimenta e fortalece."&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23069912-725617915209150159?l=acidabrancura.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://acidabrancura.blogspot.com/feeds/725617915209150159/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23069912&amp;postID=725617915209150159&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23069912/posts/default/725617915209150159'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23069912/posts/default/725617915209150159'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://acidabrancura.blogspot.com/2010/06/entrevista-com-priscila.html' title='Entrevista com Priscila'/><author><name>André Lira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05596118036306451188</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_jG0L32jYfC8/S7L44h7_oGI/AAAAAAAAAEQ/GQsX9UMOIAo/S220/DSC03111.JPG'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23069912.post-6298299971025176739</id><published>2010-06-20T23:18:00.003-03:00</published><updated>2010-06-20T23:30:26.254-03:00</updated><title type='text'>Entrevista com "Click"</title><content type='html'>Tenho um novo projeto, ainda inominado, que é o de reunir entrevistas de amigos concedidas a mim sobre diferentes temas. Em geral, elas revolvem em torno de poesia, educação, universidade, paixão, política... Espero conseguir uma forma de publicá-las num formato de livro num futuro não muito distante, para divulgar e valorizar o pensamento dos autores entrevistados. Enquanto isso, gostaria de disponibilizar alguns trechos delas neste blog, à medida que realizo as entrevistas e que o livro se faz. Aí vai uma parte da entrevista com o Rodrigo Teixeira, também conhecido como "Click":&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;meta name="ProgId" content="Word.Document"&gt;&lt;meta name="Generator" content="Microsoft Word 10"&gt;&lt;meta name="Originator" content="Microsoft Word 10"&gt;&lt;link rel="File-List" href="file:///C:%5CDOCUME%7E1%5Cuser%5CCONFIG%7E1%5CTemp%5Cmsohtml1%5C01%5Cclip_filelist.xml"&gt;&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;  &lt;w:worddocument&gt;   &lt;w:view&gt;Normal&lt;/w:View&gt;   &lt;w:zoom&gt;0&lt;/w:Zoom&gt;   &lt;w:hyphenationzone&gt;21&lt;/w:HyphenationZone&gt;   &lt;w:compatibility&gt;    &lt;w:breakwrappedtables/&gt;    &lt;w:snaptogridincell/&gt;    &lt;w:wraptextwithpunct/&gt;    &lt;w:useasianbreakrules/&gt;   &lt;/w:Compatibility&gt;   &lt;w:browserlevel&gt;MicrosoftInternetExplorer4&lt;/w:BrowserLevel&gt;  &lt;/w:WordDocument&gt; &lt;/xml&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;style&gt; &lt;!--  /* Style Definitions */  p.MsoNormal, li.MsoNormal, div.MsoNormal 	{mso-style-parent:""; 	margin:0cm; 	margin-bottom:.0001pt; 	mso-pagination:widow-orphan; 	font-size:12.0pt; 	font-family:"Times New Roman"; 	mso-fareast-font-family:"Times New Roman";} @page Section1 	{size:612.0pt 792.0pt; 	margin:70.85pt 3.0cm 70.85pt 3.0cm; 	mso-header-margin:36.0pt; 	mso-footer-margin:36.0pt; 	mso-paper-source:0;} div.Section1 	{page:Section1;} --&gt; &lt;/style&gt;&lt;!--[if gte mso 10]&gt; &lt;style&gt;  /* Style Definitions */  table.MsoNormalTable 	{mso-style-name:"Tabela normal"; 	mso-tstyle-rowband-size:0; 	mso-tstyle-colband-size:0; 	mso-style-noshow:yes; 	mso-style-parent:""; 	mso-padding-alt:0cm 5.4pt 0cm 5.4pt; 	mso-para-margin:0cm; 	mso-para-margin-bottom:.0001pt; 	mso-pagination:widow-orphan; 	font-size:10.0pt; 	font-family:"Times New Roman";} &lt;/style&gt; &lt;![endif]--&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;"&lt;i style=""&gt;[...] Queria que você falasse do amor, o que é o amor para você? Vejo a nossa sociedade ter muito problema com isso, com a questão do relacionamento, do sexo, do pudor. Então, fala um pouco para gente sobre as suas impressões e críticas ao amor, que parece tão estranho. É tão comum você pegar uma pessoa jovem, de 15, 20 anos, reclamando, amargurada.&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;Numa cultura doente como a nossa, acreditar no amor é a única forma de sobreviver. Todo mundo diz isso da boca pra fora, mas é sério. Só acreditando no amor é que você consegue sobreviver numa cultura esmagadora. Costumo dizer, mesmo, que não frequento lugares, frequento pessoas. Frequento a mim mesmo, obviamente, mas as pessoas que frequento são aquelas que me dão noção do meu espaço no mundo, meu tempo no mundo. São as pessoas de Mesquita, por exemplo, que dão relevância ao lugar Mesquita. São as pessoas da UFRJ que dão relevância ao lugar UFRJ. E o amor é a base de perceber que o mundo é algo a ser construído. Ele não me foi dado de antemão. As pessoas o construíram. O amor faz com que você atribua importância às coisas de fora. Claro que você também tem amor próprio, mas é só o amor que te faz perceber que não está sozinho no mundo. E perceber-se com outras pessoas, com outras coisas... Eu, por exemplo, amo pássaros. Por que amo pássaros? Não sei, eles me agradam, um dia me apaixonei pelos pássaros. Essa relação que você tem de amor com as outras coisas é o que faz com que você perceba que você não é a coisa mais importante do mundo, que você depende de outras coisas. Não uma dependência ruim, mas o amor faz com que você procure. E somente procurando é que você consegue crescer. O amor também tem a função de fazer com que você seja uma pessoa melhor. As pessoas costumam se doer muito. O amor faz com que você deixe de se doer tanto e se doe um pouco. Você deixa de se doer e passa a se doar. E esse ato de doação é que consuma todo e qualquer diálogo, qualquer coisa. Quando você se doa ao pássaro, por exemplo, ele te recebe, e esse recebimento você sente, é onde você pode se entregar. Só nos entregando nos libertamos de certas noções de superioridade banais. Todo mundo pensa que sabe de tudo. O amor faz com que você duvide também dessa sua relação consigo mesmo. Faz com que você perceba que certas coisas são mais importantes. Você morreria por um amor seu. Você abriria mão daquilo que é a dádiva maior que você tem, que é a sua vida, por algo que você ama. O que eu sou é tudo aquilo que eu sou, sabe, é tudo que eu construí, tudo que eu vivi. É doar-se. Acho que a função do amor é primordial. Ela faz com que as pessoas sejam melhores. Não digo boas, tem gente que ama cada coisa que dá pavor, mas elas são melhores para si mesmas, porque percebem que se doar faz com que se sintam melhor. Sei lá, é clichê, não dá para falar de amor sem ser piegas, ainda assim é a coisa mais importante do mundo."&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23069912-6298299971025176739?l=acidabrancura.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://acidabrancura.blogspot.com/feeds/6298299971025176739/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23069912&amp;postID=6298299971025176739&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23069912/posts/default/6298299971025176739'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23069912/posts/default/6298299971025176739'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://acidabrancura.blogspot.com/2010/06/entrevista-com-click.html' title='Entrevista com &quot;Click&quot;'/><author><name>André Lira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05596118036306451188</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_jG0L32jYfC8/S7L44h7_oGI/AAAAAAAAAEQ/GQsX9UMOIAo/S220/DSC03111.JPG'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23069912.post-1657675098468897078</id><published>2010-06-07T19:11:00.002-03:00</published><updated>2010-06-07T19:29:08.537-03:00</updated><title type='text'>Daimon Editora</title><content type='html'>Olá amigos, quero divulgar para vocês a Daimon Editora, uma editora recente que tem publicado diversos livros interessantes sobre filosofia, dentre os quais destacamos sua "Coleção Fenomenologia", abrigando os próximos lançamentos de Emmanuel Carneiro Leão (que também é presidente da editora), Denise Quintão, Sérgio Wrublewski e outros. A editora oferece vários projetos para publicar bons livros em diferentes áreas, como Psicanálise, Psicologia, Psiquiatria, Meio Ambiente e Ecologia, Arte, Arquitetura, Direito e inclusive Dissertações e Teses. Você pode conhecer mais da editora e sua proposta editorial, além de navegar em seu catálogo, clicando &lt;a href="http://www.daimoneditora.com.br"&gt;aqui&lt;/a&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23069912-1657675098468897078?l=acidabrancura.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://acidabrancura.blogspot.com/feeds/1657675098468897078/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23069912&amp;postID=1657675098468897078&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23069912/posts/default/1657675098468897078'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23069912/posts/default/1657675098468897078'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://acidabrancura.blogspot.com/2010/06/daimon-editora.html' title='Daimon Editora'/><author><name>André Lira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05596118036306451188</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_jG0L32jYfC8/S7L44h7_oGI/AAAAAAAAAEQ/GQsX9UMOIAo/S220/DSC03111.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23069912.post-3976044121347908647</id><published>2010-06-05T18:24:00.003-03:00</published><updated>2010-06-05T18:34:13.477-03:00</updated><title type='text'>A um mestre que subiu a montanha prateada</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_jG0L32jYfC8/TArCsAQsYRI/AAAAAAAAAE0/pEz5tSOOqO4/s1600/dio02.jpg"&gt;&lt;img style="display: block; margin: 0px auto 10px; text-align: center; cursor: pointer; width: 300px; height: 400px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_jG0L32jYfC8/TArCsAQsYRI/AAAAAAAAAE0/pEz5tSOOqO4/s400/dio02.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5479405957889679634" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Registro aqui minha admiração por esse cantor magnífico e inspirador mais conhecido como Ronnie James Dio. Muito já me ajudou nos momentos difíceis e colaborou com os momentos felizes, mesmo que nunca o tenha conhecido pessoalmente, apesar de tê-lo visto naquela noite mágica em que se apresentou, junto com os outros gigantes do Heaven and Hell, aqui no Rio de Janeiro, no ano passado. Sua obra dá permanência ao heavy metal. Sendo formado com essa argamassa poderosa e vibrante, não tenho nada mais a fazer do que agradecer a você, Dio, pelas veredas abertas. Vamos esperar que esse mundo sobre o qual você tanto cantou se dê conta do silêncio de suas palavras, do desafio de existir. Muito obrigado.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23069912-3976044121347908647?l=acidabrancura.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://acidabrancura.blogspot.com/feeds/3976044121347908647/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23069912&amp;postID=3976044121347908647&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23069912/posts/default/3976044121347908647'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23069912/posts/default/3976044121347908647'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://acidabrancura.blogspot.com/2010/06/um-mestre-que-subiu-montanha-prateada.html' title='A um mestre que subiu a montanha prateada'/><author><name>André Lira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05596118036306451188</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_jG0L32jYfC8/S7L44h7_oGI/AAAAAAAAAEQ/GQsX9UMOIAo/S220/DSC03111.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_jG0L32jYfC8/TArCsAQsYRI/AAAAAAAAAE0/pEz5tSOOqO4/s72-c/dio02.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23069912.post-707521099563677631</id><published>2010-05-18T04:33:00.005-03:00</published><updated>2010-07-20T13:59:11.408-03:00</updated><title type='text'>Vida testada</title><content type='html'>"Cada vez mais, uma fantasmagoria se instalava nas percepções de Gustav. Fazia do outrora sólido e confortável mero deboche. O seu cotidiano, não, talvez a sua própria história passada vinha tomando tons de horror. E isso não se devia a algum temor ou trauma que despontava na sua consciência, mas de como, sem explicação, o homem íntegro que se considerava caiu por terra. Sentiu-se um típico personagem machadiano, preso nos ardis delirantes que cria para si mesmo. Pois é assim que, no dia 18 de maio, ele acorda sem tentar. É o que ele diz a si mesmo, logo nos primeiros momentos de vigília: 'Não tentarei nada, nada mais que nada'. Pode ser que essa mesma definição colocasse seus esforços por terra. Mas era o melhor que podia fazer: tentar não tentar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No fundo, ele tinha medo de paradoxos. Por natureza ou educação, as pessoas, os pensamentos e as coisas possuíam um lado, uma unidade coesa. Restava, para ele, a tarefa de ver claramente, de saber distinguir o limite e o escopo de determinados argumentos, as sendas de determinado método. Ele diria: 'Tentar não tentar não é um paradoxo, pois não tentar não significa que se está tentando. Se algo foi tentado, é porque não se tentou, e se nada se tentou, ótimo'. Gostaria muito de explicar a um companheiro de mesa como tal jogo de palavras leva à confusão e, justamente, aos paradoxos. Só que, nessa explicação, já estaria tentando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parece que ele não consegue sair do círculo. Lembremos que ele ainda está semiacordado, ainda voltando a si. Isso podemos conceder-lhe: é o único momento de livre movimento. Depois do êxtase e do objetivo alcançados (completamente além de seu conhecimento), o verdadeiro maratonista do real, Gustav R., mais uma vez se vê diante da sua pista. A alma adoece, de fato, quando não vemos o horizonte. Depois do pesadelo recorrente no qual se vê na mais extrema pobreza e até seu cão de estimação o abandona, Gustav sentou-se na cama e, tão moderno, viu a extensão de seu fracasso. Não adianta fazer planos como se pudesse fugir de mim mesmo, pensou. O que é bem diferente de querer, dentro dessa piscina do ser, deixar as boias de lado. Mas como fazer isso? Parece impossível resistir ao repuxo da positividade e afundar genuinamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De maratonas a piscinas, Gustav continua sendo o retrato daqueles longos anos escolares, em que algum diabrete o atribuiu do único propósito: o bem. É verdade: sua paixão pelo desempenho, pela nota, pela aceitação e clamor públicos é patente. Ele gostava de fazer comentários para impressionar os colegas e os professores. Na realidade, não é tão simples. Não é que fosse exibido, que tivesse prazer em inferiorizar os colegas de classe. Para Gustav, se tratava do cumprimento do dever: falava quando podia falar, participava da aula quando lhe era requisitado, cumpria as tarefas de casa, e o primo do diabrete, o espírito da culpa, poderia assombrá-lo por tempo indeterminado se Gustav não estivesse, no mínimo, dentro do que seus pares esperavam. Os sociólogos e psicólogos poderiam chamá-lo de uma verdadeira quimera do sistema escolar caduco que perdura há tantos séculos. Mas não há uma ciência gustaviana precisa, talvez ela devesse ter um forte influxo foucaultiano ou até mesmo kafkiano. Quem sabe este momento, único em sua gestação, fomente as condições para a criação da ciência de um homem tão alheio a si mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A literalidade pela qual compreendia e lidava com as pessoas as assustava muitas vezes, herança de seus pais, que nunca perdiam uma discussão. De volta na escola, é claro que Gustav também se irritava e decepcionava muitas vezes. Saía do sério quando um professor alterava um prazo de trabalho, lia isso como falta de seriedade, fraqueza, erro no planejamento. Ainda mais quando corria para concluí-los com folga e, depois, ver os colegas obtendo o mérito de ter brincado mais. Depois que terminou os estágios iniciais do colégio e refinou a teimosia, percebeu que ir para a escola não fazia muito sentido se o seu desempenho naquele micro-mundo de nada servia para medir ou mesmo prepará-lo para o macro-mundo. Constatou, no novembro chuvoso de seu último ano, que de nada serviram todos aqueles anos passados de excelência perante professores que, então, nem lembrariam de seu nome ou o julgariam apenas como bom aluno. Quando saiu da escola, o mundo regimentar que o impregnou o acompanhou como uma verruga invisível, atestando a gravidade do tempo perdido. Os mandamentos perdiam o valor: o silêncio, o saber, a disciplina, o respeito ao professor. Tudo parecia orquestrado, um mundo não de mentira, mas apenas enjeitado, canhestramente instituído apenas para testar aqueles que teriam o bom-senso de rejeitá-lo. Numa reversão bizarra, ele fracassou: tantas boas notas só poderiam ser índice de sua demência, seu ódio ou inaptidão à vida, sua autodeclaração resignada: sou máquina. [...]"&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23069912-707521099563677631?l=acidabrancura.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://acidabrancura.blogspot.com/feeds/707521099563677631/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23069912&amp;postID=707521099563677631&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23069912/posts/default/707521099563677631'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23069912/posts/default/707521099563677631'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://acidabrancura.blogspot.com/2010/05/vida-testada.html' title='Vida testada'/><author><name>André Lira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05596118036306451188</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_jG0L32jYfC8/S7L44h7_oGI/AAAAAAAAAEQ/GQsX9UMOIAo/S220/DSC03111.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23069912.post-5864008735078723700</id><published>2010-04-16T15:03:00.002-03:00</published><updated>2010-04-16T15:22:50.545-03:00</updated><title type='text'>História de zumbis</title><content type='html'>Os filmes de zumbi geralmente não exploram isso, mas pensem como seria desesperador observar a destruição de quase toda a humanidade e sobreviver, tendo que se defender até mesmo daqueles que amava. Imaginem tudo que a humanidade acumulou culturalmente em séculos terminado em alguns momentos, talvez dias. Imaginem os beijos que não foram dados, as crianças que não continuarão a crescer. O casal que acabou de reatar o relacionamento; a família que foi receber um membro querido de longa viagem; a pessoa que, no dia, acordou de ótimo humor. Aquela jovem que está no meio do doutorado; o motorista de ônibus que chega cansado e só quer tomar um banho e descansar; o doente no hospital que nunca vai sair de lá. Imaginem a ruína de bilhões de vidas singulares passando pela vista de uma única pessoa; a massa de animais presa e morta nas casas e também nas indústrias; toda a paisagem sendo tomada por um mar de chamas, fumaça, detrito e sangue.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É um grau de loucura inconcebível; ainda assim, os filmes a tratam como um detalhe, uma leve preocupação que os personagens têm.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23069912-5864008735078723700?l=acidabrancura.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://acidabrancura.blogspot.com/feeds/5864008735078723700/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23069912&amp;postID=5864008735078723700&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23069912/posts/default/5864008735078723700'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23069912/posts/default/5864008735078723700'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://acidabrancura.blogspot.com/2010/04/historia-de-zumbis.html' title='História de zumbis'/><author><name>André Lira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05596118036306451188</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_jG0L32jYfC8/S7L44h7_oGI/AAAAAAAAAEQ/GQsX9UMOIAo/S220/DSC03111.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23069912.post-5991849101676898172</id><published>2010-04-16T13:48:00.003-03:00</published><updated>2010-04-21T04:16:16.310-03:00</updated><title type='text'>Direito</title><content type='html'>Lê-se, no art. 246 do Código Penal Brasileiro, o crime de abandono intelectual: "Deixar, sem justa causa, de prover à instrução  primária de filho em idade escolar". Dentro de nossa cultura, é grave deixar uma criança à margem da escola, já que isso a deixa também à margem da sociedade. Claro que, como a Sociologia da Educação nos ensina, a instituição escola, como conhecemos, sofre de gravísimos problemas. Mas não entrarei nessa discussão, porque a mesma disciplina também vincula de maneira forte a escola à sociedade, e se a escola é repressora e formatativa, os cidadãos da sociedade também serão. Isso implicaria discutir a própria organização da sociedade.&lt;br /&gt;Mas suponhamos que, como espera a legislação, os pais matriculem a criança numa escola e provenham o mínimo de suporte para que ela se mantenha lá. Ela estará sendo formada nessa escola? Seja a escola pública ou particular, ainda que a última geralmente leve vantagem sobre a primeira, imagino que ela estará lá apenas para cumprir com a obrigação. Há crianças que digam que gostam de ir para a escola, mas é que desde cedo se inocula na cabeça dela que ela tem que aprender, que a escola é muito importante, que tem que respeitar o professor etc.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso não é novidade; no meio do ensino, ninguém afirma que o ensino no Brasil está ótimo e tem que continuar assim. Pelo menos, não no ensino básico. Mas nas universidades as coisas mudam um pouco de figura. Parece-me que a maior parte das reclamações dos alunos nas universidades revolve menos em torno de questões estruturais do ensino do que pontuais, como a grade curricular, políticas, como a direção ou o centro acadêmico de tal unidade, ou didáticas, como os métodos de determinado(s) professor(es). Não seria surpreendente alguém afirmar que o ensino nas universidades é bom. Até mesmo em retrospectiva, a criação das pós-graduações durante a ditadura militar é posta como um de seus acertos. Contudo, será que, concretamente, nas faculdades de todo o país, os alunos não estão tão sujeitos ao "abandono intelectual" quanto os alunos do ensino básico? Quer dizer, mesmo matriculados e inscritos, assistindo às aulas e correspondendo às tarefas, será que não há algo de perverso acontecendo em todas as salas de aula? Vale lembrar que, na universidade, depois que os alunos terminarem seus cursos, muitos deles seguirão e darão aula sobre aquilo que lhes foi ensinado. Esses novos professores serão os mesmos que, durante a estadia na faculdade, eram os que torciam para passar na média, os que não gostavam de ler, os que não sabiam porque estavam acordando cedo para ir para a faculdade. Em parte, esses comportamentos são fomentados pela própria universidade, que em muitos casos é um "mercadinho imoral de diplomas" (do quadrinho dos Malvados, de André Dahmer).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não queria fazer um post longo, fundamentando o porquê dessas minhas colocações. Mas tomem dois exemplos: o manual e a confraria. Os dois se articulam de maneira interessante.&lt;br /&gt;O manual é o fundamento básico para o ensino: trata-se de conseguir emular suas recomendações e lembrar de seus postulados. Na área de Letras, por exemplo, o manual é muito presente. Quando se quer, por exemplo, ensinar (a obra de) um determinado autor, recorre-se ao manual ou teórico assistente. Muitas vezes isso é feito com o intuito de facilitar as coisas para o professor e para o aluno. Entretanto, apenas se repete o que está dito, que sustenta o seu poder de influência quanto mais é dito. Intui-se, erroneamente, que se é tão dito e feito, provavelmente é verdade e é o caminho desejável para se ensinar e aprender. Tome por exemplo o meu curso de Psicologia da Educação I, que nada mais foi do que uma sucessão sem objetivo de textos sobre autores relacionados ao tema – o único autor cuja própria obra lemos foi Vygotsky (não me entendam mal, defendo que se deve catapultar o ensino de Licenciatura das faculdades pelo dano cerebral que os diversos cursos causam nos alunos). Depois desse curso, vários alunos sairão falando sobre Piaget, Freud, Skinner sem ter lido uma linha deles. Mas cumpriu-se o objetivo &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;formal&lt;/span&gt; do curso, que era apresentar as ideias desses autores. Por esse dispositivo, tira-se ainda mais a autonomia e a liberdade intelectual dos alunos, numa época que, em termos de informação, já está acostumada a receber tudo de bandeja. Não é à toa que, mesmo em Letras, as literaturas são tão desprestigiadas; mesmo sendo feitas manuais muitas vezes, ainda assim são menos sistemáticas do que as línguas e a Linguística, que se constituem mais de verificação, coleta de dados, aplicação de princípios já conhecidos, ou seja, aquilo que vemos no manual. Isso não vai de nenhuma forma em desrespeito aos meus colegas de língua, embora por vezes o ensino de língua incorra numa redução da linguagem que, creio, empobrece muito a nossa forma de vê-la. É uma pena que se desenvolva essa dependência intelectual do manual, pois limita muito não só o aprendizado, mas as expectativas que temos em relação a ele. Em vez de ler os autores românticos, ler um capítulo de romantismo de um livro, só desestimula ainda mais a leitura e o papel do aluno na descoberta desse conhecimento, pois já está tudo posto no manual e a única coisa que lhe cabe é &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;provar&lt;/span&gt; para os outros que ele sabe. Obviamente, nada impede que, depois, aluno e professor que se interessem possam ler textos acessórios sobre um determinado tema, mas jamais, especialmente dentro da sala de aula, inverter esses termos, ou seja, fazer do complementar o fundamental.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ora, o segundo é a confraria, ou o acordo tácito que se faz para a reprodução e manutenção desses conhecimentos na universidade. Num concurso, por exemplo, se você não é membro da confraria, ou seja, possui formação naquela área específica &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;e&lt;/span&gt; também não divide ou apoia dos ideais referenciais dos membros da banca, suas chances são estreitas. Dentro da universidade, isso não varia muito, seja um trabalho de iniciação científica que você apresenta ou um concurso para professor adjunto. Claro que neste último o seu poder de fogo é maior, mas também não chega a alterar muito as condições postas acima.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A nós, restam as reflexões para o surgimento de uma escola e de uma universidade genuinamente dialógicas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23069912-5991849101676898172?l=acidabrancura.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://acidabrancura.blogspot.com/feeds/5991849101676898172/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23069912&amp;postID=5991849101676898172&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23069912/posts/default/5991849101676898172'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23069912/posts/default/5991849101676898172'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://acidabrancura.blogspot.com/2010/04/direito.html' title='Direito'/><author><name>André Lira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05596118036306451188</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_jG0L32jYfC8/S7L44h7_oGI/AAAAAAAAAEQ/GQsX9UMOIAo/S220/DSC03111.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23069912.post-6394581440907041104</id><published>2010-04-15T22:15:00.002-03:00</published><updated>2010-04-16T02:10:20.664-03:00</updated><title type='text'>Mestre tecelão</title><content type='html'>Ah, sim, perseguir esses fios desnovelados dos pensamentos que nos alvejam parece ser uma das mais ricas recomendações. Isso deve ser explicado com cuidado, já que em momento algum neste blog gostaria de impor nada a ninguém. Mas sinto que o acesso à informação, a facilidade de se publicar e divulgar conteúdo para todas as partes do mundo, em vez de incentivar mais e mais esse ponto de encontro de um consigo mesmo, apenas reitera não que ele é o mais árduo para se conquistar, mas que é o mais fácil, o mais dado. Daí a quantidade massificada de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;blogs&lt;/span&gt; e &lt;span style="font-style: italic;"&gt;sites &lt;/span&gt;que sugerem ser mais um recurso expressivo do usuário do que propriamente uma viagem questão adentro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que procuro dizer lembra um pouco o que Heidegger diz sobre os produtos da técnica em &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Serenidade&lt;/span&gt;, que é uma dupla postura no interior da técnica, a de recusa e aceitação, já que nos tornamos, historicamente, técnicos; mas, ainda assim, a técnica não esgota, nem resolve o que é o homem, há uma fonte em comum de onde provêm também o modo de ser técnico. Daí que o homem é técnico e não-técnico, em que toda a força epocal é jogada, na pós-modernidade, nesse lance de ser técnico e não ser técnico, de forma que na reunião se possa pensar de outra forma os dois opostos e o que lhes dá nome. Bem, o que ocorre é que, até se expandirmos esse pensamento para a questão da educação, *deve ser* possível uma habitação pacífica para o homem dentro da técnica, uma que possamos estimular nos jovens, em que os objetos da técnica não venham a impor uma uniformidade de mundo e de real, mas concretizar formas pelas quais se manifestem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do que estou falando, afinal? Produzam, meus amigos, produzam! Não como um robô que está cumprindo um protocolo, mas como um apaixonado, sempre descontente com a sua própria paixão, que faz desse autodesdobramento o seu método de atuar. Para o apaixonado, tudo que se faz está aquém do sentido do fazer. Continua-se a se perseguir não um ente específico, um objetivo, uma meta, porém apenas cresce. E na questão da leitura, ou na escrita, isso não poderia ser diferente. Mas creio que, no estágio da civilização que denominamos pós-modernidade, o culto à informação e ao usuário-consumidor não pode ser confundido com o que estou dizendo. Falo que a facilidade do meio pode curiosamente implicar na dificuldade do fim ou objeto. Se é tão fácil escrever e todo mundo o faz, sobre os mais diversos temas, sobre o que escrever? Com esse raciocínio, muitos pensamentos são afogados, possibilidades de articulações inusitadas e próprias. Além do desenvolvimento de uma intimidade com a escrita, aquela convivência de um bom casamento que, num só golpe, dá a confiança e também a graça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Paralelamente, em diálogo com obras que nos sejam cardeais, conseguimos pouco a pouco recuperar o paladar para esses belos desvios, estimular desenvoltura com as questões que nos tocam de maneira singular. Essa retribuição é bastante importante. O que pensamos não são simplesmente ideias que tivemos e desprovidas de importância &lt;span style="font-style: italic;"&gt;whatsoever&lt;/span&gt;. Daí tantos colegas nossos que, por mais inteligentes que sejam, tem tanta aversão à reflexão e à discussão, acham que as coisas estão estabelecidas, que se deve evitar complicar as coisas. Há diversos pensamentos concorrentes que servem de pano de fundo a essa contestação: que o questionamento não muda nada; que a discussão não leva a lugar algum; que as coisas são mais simples do que imaginamos. Essa simplicidade, a meu ver, tem tudo de simplória, pois se contenta com as ideias que foram in-formadas à pessoa desde há muito ou apenas as que lhe parecem mais coerentes. Poderíamos entender a simplicidade de outra forma, como Guimarães Rosa conta na entrevista a Günther Lorenz e que também perpassa toda sua obra, que é o compartilhamento da alegria do mundo, sem as grandes hegemonias que nos regem, como a frieza dos grandes esquemas conceituais, das tentativas de dominação dos homens entre si, das violências calculadas etc. Também nessa entrevista, ele diz que é capaz de se dedicar muito tempo a um pensamento só, até mesmo a uma palavra, sendo essa dedicação o essencial na "produção" de sua obra. Ponho o termo entre aspas para evidenciar como essa produção já não é mais no sentido de uma subjetividade autoral que manuseia técnicas com fins estéticos, mas é o alojamento dos pensamentos, o palavrar das palavras postos em história, cantados-contados. É o silêncio do rio que aloja os peixes que o habitam, os indígenas que o reverenciam e mesmo a indústria que o explora. Essa liberdade própria de desenlace os gregos chamavam de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;télos&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As questões pedem curso em nós e por vezes nos habituamos a deixar de lado uma resposta, um empenho. Mas somos suas concretizações históricas, podemos afirmar que até mesmo uma postura de total recusa à ponderar sobre elas já parte do princípio de que ser (o) humano (que se é) não é nada resolvido e somos empurrados a pensá-las. É claro que o texto escrito, como este, é apenas *uma* das vias que possuo para navegar nelas. Tem suas peculiaridades e suas limitações. Talvez não possa revelar o mesmo que a preparação de um prato ou uma partida de futebol; ainda assim, certamente dispõe suas próprias revelações. Posso colocar o problema também desta maneira: recuperando o afeto pela angústia de nossas questões, de ser e fazer perguntas, recuperamos junto o que responder a elas, além da insistência em responder. O caminho para isso está para cada um descobrir, porém tal horizonte permanece à vista. Disse o professor e amigo Antonio Jardim que o homem faz obras e defende teses. É uma maneira de colocar, considero, a dimensão nodal do pensamento no modo de ser humano (completamente entrelaçado com a arte, como se vê pela correlação obra-tese).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que pensamos tem um valor muito maior do que o considerado, podemos contar a história de alguém só pelo que pensaram justamente porque pensar é ser – fato que a história da filosofia, por exemplo, intui, ainda que por meio de esquematizações que alteram o foco dessa proposição. Essa conjuntura vai de encontro, vejo, à que é propagada nos mais diversos estratos da cultura globalizada, de que é mais importante aquilo que você aparenta ser, se o que você faz impressiona ou chama a atenção, se você se encaixa e compartilha dos ideais de determinado grupo, de que as coisas são como são e pronto etc. Ou seja, tudo gira em torno de uma identidade negociada(ável) ou assumida(ível). Entretanto, concretamente, talvez seja o mais difícil termos até uma vaga ideia do que nós somos, uma síntese, uma reunião, uma característica ou, como se gosta de dizer atualmente, um vestígio, um traço, um vislumbre. Esse ponto de articulação existe, claro, senão não seríamos nada além de um borrão indistinto. Não há uma pessoa nesse mundo próxima de ser reduzida a um adjetivo, conceito ou substantivo qualquer, seja ele qual for. Ao mesmo tempo, deve-se insistir que o desafio dessa descoberta não nos abandona, nem é sem sentido; ora, ele é o próprio sentido, só alimenta a nossa fonte de experiências. Uma maneira de levar ao pensamento o levar ao pensamento é apontando como estamos inegavelmente enraizados no frio, entregues à costura vigorosa de um casaco interminável. (E Homero, com Penélope, mais uma vez encanta. Quando costura e descostura o que costurou, Penélope figura a condição humana e o tempo próprio, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;kairós&lt;/span&gt;, no que persegue e é perseguida pelo amor a Odisseu – aquele mesmo amor do dialeta platônico, a meu ver, verdadeiro pêndulo de nossas inquietações. Ah, isso dá um caldo).&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23069912-6394581440907041104?l=acidabrancura.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://acidabrancura.blogspot.com/feeds/6394581440907041104/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23069912&amp;postID=6394581440907041104&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23069912/posts/default/6394581440907041104'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23069912/posts/default/6394581440907041104'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://acidabrancura.blogspot.com/2010/04/mestre-tecelao.html' title='Mestre tecelão'/><author><name>André Lira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05596118036306451188</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_jG0L32jYfC8/S7L44h7_oGI/AAAAAAAAAEQ/GQsX9UMOIAo/S220/DSC03111.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23069912.post-3481104888645344600</id><published>2010-03-31T04:28:00.002-03:00</published><updated>2010-03-31T06:25:07.300-03:00</updated><title type='text'>Televisão</title><content type='html'>Recebera com surpresa minha afirmação: sim, não vejo televisão. Há uma resposta mais direta para o que vou escrever a seguir: não vejo televisão porque recorro a outras formas de entretenimento (pois é assim que a concebo).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora, a resposta prolongada, explicada. O que há para se assistir, francamente? Na TV aberta, temos em geral a programação massificada das grandes emissoras (o que inclui desde o Faustão até o BBB e as novelas), os jornais e os canais com uma abordagem mais educativa e cultural.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A primeira opção é uma das mais fortes expressões do poder nefando que a televisão exerce, pois sua expansão alcança um grande número de pessoas que, por sua vez, são entupidas de um conjunto de preceitos e valores sem se darem conta disso, por meio de programas repetitivos cujo único propósito é manter o telespectador assistindo (e voltando no próximo programa para mais). Esse poder formatativo, em vez de formativo, deve ser evidenciado a todo custo. O programa "Malhação" da Globo é um bom exemplo, pois mostra, já por anos na TV brasileira, um completo sistema de instrução e comportamento para adolescentes. Não é, como seus defensores talvez gostem de acreditar, uma forma de dramatizar os dramas cotidianos dos adolescentes. Mesmo se assim fosse, deveríamos discutir como ele dramatiza e se obtém sucesso nisso. Contudo, o que justamente me leva a suspeitar das intenções do programa é como não há preocupações com se contar uma boa história que, de fato, envolva e questione o espectador. Aí se situa outra crítica: no plano do massificado, nunca se quer levar nada complexo ou que não seja de fácil absorção. Dessa maneira, o caminho se torna vender e consolidar uma determinada imagem do adolescente que é preconizada no momento. Imagem esta que está cada vez mais orientada pelos produtos que o circundam: o mp3 e as músicas que ouve, as roupas, os produtos de beleza, o carro etc. Em outras palavras, é a imagem do jovem brasileiro fomentada dentro da sociedade capitalista em suas camadas médias. Da mesma forma que tal programa é vitrine de comportamento para os (pré-)adolescentes, podemos dizer o mesmo do restante das programações massificadas. Os filmes são basicamente transportados da cultura americana, sugerindo os gostos da forma correspondente àquela; os programas de entrevista instigam no espectador a curiosidade de conhecer os entrevistados, mas na realidade só se discute inutilidade e arremessa quem assiste numa vala de informações completamente estéreis; uma subespécie dos últimos, há os que em vez de celebridades gostam de apresentar casos polêmicos, aparentemente na tentativa de incluir e fazer os envolvidos terem a oportunidade de resolver seu problema ou se sentirem menos "estranhos", mas o resultado é justamente o oposto, cativando o leitor ou pela empatia (falsa, construída pelo programa) ou pela repulsa; ou então temos programas como o Big Brother, verdadeira chaga na alma (mereceria um post por si só, pela necessidade urgente de ser completamente demolido e esquecido), que concorda e estimula integralmente o senso de perda de propriedade, de achar mais relevante julgar e observar o outro do que cuidar e desenvolver a si mesmo – além disso, veja o quanto é aleatório: um grupo de pessoas trancado num casa e o telespectador acompanha todos os passos de... sim, um grupo de pessoas (selecionado "neutramente" pela emissora), cada um com sua peculiaridade, mas todos motivados por ganhar o prêmio final. E uma delas só ganha o prêmio final se consegue o máximo de reificação de si mesma e dos outros, o máximo de manipulação, se consegue brigar bastante, chamar a atenção; no geral, justificar o grande princípio orientador do programa, que é fornecer ao espectador a visão  &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;distanciada e anônima &lt;/span&gt;da vida alheia (e uma vida alheia que seja "cativante"). Cada um está livre para dizer, julgar e ver o que quiser no mundo sem sentido das individualidades enclausuradas em si mesmas, fazendo continuamente voz de justiça contra tudo que não corresponda às suas vontades. E o programa reforça justamente que o outro é sempre um oponente com o qual você entra em choque ou se alia para entrar em choque com outro. Um grande laboratório cujo produto final são os índices de audiência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A segunda opção são os jornais. Isso toca nos brios de muitos, porque um dos imperativos atuais é "estar informado", mas não só informado, deve ser informação "crítica e de qualidade". Assim, milhões de pessoas se perfilam diariamente para assistir a telejornais e saber do que está acontecendo no mundo. Ora, saber dos detalhes do último caso de homicídio que chocou o país ou do último esquema de corrupção não é nenhuma regra natural da convivência na pólis; porém, trata-se de um modo de estar nessa mesma pólis que foi popularizado, engessado e tem quase força de lei (moral): na maior parte dos círculos, se você não adentra as conversas sobre uma notícia, você é rapidamente acusado de desinformado (com tom pejorativo), alienado, um desinteressado, sem senso de política. Retrucaria: é justamente pelo senso político que sou levado a rejeitar esse modelo humano que é posto diante de mim, que adora essa imagem especular do mundo chamada telejornal, cujos bits de informação servem como uma purpurina esvanecente para compor a máscara da identidade cultural. É pelo senso político que não faz sentido ouvir uma história contada com a mesma inexpressividade, enfiada goela abaixo de quem ouve porque alguém determinou que é importante para ser contada. Se o noticiário decidir apresentar a morte do meu porco Zaca, assassinado por um ornitorrinco enfurecido pelas águas poluídas da Baía de Guanabara, ele vai fazê-lo e se tornará assunto do dia (ou da semana, ou do mês), se assim quiser. É, ainda, pelo senso político que reajo a um enquadramento da vida à capacidade descritiva dos repórteres, que há décadas nos apresentam o suceder dos eventos com uma grande interrogação por trás: o quê? por quê? como? Não interessa: eles apenas, dizem, se preocupam em mostrar o que acontece. Ainda que a afirmação não seja desprovida de sentido, a hipervalorização da informação na figura da mídia não exatamente ajuda a perceber o caminho para mudanças, questionamentos, novas experienciações da realidade. Pelo contrário, ela retrata "fielmente" as coisas como são (na aparência) e pronto. É o real que ela nos põe diante de nós e frequentemente aceitamos que seja este o real, aquilo que vale, o que deve ser o centro de nossas preocupações: se a próxima reforma do governo melhorará a vida de todos, se a próxima taxa divulgada reflete o aquecimento da economia, se o brasileiro passou a ir e ficar mais na escola, se o futuro candidato a um cargo importante discursa convincentemente sobre seus planos. Essa crítica já delineei no parágrafo acima: a televisão, se parece à primeira vista oferecer muitas opções e alternativas em seus programas, continua nos expondo à uma escolha forçada de programas com que, talvez se não fôssemos forçados, não teríamos nenhuma afeição. Não há liberdade na televisão, apenas a adequação do gosto do espectador àquilo que lhe é oferecido para consumir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A terceira opção são os canais com foco "cultural". Ainda que tenham um extremo valor em apresentar um conteúdo diversificado e distinto do popular, além de serem completamente sufocados por toda a desvalorização de tal programação efetuada pelos outros canais, não chegam a alterar profundamente tais preceitos televisivos. A cultura foi transformada num produto como todos os outros. A estrutura televisiva não ajuda muito, é verdade, a modificar essa situação. Digamos que haja um debate num desses canais sobre reformas educacionais brasileiras, com grandes educadores do presente. É claro que ideias importantes serão expostas no programa, mas ainda assim assistir a um programa sobre isso não equivale a, digamos, ler um livro ou assistir a uma palestra sobre o assunto. Há uma diferença que considero importante: por mais que se tente aprimorar o que se apresenta, o programa ainda é programado, ainda almeja, pois, satisfazer o telespectador – no caso, com um debate sobre reformas educacionais. O tema é escolhido no programa; os participantes; a direção do debate; o que será apresentado no programa e o que será cortado; tudo isso visando a &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;construir&lt;/span&gt; tal debate, que nunca sai da superficialidade, justamente porque o propósito final é o consumo, é &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;tornar&lt;/span&gt; o telespectador crítico, informado. De súbito, decidiu-se que não só saber sobre reformas educacionais é importante para você, mas que aquelas pessoas são aquelas que você deve ouvir, que você deve compreender e saber lidar com aqueles argumentos. Que beleza, não?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A TV a cabo compreendo como um refinamento da aberta, mas sem grandes mudanças fundamentais. São um canal mais direto entre os programas das TVs estrangeiras e o público brasileiro, sem as dublagens, versões e adaptações que ocorrem na TV aberta. Um argumento muito usado por quem assiste TV a cabo é o de poder assistir a (mais) filmes e o de assistir a seriados. Quanto aos filmes, ainda que se encontrem bons filmes entre eles, os canais de filmes só contemplam (e só podem contemplar) os que prevê darem boa audiência. Mesmo os bons filmes que dão boa audiência são escolhidos pelo canal (esse argumento mais uma vez), naquele horário, naquele dia. E a televisão também não é o meio exclusivo para assistir filmes: pode-se ir ao cinema ou alugá-los na locadora, por exemplo. Quanto as séries, imagino que em nada diferem das novelas das grandes emissoras. Naturalmente, por serem importadas em sua esmagadora maioria, as séries das TVs a cabo possuem, mais uma vez, um grau de elaboração maior, atraindo um público mais especializado do que o das novelas, com suas tramas intrincadas, efeitos especiais, enfim. Será que são um aprofundamento da humanidade, algo que com certeza precisa ser salvo do olvidável, exposto às futuras gerações, senão como formação e educação, como simples registro? Ou as séries são uma sucessão descartável de modas, diante das quais se prostram os telespectadores?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com tanto entretenimento a que somos submetidos, permanecemos inertes. O mundo perde a graça; tudo está pronto e estão todos cheios de tédio, à mercê da próxima temporada, do próximo programa. Depois que acontecem, estamos à merce do próximos e dos próximos... A dor instituída a que submetemos uns aos outros (pela desigualdade, pela discriminação, pelo egoísmo) é dessa forma cada vez mais aceita, passando tanto ao largo quanto a magia do simples, o dom da vida, o caminho da serenidade. &lt;span style="" class="Gy39e4nEEC"&gt;Nenhuma base senão o enigma deve  restar para a restauração vindoura. Até lá, nos forçamos à capa de  cinzas...&lt;/span&gt; sobre a saudável pele sensual, tão descrente do amor.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23069912-3481104888645344600?l=acidabrancura.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://acidabrancura.blogspot.com/feeds/3481104888645344600/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23069912&amp;postID=3481104888645344600&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23069912/posts/default/3481104888645344600'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23069912/posts/default/3481104888645344600'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://acidabrancura.blogspot.com/2010/03/televisao.html' title='Televisão'/><author><name>André Lira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05596118036306451188</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_jG0L32jYfC8/S7L44h7_oGI/AAAAAAAAAEQ/GQsX9UMOIAo/S220/DSC03111.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23069912.post-7309985832945326238</id><published>2010-03-29T19:43:00.002-03:00</published><updated>2010-03-29T20:20:38.477-03:00</updated><title type='text'>Conversa</title><content type='html'>Certa vez um professor contou uma história sobre um médico da família que, só com cinco minutos de conversa, era capaz de diagnosticar qualquer doença. Ouvindo essa história, me vem uma reflexão cotidiana, a de que com cinco minutos de conversa, conseguimos conhecer muito de uma pessoa. Difícil saber se isso se aplica a todos (imagino que não), até porque as circunstâncias de uma tal conversa podem variar bastante. Além disso, quando você está olhando de fora a pessoa conversar é bem diferente de você conversar diretamente com ela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De qualquer forma, esse evento se repete com alguma frequência comigo, me evoca aquela capacidade de os narradores configurarem um personagem por meio de um ou mais caracteres apenas, sem que eles se tornem tipos ou desinteressantes. Pelo contrário, essa técnica procura apresentar o que é essencial num personagem, liberando espaço para que, ao longo da narração, esse(s) traço(s) se desenvolvam sem perderem de vista o seu princípio básico. Desde o início, são apresentados em sua força, mantendo sua complexidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha lembrança, pensando bem, não é despropositada. As situações apresentadas na literatura que se comportam assim ressoam intimamente com o que experimentamos na convivência. Será que conseguimos vislumbrar ao conhecer alguém uma unidade, uma (in)coerência submersa? Creio que sim. Por mais que tenhamos "más impressões" de pessoas num primeiro encontro, nunca abandonamos uma pré-visão delas, ainda que nos situemos nela, ao longo do tempo, de outra maneira. Por exemplo, se percebemos que uma determinada pessoa justifica sua impaciência para ler (literatura) pela carreira que ela trilha ou por seu emprego e a repudiamos por isso, podemos eventualmente concordar com ela, achar a justificativa engraçada ou até mesmo (re)acender nela o gosto de ler. Certas vezes, somos impedidos pela primeira impressão a avançar e estabelecer uma amizade. Outras vezes, ela nos convida a descobrir mais. Dou um outro exemplo: você conhece uma pessoa muito engraçada que anima a todos quando está presente. Depois de se tornar mais próximo da pessoa, descobre que o excesso de fanfarronice a impede de levar os outros e a si a sério, atravancando também suas conquistas, e aquela valorização anterior da graça, de repente, perde um naco de sua santidade. Ambos os exemplos partem de um primeiro momento em que visualizamos um princípio vigente em alguém, mas que ainda não sabemos como exatamente ele estrutura a vida daquela pessoa, como mantém suas relações com outras pessoas, como alimenta seus planos e realizações, como justifica seus gostos e atitudes etc.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23069912-7309985832945326238?l=acidabrancura.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://acidabrancura.blogspot.com/feeds/7309985832945326238/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23069912&amp;postID=7309985832945326238&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23069912/posts/default/7309985832945326238'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23069912/posts/default/7309985832945326238'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://acidabrancura.blogspot.com/2010/03/conversa.html' title='Conversa'/><author><name>André Lira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05596118036306451188</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_jG0L32jYfC8/S7L44h7_oGI/AAAAAAAAAEQ/GQsX9UMOIAo/S220/DSC03111.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23069912.post-8739020488446384845</id><published>2010-03-16T05:16:00.002-03:00</published><updated>2010-03-16T05:30:31.332-03:00</updated><title type='text'>Procura da poesia</title><content type='html'>No serviço &lt;span style="font-style: italic;"&gt;freelance&lt;/span&gt; de revisão, tenho lidado com muitos, mas muitos poemas e romances pouco satisfatórios. É até muito difícil de revisá-los, porque por vezes tenho que renunciar e compreender que não posso nem conseguirei modificar profundamente tais obras, apenas fazer o acabamento "gramatical" da revisão. Pensando sobre isso, faço algo também (como o &lt;a href="http://acidabrancura.blogspot.com/2010/02/escolhas.html"&gt;último post&lt;/a&gt;) fora do meu costume e ponho aqui o conhecido poema de Drummond "Procura da poesia". O percurso de todos na escrita é mutante e cheio de aventuras e creio que cada poema que nos capte instala uma nova vereda. O poema abaixo também continua a resguardar o desafio da palavra; mas poucos em língua portuguesa ficaram marcados como esse na incisividade do desafio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=";font-family:Arial, Helvetica, sans-serif;font-size:85%;"  &gt;&lt;br /&gt;Não      faças versos sobre acontecimentos.&lt;br /&gt;    Não há criação nem morte perante a poesia.&lt;br /&gt;    Diante dela, a vida é um sol estático,&lt;br /&gt;    não aquece nem ilumina.&lt;br /&gt;    As afinidades, os aniversários, os incidentes pessoais não contam.&lt;br /&gt;    Não faças poesia com o corpo,&lt;br /&gt;    esse excelente, completo e confortável corpo, tão infenso à      efusão lírica.&lt;/span&gt;   &lt;p&gt;&lt;span style="font-family:Arial, Helvetica, sans-serif;font-size:85%;"&gt;Tua gota de  bile, tua      careta de gozo ou de dor no escuro&lt;br /&gt;    são indiferentes.&lt;br /&gt;    Nem me reveles teus sentimentos,&lt;br /&gt;    que se prevalecem do equívoco e tentam a longa viagem.&lt;br /&gt;    O que pensas e sentes, isso ainda não é poesia.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p&gt;&lt;span style="font-family:Arial, Helvetica, sans-serif;font-size:85%;"&gt;Não cantes tua      cidade, deixa-a em paz.&lt;br /&gt;    O canto não é o movimento das máquinas nem o segredo      das casas.&lt;br /&gt;    Não é música ouvida de passagem, rumor do mar nas ruas      junto à linha de espuma.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p&gt;&lt;span style="font-family:Arial, Helvetica, sans-serif;font-size:85%;"&gt;O canto não é      a natureza&lt;br /&gt;    nem os homens em sociedade.&lt;br /&gt;    Para ele, chuva e noite, fadiga e esperança nada significam.&lt;br /&gt;    A poesia (não tires poesia das coisas)&lt;br /&gt;    elide sujeito e objeto.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p&gt;&lt;span style="font-family:Arial, Helvetica, sans-serif;font-size:85%;"&gt;Não dramatizes,      não invoques,&lt;br /&gt;    não indagues. Não percas tempo em mentir.&lt;br /&gt;    Não te aborreças.&lt;br /&gt;    Teu iate de marfim, teu sapato de diamante,&lt;br /&gt;    vossas mazurcas e abusões, vossos esqueletos de família&lt;br /&gt;    desaparecem na curva do tempo, é algo imprestável.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p&gt;&lt;span style="font-family:Arial, Helvetica, sans-serif;font-size:85%;"&gt;Não recomponhas&lt;br /&gt;    tua sepultada e merencória infância.&lt;br /&gt;    Não osciles entre o espelho e a&lt;br /&gt;    memória em dissipação.&lt;br /&gt;    Que se dissipou, não era poesia.&lt;br /&gt;    Que se partiu, cristal não era.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p&gt;&lt;span style="font-family:Arial, Helvetica, sans-serif;font-size:85%;"&gt;Penetra  surdamente no      reino das palavras.&lt;br /&gt;    Lá estão os poemas que esperam ser escritos.&lt;br /&gt;    Estão paralisados, mas não há desespero,&lt;br /&gt;    há calma e frescura na superfície intata.&lt;br /&gt;    Ei-los sós e mudos, em estado de dicionário.&lt;br /&gt;    Convive com teus poemas, antes de escrevê-los.&lt;br /&gt;    Tem paciência se obscuros. Calma, se te provocam.&lt;br /&gt;    Espera que cada um se realize e consume&lt;br /&gt;    com seu poder de palavra&lt;br /&gt;    e seu poder de silêncio.&lt;br /&gt;    Não forces o poema a desprender-se do limbo.&lt;br /&gt;    Não colhas no chão o poema que se perdeu.&lt;br /&gt;    Não adules o poema. Aceita-o&lt;br /&gt;    como ele aceitará sua forma definitiva e concentrada&lt;br /&gt;    no espaço.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p&gt;&lt;span style="font-family:Arial, Helvetica, sans-serif;font-size:85%;"&gt;Chega mais perto  e contempla      as palavras.&lt;br /&gt;    Cada uma&lt;br /&gt;    tem mil faces secretas sob a face neutra&lt;br /&gt;    e te pergunta, sem interesse pela resposta,&lt;br /&gt;    pobre ou terrível, que lhe deres:&lt;br /&gt;    Trouxeste a chave?&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p&gt;&lt;span style="font-family:Arial, Helvetica, sans-serif;font-size:85%;"&gt;Repara:&lt;br /&gt;    ermas de melodia e conceito&lt;br /&gt;    elas se refugiaram na noite, as palavras.&lt;br /&gt;    Ainda úmidas e impregnadas de sono,&lt;br /&gt;    rolam num rio difícil e se transformam em desprezo.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23069912-8739020488446384845?l=acidabrancura.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://acidabrancura.blogspot.com/feeds/8739020488446384845/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23069912&amp;postID=8739020488446384845&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23069912/posts/default/8739020488446384845'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23069912/posts/default/8739020488446384845'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://acidabrancura.blogspot.com/2010/03/procura-da-poesia.html' title='Procura da poesia'/><author><name>André Lira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05596118036306451188</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_jG0L32jYfC8/S7L44h7_oGI/AAAAAAAAAEQ/GQsX9UMOIAo/S220/DSC03111.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23069912.post-7774956460974735323</id><published>2010-02-03T17:09:00.002-02:00</published><updated>2010-02-03T18:43:17.516-02:00</updated><title type='text'>Escolhas</title><content type='html'>Vou aceitar a sugestão do blog do &lt;a href="http://narodadohamster.blogspot.com/"&gt;Jun&lt;/a&gt; e fazer um &lt;span style="font-style: italic;"&gt;post&lt;/span&gt; confessional.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É irônico pensar isso hoje em dia, mas houve uma época em que queria ser médico. Desde sempre fui puxado para dentro (e empurrado, também, pelos meus pais) do mundo dos remédios alo e homeopáticos, dos exames, das bulas e recomendações. Mundo de branco, de esterilização, analgésicos e relativa tranquilidade, até que alguém muito doente rompesse o silêncio com seus gritos de agonia. Os nexos desse mundo especial são os médicos.&lt;br /&gt;Pela minha alergia dermatológica e pela rinite, pelos dias de vergonha, desespero, ardência e perda total de esperança, pensei que estivesse sensibilizado para ser um médico. "O essencial é a sensibilidade", eu poderia declamar então, me considerando não só apto, mas em vantagem, pela minha experiência pessoal. Sabia o que era estar nas filas de espera, estar do outro lado da mesa olhando para o médico, esperando anunciarem uma descoberta que escapou aos olhos dos anteriores. E a angústia crescente diante da realização de que o meu conhecimento farmacológico ia se expandindo, vendo muitas vezes repetições. Um médico dizia e passava o que o outro já tinha recomendado, fazendo, no máximo, algumas adaptações. Em algumas ocasiões, vinha com algum creme ou loção novos, caríssimos, mas em que ele confiava muito. Eu agradecia a todo o cosmo e comprava o remédio, para perceber pouco tempo depois que era mais um cosmético que nada fazia além de não piorar a minha alergia (mas também não fazia melhorar).&lt;br /&gt;No finalzinho da adolescência, compreendi o quanto não gostava de tudo isso. Claro, quem gostaria? Quer dizer, aos meus olhos, parecia um pouco ridículo: os médicos seguiam uma determinada cartilha (no meu caso, queria dizer antialérgicos + cortisona tópica + cortisona oral e, no caso de alergistas, vacinas), mas ao mesmo tempo adoravam criticar o trabalho do outro, dizendo que tal médico diagnosticou mal, que tratou inadequadamente, que tal laboratório é ruim e só confia em um deles. Como seria estudar e trabalhar nesse meio? Talvez das coisas que mais me incomodava era quando um médico não ouvia ou parecia não ouvir o que dizia. Eu fazia todo um esforço interpretativo, tentando apresentar os acontecimentos da melhor forma, ansiando para ter minhas dúvidas dissipadas e ser tranquilizado. Em vez disso e sem nenhuma apreciação, o médico dava, austeramente, sua opinião, o que eu deveria fazer e evitar e quando voltar no consultório. Qualquer explicação – que eu precisava – era arrancada dele à troca de mais alguns minutos de contemplação daquele rosto inabalável, que parecia estar vendo e lidando com algo muito pouco digno de nota. Sim, você está ali, pois falar do que incomoda e de suas enfermidades exige certo cuidado e intimidade. Mas, sem aviso, é transformado em coisa, no paciente das 15:30.&lt;br /&gt;No que esse quadro se desenhava para mim, via que não tinha tanto a ver com a profissão quanto pensava – ou que, para fazer dela a minha cara, exigiria muito de mim. A autocobrança seria jogada nos céus, na tentativa de ser o melhor médico do mundo, para que nenhuma pessoa que tratasse fosse jogada na mesma teia em que eu havia sido, para que não depositasse a esperança (e o dinheiro) em mim em vão. Para que eu conseguisse ser próximo das pessoas sem ser consumido pela culpa de não poder, saber ou conseguir ajudá-las. Para que eu também pudesse ajudar aos meus colegas (e eles me ajudarem) a não cometer erros. Para que, se eu ainda não estivesse curado (ou melhor, ao menos), conseguisse curar a mim mesmo, mostrando aos outros médicos como precisei me tornar médico para resolver meu problema.&lt;br /&gt;Não sei se, no meio disso tudo, seria feliz.&lt;br /&gt;Atualmente, ainda estou na mesma luta, mesmo que tendo me decidido por professor – o que rende sem dúvida outro post. Agora quico de gastro em gastro e otorrino em otorrino, além de dermato em dermato e alergista em alergista. É a indicação dos amigos, dos familiares, de outros médicos, de outras fontes. Sempre renegando o presente, na esperança do amanhã sem moléstia. E nunca se põe um horizonte concreto, nunca se realiza esse processo de melhora, de redenção. Apenas tento esbarrar no graal, tateando. Não é que desejasse um caminho cristalino e seguro para a estabilidade, porém queria um pouco mais de tranquilidade, sem jogar tudo para o alto de um dia para outro, sem me redefinir a cada minuto, menos fio da navalha. Queria enxergar a melhora, ver os esforços meus e dos tratamentos se realizando.&lt;br /&gt;Talvez essa seja uma luta similar de todos os alérgicos. Sei que a minha não é comum nem branda, ainda assim também tenho direito a acreditar. Direito a crer nas minhas possibilidades e em suas edificações. Se for esse o caso, deixo aqui o meu registro para outros lerem e se sentirem (se o texto permitir) irmanados.&lt;br /&gt;Mesmo na mesma luta, mesmo o meu incômodo com a alergia continuando, ao menos não mais deixo de sair de casa (só em casos realmente extremos), nem de sorrir, nem de fazer as coisas que preciso fazer. É claro que não vou pular de alegria se alguém quiser tirar uma foto, ou quando alguém estranhar a minha cor irregular ou o meu pigarro. Sim, há momentos de melhora e de piora, e os meus quatro anos de graduação me deram uma falsa impressão de que finalmente tinham dado frutos os anos meus e dos meus pais torcendo pela minha melhora. Saíra do quadro de crise e não tinha mais nenhum eczema visível ou, ao menos, significativo. Pouco tempo depois, ela voltou a se instalar lentamente e sem remorso. Quando a sua pele coça e você começa a pegar coisas na sua frente para alimentar o desejo de coçar... Quando isso se torna um hábito, além do dano atestado, torna-se crônico (e desesperador).&lt;br /&gt;Sem saber muito bem o que fazer nem o que esperar, continuo tentando.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23069912-7774956460974735323?l=acidabrancura.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://acidabrancura.blogspot.com/feeds/7774956460974735323/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23069912&amp;postID=7774956460974735323&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23069912/posts/default/7774956460974735323'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23069912/posts/default/7774956460974735323'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://acidabrancura.blogspot.com/2010/02/escolhas.html' title='Escolhas'/><author><name>André Lira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05596118036306451188</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_jG0L32jYfC8/S7L44h7_oGI/AAAAAAAAAEQ/GQsX9UMOIAo/S220/DSC03111.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23069912.post-3488839792315452038</id><published>2009-11-23T17:50:00.002-02:00</published><updated>2009-11-23T18:10:13.130-02:00</updated><title type='text'>Noam Chomsky</title><content type='html'>O site &lt;a href="www.chomsky.info"&gt;www.chomsky.info&lt;/a&gt; traz muito material interessante do e sobre Noam Chomsky. Desse acervo gigantesco, recomendo a leitura de "The Soviet Union Versus Socialism", de 1986, (&lt;a href="http://www.chomsky.info/articles/1986----.htm"&gt;aqui&lt;/a&gt;). Trata-se de um ótimo ensaio discutindo como o Estado soviético minou a possibilidade do autêntico socialismo desde os princípios da revolução de 1917 e como, no fundo, em muito se assemelhava aos Estados capitalistas. É angustiante perceber como tantas opressões são levadas a cabo em nome da liberdade e da justiça! Só faria a seguintes ementa ao ensaio: discordo quanto à tese de que é a razão que liberta o homem. Claro que é uma tese central e recorrente em muitos dos teóricos, mas ainda assim deve-se ser ressaltada. Além daquela ementa, acresceria como o domínio e influxo da ciência e da economia também são pontos de contato e ancestralidade entre o Estado soviético e os Estados capitalistas. Por tais influxos, mantém-se uma mesma visão a respeito do homem e do real, tornando a mudança de sistema político uma reorganização burocrática.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23069912-3488839792315452038?l=acidabrancura.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://acidabrancura.blogspot.com/feeds/3488839792315452038/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23069912&amp;postID=3488839792315452038&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23069912/posts/default/3488839792315452038'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23069912/posts/default/3488839792315452038'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://acidabrancura.blogspot.com/2009/11/noam-chomsky.html' title='Noam Chomsky'/><author><name>André Lira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05596118036306451188</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_jG0L32jYfC8/S7L44h7_oGI/AAAAAAAAAEQ/GQsX9UMOIAo/S220/DSC03111.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23069912.post-5395155254746752677</id><published>2009-11-09T22:34:00.005-02:00</published><updated>2009-11-09T22:38:03.366-02:00</updated><title type='text'>Concurso</title><content type='html'>Eba! Meus poemas foram pré-selecionados no 8º Concurso Literário Guemanisse de Contos e Poesias. Que eu continue tendo sorte!&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_jG0L32jYfC8/Svi1VArnfgI/AAAAAAAAADc/u-GiMFQg0xE/s1600-h/poemas.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 320px; height: 256px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_jG0L32jYfC8/Svi1VArnfgI/AAAAAAAAADc/u-GiMFQg0xE/s320/poemas.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5402267125595733506" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23069912-5395155254746752677?l=acidabrancura.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://acidabrancura.blogspot.com/feeds/5395155254746752677/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23069912&amp;postID=5395155254746752677&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23069912/posts/default/5395155254746752677'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23069912/posts/default/5395155254746752677'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://acidabrancura.blogspot.com/2009/11/concurso.html' title='Concurso'/><author><name>André Lira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05596118036306451188</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_jG0L32jYfC8/S7L44h7_oGI/AAAAAAAAAEQ/GQsX9UMOIAo/S220/DSC03111.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_jG0L32jYfC8/Svi1VArnfgI/AAAAAAAAADc/u-GiMFQg0xE/s72-c/poemas.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23069912.post-5704015890459909908</id><published>2009-10-27T10:59:00.007-02:00</published><updated>2009-10-27T11:15:03.523-02:00</updated><title type='text'>A construção do verme</title><content type='html'>&lt;o:smarttagtype namespaceuri="schemas-houaiss/mini" name="verbetes"&gt;&lt;/o:smarttagtype&gt;&lt;o:smarttagtype namespaceuri="schemas-houaiss/acao" name="hm"&gt;&lt;/o:smarttagtype&gt;&lt;o:smarttagtype namespaceuri="schemas-houaiss/acao" name="dm"&gt;&lt;/o:smarttagtype&gt;&lt;o:smarttagtype namespaceuri="schemas-houaiss/acao" name="hdm"&gt;&lt;/o:smarttagtype&gt;&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt; 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line-height: 150%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt; line-height: 150%;"&gt;E desconhece a &lt;st1:verbetes st="on"&gt;divina&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st2:dm st="on"&gt;retidão&lt;/st2:dm&gt;,&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt; line-height: 150%;"&gt;&lt;st2:dm st="on"&gt;pois&lt;/st2:dm&gt; no &lt;st1:verbetes st="on"&gt;corpo&lt;/st1:verbetes&gt; uma &lt;st1:verbetes st="on"&gt;parte&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes st="on"&gt;dança&lt;/st1:verbetes&gt; a &lt;st1:verbetes st="on"&gt;outra&lt;/st1:verbetes&gt;.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt; line-height: 150%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt; line-height: 150%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: 150%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: 150%;"&gt;No &lt;st1:verbetes st="on"&gt;barro&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes st="on"&gt;ou&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes st="on"&gt;fora&lt;/st1:verbetes&gt;, é &lt;st1:verbetes st="on"&gt;inconstante&lt;/st1:verbetes&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: 150%;"&gt;&lt;st1:verbetes st="on"&gt;testemunha&lt;/st1:verbetes&gt;, vai &lt;st1:verbetes st="on"&gt;sempre&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes st="on"&gt;adiante&lt;/st1:verbetes&gt;.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="line-height: 150%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="line-height: 150%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-left: 35.4pt; line-height: 150%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-left: 35.4pt; line-height: 150%;"&gt;E o &lt;st1:verbetes st="on"&gt;passado&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes st="on"&gt;que&lt;/st1:verbetes&gt; o &lt;st1:verbetes st="on"&gt;deixa&lt;/st1:verbetes&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt; line-height: 150%;"&gt;&lt;st1:verbetes st="on"&gt;Nem&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes st="on"&gt;mesmo&lt;/st1:verbetes&gt; é &lt;st1:verbetes st="on"&gt;seu&lt;/st1:verbetes&gt;. Invade-o&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt; line-height: 150%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt; line-height: 150%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: 150%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: 150%;"&gt;toda &lt;st2:dm st="on"&gt;terra&lt;/st2:dm&gt;, &lt;st1:verbetes st="on"&gt;todo&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st2:dm st="on"&gt;germe&lt;/st2:dm&gt;,&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: 150%;"&gt;presente áureo dos &lt;st1:verbetes st="on"&gt;ciprestes&lt;/st1:verbetes&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="line-height: 150%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;st1:verbetes st="on"&gt;&lt;/st1:verbetes&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="line-height: 150%;"&gt;&lt;st1:verbetes st="on"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/st1:verbetes&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt; line-height: 150%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt; line-height: 150%;"&gt;e &lt;st1:verbetes st="on"&gt;ele&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes st="on"&gt;com&lt;/st1:verbetes&gt; a &lt;st1:verbetes st="on"&gt;única&lt;/st1:verbetes&gt; escolha&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt; line-height: 150%;"&gt;de &lt;st2:hm st="on"&gt;partir&lt;/st2:hm&gt;, &lt;st2:hm st="on"&gt;torcer&lt;/st2:hm&gt;, &lt;st2:hm st="on"&gt;girar&lt;/st2:hm&gt;.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt; line-height: 150%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt; line-height: 150%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: 150%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: 150%;"&gt;Os &lt;st1:verbetes st="on"&gt;biólogos&lt;/st1:verbetes&gt; crerão &lt;st1:verbetes st="on"&gt;natural&lt;/st1:verbetes&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: 150%;"&gt;o &lt;st2:dm st="on"&gt;subterrâneo&lt;/st2:dm&gt; adubado e pronto.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="line-height: 150%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="line-height: 150%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: 150%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.45pt; line-height: 150%;"&gt;E é &lt;st1:verbetes st="on"&gt;assim&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes st="on"&gt;que&lt;/st1:verbetes&gt; se faz. &lt;st1:verbetes st="on"&gt;Mas&lt;/st1:verbetes&gt;,&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.45pt; line-height: 150%;"&gt;na &lt;st2:dm st="on"&gt;realidade&lt;/st2:dm&gt;, está &lt;st3:sinonimos st="on"&gt;preocupado&lt;/st3:sinonimos&gt;.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.45pt; line-height: 150%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.45pt; line-height: 150%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: 150%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: 150%;"&gt;Desde a &lt;st1:verbetes st="on"&gt;tangente&lt;/st1:verbetes&gt; do &lt;st1:verbetes st="on"&gt;anel&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes st="on"&gt;até&lt;/st1:verbetes&gt; o &lt;st1:verbetes st="on"&gt;céu&lt;/st1:verbetes&gt;,&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: 150%;"&gt;a &lt;st2:dm st="on"&gt;angústia&lt;/st2:dm&gt; &lt;st1:verbetes st="on"&gt;natural&lt;/st1:verbetes&gt; de &lt;st1:verbetes st="on"&gt;quem&lt;/st1:verbetes&gt; sabe.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="line-height: 150%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="line-height: 150%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt; line-height: 150%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;“E se &lt;st1:verbetes st="on"&gt;em&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes st="on"&gt;paralelo&lt;/st1:verbetes&gt; surge &lt;st1:verbetes st="on"&gt;um&lt;/st1:verbetes&gt; sol&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt; line-height: 150%;"&gt;irmão ao &lt;st1:verbetes st="on"&gt;outro&lt;/st1:verbetes&gt;, &lt;st1:verbetes st="on"&gt;determinado&lt;/st1:verbetes&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt; line-height: 150%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;st1:verbetes st="on"&gt;&lt;/st1:verbetes&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt; line-height: 150%;"&gt;&lt;st1:verbetes st="on"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/st1:verbetes&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: 150%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: 150%;"&gt;a se &lt;st2:hdm st="on"&gt;juntar&lt;/st2:hdm&gt; à &lt;st1:verbetes st="on"&gt;quadrilha&lt;/st1:verbetes&gt; do &lt;st1:verbetes st="on"&gt;cosmo&lt;/st1:verbetes&gt;,&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: 150%;"&gt;iluminando os &lt;st1:verbetes st="on"&gt;vãos&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes st="on"&gt;fundos&lt;/st1:verbetes&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="line-height: 150%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;st1:verbetes st="on"&gt;&lt;/st1:verbetes&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="line-height: 150%;"&gt;&lt;st1:verbetes st="on"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/st1:verbetes&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt; line-height: 150%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt; line-height: 150%;"&gt;e conquistados de &lt;st1:verbetes st="on"&gt;minha&lt;/st1:verbetes&gt; casa?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt; line-height: 150%;"&gt;Será &lt;st1:verbetes st="on"&gt;que&lt;/st1:verbetes&gt; errei? Será &lt;st1:verbetes st="on"&gt;que&lt;/st1:verbetes&gt; serei?&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt; line-height: 150%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt; line-height: 150%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: 150%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: 150%;"&gt;Pois o &lt;st1:verbetes st="on"&gt;que&lt;/st1:verbetes&gt; será &lt;st1:verbetes st="on"&gt;um&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes st="on"&gt;futuro&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes st="on"&gt;cheio&lt;/st1:verbetes&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: 150%;"&gt;de &lt;st1:verbetes st="on"&gt;luz&lt;/st1:verbetes&gt;? Vendo &lt;st1:verbetes st="on"&gt;não&lt;/st1:verbetes&gt; vejo,&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="line-height: 150%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="line-height: 150%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt; line-height: 150%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt; line-height: 150%;"&gt;e &lt;st1:verbetes st="on"&gt;sem&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes st="on"&gt;lugar&lt;/st1:verbetes&gt; a se &lt;st2:hdm st="on"&gt;ganhar&lt;/st2:hdm&gt;, &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.45pt; line-height: 150%;"&gt;nota &lt;st1:verbetes st="on"&gt;obscura&lt;/st1:verbetes&gt; do &lt;st2:dm st="on"&gt;destino&lt;/st2:dm&gt;,&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.45pt; line-height: 150%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.45pt; line-height: 150%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: 150%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: 150%;"&gt;vaguearia &lt;st1:verbetes st="on"&gt;finito&lt;/st1:verbetes&gt; e terminado.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="line-height: 150%;"&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="line-height: 150%;"&gt;Compadeço dos &lt;st1:verbetes st="on"&gt;colegas&lt;/st1:verbetes&gt; viris&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="line-height: 150%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="line-height: 150%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt; line-height: 150%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt; line-height: 150%;"&gt;e &lt;st1:verbetes st="on"&gt;marciais&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes st="on"&gt;que&lt;/st1:verbetes&gt; do &lt;st1:verbetes st="on"&gt;vazio&lt;/st1:verbetes&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.45pt; line-height: 150%;"&gt;negam a &lt;st1:verbetes st="on"&gt;herança&lt;/st1:verbetes&gt; e &lt;st1:verbetes st="on"&gt;estância&lt;/st1:verbetes&gt;.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.45pt; line-height: 150%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.45pt; line-height: 150%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: 150%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: 150%;"&gt;Eis o &lt;st1:verbetes st="on"&gt;fim&lt;/st1:verbetes&gt; do &lt;st1:verbetes st="on"&gt;mundo&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st2:dm st="on"&gt;pelo&lt;/st2:dm&gt; &lt;st1:verbetes st="on"&gt;excesso&lt;/st1:verbetes&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: 150%;"&gt;de &lt;st1:verbetes st="on"&gt;voz&lt;/st1:verbetes&gt;, de &lt;st1:verbetes st="on"&gt;brilho&lt;/st1:verbetes&gt;, de &lt;st1:verbetes st="on"&gt;olhos&lt;/st1:verbetes&gt;.”&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="line-height: 150%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="line-height: 150%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: 150%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt; line-height: 150%;"&gt;E imaginando &lt;st1:verbetes st="on"&gt;mundo&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes st="on"&gt;mor&lt;/st1:verbetes&gt;­to&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.45pt; line-height: 150%;"&gt;também pensou &lt;st1:verbetes st="on"&gt;sem&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes st="on"&gt;lógica&lt;/st1:verbetes&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.45pt; line-height: 150%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;st1:verbetes st="on"&gt;&lt;/st1:verbetes&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.45pt; line-height: 150%;"&gt;&lt;st1:verbetes st="on"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/st1:verbetes&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: 150%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: 150%;"&gt;na explos­ão do &lt;st1:verbetes st="on"&gt;verbo&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes st="on"&gt;nome&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes st="on"&gt;que&lt;/st1:verbetes&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: 150%;"&gt;carrega, querendo &lt;st2:hm st="on"&gt;ser&lt;/st2:hm&gt; &lt;st1:verbetes st="on"&gt;livre&lt;/st1:verbetes&gt;.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="line-height: 150%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="line-height: 150%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt; line-height: 150%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;“E &lt;st1:verbetes st="on"&gt;assim&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes st="on"&gt;me&lt;/st1:verbetes&gt; restituiria o &lt;st1:verbetes st="on"&gt;caso&lt;/st1:verbetes&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.45pt; line-height: 150%;"&gt;a &lt;st1:verbetes st="on"&gt;longa&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st2:dm st="on"&gt;disposição&lt;/st2:dm&gt; &lt;st1:verbetes st="on"&gt;bailarina&lt;/st1:verbetes&gt;,&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.45pt; line-height: 150%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.45pt; line-height: 150%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: 150%;"&gt;que encobre a ideia de &lt;st1:verbetes st="on"&gt;um&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes st="on"&gt;apelido&lt;/st1:verbetes&gt;,&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: 150%;"&gt;&lt;st1:verbetes st="on"&gt;já&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes st="on"&gt;que&lt;/st1:verbetes&gt; tenho &lt;st1:verbetes st="on"&gt;que&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st2:hm st="on"&gt;continuar&lt;/st2:hm&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="line-height: 150%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;st2:hm st="on"&gt;&lt;/st2:hm&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="line-height: 150%;"&gt;&lt;st2:hm st="on"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/st2:hm&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt; line-height: 150%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt; line-height: 150%;"&gt;e &lt;st1:verbetes st="on"&gt;não&lt;/st1:verbetes&gt; posso &lt;st2:hm st="on"&gt;parar&lt;/st2:hm&gt; num &lt;st1:verbetes st="on"&gt;nome&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes st="on"&gt;meu&lt;/st1:verbetes&gt;,&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.45pt; line-height: 150%;"&gt;mas dançá-los &lt;st1:verbetes st="on"&gt;todos&lt;/st1:verbetes&gt;, &lt;st1:verbetes st="on"&gt;vários&lt;/st1:verbetes&gt;.”&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.45pt; line-height: 150%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.45pt; line-height: 150%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: 150%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: 150%;"&gt;Na &lt;st2:dm st="on"&gt;verdade&lt;/st2:dm&gt; o &lt;st1:verbetes st="on"&gt;verme&lt;/st1:verbetes&gt; é &lt;st1:verbetes st="on"&gt;Deus&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes st="on"&gt;vivo&lt;/st1:verbetes&gt;,&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: 150%;"&gt;&lt;st1:verbetes st="on"&gt;como&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes st="on"&gt;Saturno&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes st="on"&gt;em&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes st="on"&gt;seus&lt;/st1:verbetes&gt; anéis,&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="line-height: 150%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="line-height: 150%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt; line-height: 150%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt; line-height: 150%;"&gt;e se esgueira do &lt;st1:verbetes st="on"&gt;abismo&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes st="on"&gt;um&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes st="on"&gt;minuto&lt;/st1:verbetes&gt;,&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.45pt; line-height: 150%;"&gt;espiando a &lt;st1:verbetes st="on"&gt;atividade&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes st="on"&gt;absoluta&lt;/st1:verbetes&gt; dos &lt;st1:verbetes st="on"&gt;corpos&lt;/st1:verbetes&gt;.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.45pt; line-height: 150%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.45pt; line-height: 150%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: 150%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: 150%;"&gt;No &lt;st2:dm st="on"&gt;zelo&lt;/st2:dm&gt; &lt;st2:dm st="on"&gt;excessivo&lt;/st2:dm&gt;, na &lt;st2:dm st="on"&gt;ameaça&lt;/st2:dm&gt; &lt;st2:hm st="on"&gt;solar&lt;/st2:hm&gt;,&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: 150%;"&gt;o &lt;st1:verbetes st="on"&gt;verme&lt;/st1:verbetes&gt; é &lt;st1:verbetes st="on"&gt;quem&lt;/st1:verbetes&gt; vai se &lt;st2:hm st="on"&gt;preocupar&lt;/st2:hm&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: 150%;"&gt;&lt;st1:verbetes st="on"&gt;em&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st2:hm st="on"&gt;manter&lt;/st2:hm&gt; &lt;st2:dm st="on"&gt;rico&lt;/st2:dm&gt;, &lt;st1:verbetes st="on"&gt;úmido&lt;/st1:verbetes&gt; e &lt;st1:verbetes st="on"&gt;escuro&lt;/st1:verbetes&gt;,&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: 150%;"&gt;&lt;st1:verbetes st="on"&gt;um&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes st="on"&gt;simples&lt;/st1:verbetes&gt; e &lt;st1:verbetes st="on"&gt;bom&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes st="on"&gt;futuro&lt;/st1:verbetes&gt;.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23069912-5704015890459909908?l=acidabrancura.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://acidabrancura.blogspot.com/feeds/5704015890459909908/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23069912&amp;postID=5704015890459909908&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23069912/posts/default/5704015890459909908'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23069912/posts/default/5704015890459909908'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://acidabrancura.blogspot.com/2009/10/construcao-do-verme.html' title='A construção do verme'/><author><name>André Lira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05596118036306451188</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_jG0L32jYfC8/S7L44h7_oGI/AAAAAAAAAEQ/GQsX9UMOIAo/S220/DSC03111.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23069912.post-1459147100556231780</id><published>2009-09-16T22:54:00.006-03:00</published><updated>2009-10-13T22:40:22.175-03:00</updated><title type='text'>Dicionário</title><content type='html'>Um esforço coletivo da galera de Poética para fazer um dicionário diferente. Vale a pena conferir!&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.dicpoetica.letras.ufrj.br/"&gt;http://www.dicpoetica.letras.ufrj.br/&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vejam também o &lt;a href="http://www.dicpoetica.letras.ufrj.br/images/8/8a/Convitelancdicpng.PNG"&gt;convite&lt;/a&gt; para o evento de lançamento.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23069912-1459147100556231780?l=acidabrancura.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://acidabrancura.blogspot.com/feeds/1459147100556231780/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23069912&amp;postID=1459147100556231780&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23069912/posts/default/1459147100556231780'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23069912/posts/default/1459147100556231780'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://acidabrancura.blogspot.com/2009/09/dicionario.html' title='Dicionário'/><author><name>André Lira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05596118036306451188</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_jG0L32jYfC8/S7L44h7_oGI/AAAAAAAAAEQ/GQsX9UMOIAo/S220/DSC03111.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23069912.post-6506637714197416904</id><published>2009-08-25T13:52:00.002-03:00</published><updated>2009-08-25T13:56:44.379-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>"Este é o paradoxo do amar, só vigorar na proximidade, mas isto não é uma questão de individualismo e isolamento. É a nossa condição de jamais podermos ser senão o ser que somos e só como proximidade podermos ser o amado.&lt;br /&gt;A proximidade não é negativa, mas a possibilidade máxima de poder afirmar no amar a diferença que é o amado. Amar não é anular, mas afirmar originariamente aquele que sendo me é o mais próximo. Só assim podemos co-habitar na proximidade do coração. Amar é co-habitar o coração. A proximidade é mais do que compreender o outro, é aceitá-lo como o que é e não pode deixar de ser" (1).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Referência:&lt;br /&gt;(1) CASTRO, Manuel Antônio de. "Originário e época / O círculo poético". Internet. Disponível em &lt;a href="http://travessiapoetica.blogspot.com/2009/08/originario-e-epoca-o-circulo-poetico.html"&gt;http://travessiapoetica.blogspot.com/2009/08/originario-e-epoca-o-circulo-poetico.html&lt;/a&gt;. Acessado em 25/08/2009.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23069912-6506637714197416904?l=acidabrancura.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://acidabrancura.blogspot.com/feeds/6506637714197416904/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23069912&amp;postID=6506637714197416904&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23069912/posts/default/6506637714197416904'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23069912/posts/default/6506637714197416904'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://acidabrancura.blogspot.com/2009/08/este-e-o-paradoxo-do-amar-so-vigorar-na.html' title=''/><author><name>André Lira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05596118036306451188</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_jG0L32jYfC8/S7L44h7_oGI/AAAAAAAAAEQ/GQsX9UMOIAo/S220/DSC03111.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23069912.post-5854799210232613933</id><published>2009-05-12T00:05:00.002-03:00</published><updated>2009-05-12T00:07:45.721-03:00</updated><title type='text'>A visão terrífica</title><content type='html'>&lt;o:smarttagtype namespaceuri="schemas-houaiss/verbo" name="infinitivo"&gt;&lt;/o:smarttagtype&gt;&lt;o:smarttagtype namespaceuri="schemas-houaiss/acao" name="dm"&gt;&lt;/o:smarttagtype&gt;&lt;o:smarttagtype namespaceuri="schemas-houaiss/mini" name="verbetes"&gt;&lt;/o:smarttagtype&gt;&lt;o:smarttagtype namespaceuri="schemas-houaiss/acao" name="hm"&gt;&lt;/o:smarttagtype&gt;&lt;o:smarttagtype namespaceuri="schemas-houaiss/acao" name="hdm"&gt;&lt;/o:smarttagtype&gt;&lt;o:smarttagtype namespaceuri="schemas-houaiss/dicionario" name="sinonimos"&gt;&lt;/o:smarttagtype&gt;&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt; 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 &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:14;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:14;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Está &lt;st1:verbetes&gt;dentro&lt;/st1:verbetes&gt; de &lt;st1:verbetes&gt;nós&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes&gt;este&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st2:dm&gt;debate&lt;/st2:dm&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;e possibilidade, de &lt;st1:verbetes&gt;que&lt;/st1:verbetes&gt; falam arfando&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;as &lt;st1:verbetes&gt;costelas&lt;/st1:verbetes&gt;. Guardam &lt;st1:verbetes&gt;fundo&lt;/st1:verbetes&gt;, &lt;st1:verbetes&gt;vates&lt;/st1:verbetes&gt;,&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;os &lt;st1:verbetes&gt;ocasos&lt;/st1:verbetes&gt; de &lt;st1:verbetes&gt;que&lt;/st1:verbetes&gt; a &lt;st2:dm&gt;Fama&lt;/st2:dm&gt; &lt;st1:verbetes&gt;gosta&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes&gt;tanto&lt;/st1:verbetes&gt;.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;st1:verbetes&gt;Longitudinal&lt;/st1:verbetes&gt;, &lt;st1:verbetes&gt;espelho&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes&gt;sem&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes&gt;brilho&lt;/st1:verbetes&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;e &lt;st1:verbetes&gt;quase&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes&gt;sem&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes&gt;essência&lt;/st1:verbetes&gt;, amaldiçoo-te&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;st1:verbetes&gt;pela&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st2:dm&gt;teimosia&lt;/st2:dm&gt; &lt;st2:hdm&gt;tumular&lt;/st2:hdm&gt;. &lt;st1:verbetes&gt;Pouco&lt;/st1:verbetes&gt; de &lt;st1:verbetes&gt;Paraíso&lt;/st1:verbetes&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;tens; &lt;st1:verbetes&gt;apenas&lt;/st1:verbetes&gt; o &lt;st1:verbetes&gt;que&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes&gt;Deus&lt;/st1:verbetes&gt; de ti criou&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;foi a &lt;st1:verbetes&gt;sentença&lt;/st1:verbetes&gt; do &lt;st1:verbetes&gt;abismo&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes&gt;generoso&lt;/st1:verbetes&gt;.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;st2:dm&gt;&lt;br /&gt;&lt;/st2:dm&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;st2:dm&gt;Pois&lt;/st2:dm&gt; &lt;st1:verbetes&gt;não&lt;/st1:verbetes&gt; é &lt;st1:verbetes&gt;sem&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes&gt;outra&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes&gt;vista&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes&gt;que&lt;/st1:verbetes&gt; o &lt;st1:verbetes&gt;verso&lt;/st1:verbetes&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;st1:verbetes&gt;escuta&lt;/st1:verbetes&gt; o &lt;st4:infinitivo&gt;costelar&lt;/st4:infinitivo&gt;. Cai no &lt;st1:verbetes&gt;pesadelo&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes&gt;pleno&lt;/st1:verbetes&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;de &lt;st1:verbetes&gt;todo&lt;/st1:verbetes&gt; o &lt;st1:verbetes&gt;tempo&lt;/st1:verbetes&gt;; &lt;st1:verbetes&gt;homem&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes&gt;algum&lt;/st1:verbetes&gt; o conhece,&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;st1:verbetes&gt;mas&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes&gt;sempre&lt;/st1:verbetes&gt; o habita no &lt;st1:verbetes&gt;corpo&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes&gt;perene&lt;/st1:verbetes&gt;.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Impõe essa &lt;st1:verbetes&gt;poética&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes&gt;que&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes&gt;passa&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes&gt;pela&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes&gt;pele&lt;/st1:verbetes&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;st1:verbetes&gt;em&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st2:dm&gt;forma&lt;/st2:dm&gt; de &lt;st1:verbetes&gt;não&lt;/st1:verbetes&gt; e &lt;st1:verbetes&gt;ansiosa&lt;/st1:verbetes&gt; de &lt;st1:verbetes&gt;desfecho&lt;/st1:verbetes&gt;.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;st1:verbetes&gt;&lt;br /&gt;&lt;/st1:verbetes&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;st1:verbetes&gt;Ele&lt;/st1:verbetes&gt; está cantando o atropelamento&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;repetido, &lt;st1:verbetes&gt;que&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes&gt;nos&lt;/st1:verbetes&gt; embaralha da &lt;st2:dm&gt;forma&lt;/st2:dm&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;errada e &lt;st1:verbetes&gt;nos&lt;/st1:verbetes&gt; machuca o &lt;st1:verbetes&gt;sangue&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes&gt;bento&lt;/st1:verbetes&gt;.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;st1:verbetes&gt;&lt;br /&gt;&lt;/st1:verbetes&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;st1:verbetes&gt;Ele&lt;/st1:verbetes&gt; está cantando a &lt;st2:dm&gt;angústia&lt;/st2:dm&gt; da &lt;st1:verbetes&gt;vida&lt;/st1:verbetes&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;st1:verbetes&gt;futura&lt;/st1:verbetes&gt;, &lt;st1:verbetes&gt;que&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes&gt;não&lt;/st1:verbetes&gt; foi, &lt;st1:verbetes&gt;mas&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes&gt;ainda&lt;/st1:verbetes&gt; pode &lt;st2:hdm&gt;ter&lt;/st2:hdm&gt; sido.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;A &lt;st1:verbetes&gt;carne&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes&gt;erma&lt;/st1:verbetes&gt; do &lt;st1:verbetes&gt;espírito&lt;/st1:verbetes&gt;, abandonada,&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;vindo &lt;st2:hm&gt;contar&lt;/st2:hm&gt;, &lt;st1:verbetes&gt;seca&lt;/st1:verbetes&gt;, a &lt;st1:verbetes&gt;senda&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes&gt;inexplorada&lt;/st1:verbetes&gt;.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;st1:verbetes&gt;&lt;br /&gt;&lt;/st1:verbetes&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;st1:verbetes&gt;Ele&lt;/st1:verbetes&gt; está cantando a &lt;st1:verbetes&gt;artéria&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes&gt;em&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes&gt;trânsito&lt;/st1:verbetes&gt;,&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;st1:verbetes&gt;termodinâmica&lt;/st1:verbetes&gt;, tocando &lt;st1:verbetes&gt;em&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st2:dm&gt;frêmito&lt;/st2:dm&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;os &lt;st1:verbetes&gt;homens&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes&gt;meio&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes&gt;cheios&lt;/st1:verbetes&gt; de &lt;st1:verbetes&gt;doenças&lt;/st1:verbetes&gt;,&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;st1:verbetes&gt;sem&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes&gt;paz&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes&gt;que&lt;/st1:verbetes&gt; ao &lt;st1:verbetes&gt;coração&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st3:sinonimos&gt;pertença&lt;/st3:sinonimos&gt;.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;st1:verbetes&gt;&lt;br /&gt;&lt;/st1:verbetes&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;st1:verbetes&gt;Ele&lt;/st1:verbetes&gt; está cantando a &lt;st1:verbetes&gt;virtude&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes&gt;noturna&lt;/st1:verbetes&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;st1:verbetes&gt;que&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes&gt;mora&lt;/st1:verbetes&gt; no &lt;st1:verbetes&gt;eco&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes&gt;surdo&lt;/st1:verbetes&gt; dos &lt;st1:verbetes&gt;discursos&lt;/st1:verbetes&gt;.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Sofre a &lt;st1:verbetes&gt;longa&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes&gt;diferença&lt;/st1:verbetes&gt; da &lt;st1:verbetes&gt;política&lt;/st1:verbetes&gt;,&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;st2:dm&gt;bem&lt;/st2:dm&gt; &lt;st1:verbetes&gt;lógica&lt;/st1:verbetes&gt;, &lt;st1:verbetes&gt;analgésica&lt;/st1:verbetes&gt; e &lt;st1:verbetes&gt;complexa&lt;/st1:verbetes&gt;.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Irônico, &lt;st1:verbetes&gt;além&lt;/st1:verbetes&gt; de &lt;st1:verbetes&gt;todo&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes&gt;luto&lt;/st1:verbetes&gt;, &lt;st1:verbetes&gt;já&lt;/st1:verbetes&gt; sente a &lt;st1:verbetes&gt;próxima&lt;/st1:verbetes&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;st1:verbetes&gt;bomba&lt;/st1:verbetes&gt;. &lt;st1:verbetes&gt;Não&lt;/st1:verbetes&gt; vai &lt;st2:hm&gt;explodir&lt;/st2:hm&gt; &lt;st1:verbetes&gt;agora&lt;/st1:verbetes&gt;, de &lt;st1:verbetes&gt;mansa&lt;/st1:verbetes&gt;.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;st1:verbetes&gt;&lt;br /&gt;&lt;/st1:verbetes&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;st1:verbetes&gt;Ainda&lt;/st1:verbetes&gt; na iminência da &lt;st2:dm&gt;completa&lt;/st2:dm&gt; &lt;st1:verbetes&gt;demência&lt;/st1:verbetes&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;e &lt;st1:verbetes&gt;cesura&lt;/st1:verbetes&gt; da &lt;st1:verbetes&gt;querida&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st2:dm&gt;urdidura&lt;/st2:dm&gt;, sou &lt;st1:verbetes&gt;reverência&lt;/st1:verbetes&gt;.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Se &lt;st1:verbetes&gt;me&lt;/st1:verbetes&gt; entrevê o &lt;st1:verbetes&gt;terror&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes&gt;inaudito&lt;/st1:verbetes&gt;, a &lt;st1:verbetes&gt;palavra&lt;/st1:verbetes&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;st1:verbetes&gt;me&lt;/st1:verbetes&gt; mantém num &lt;st1:verbetes&gt;momento&lt;/st1:verbetes&gt;, &lt;st1:verbetes&gt;minha&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes&gt;amiga&lt;/st1:verbetes&gt;.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;st1:verbetes&gt;Materna&lt;/st1:verbetes&gt;, &lt;st1:verbetes&gt;me&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes&gt;alça&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes&gt;em&lt;/st1:verbetes&gt; &lt;st1:verbetes&gt;corpo&lt;/st1:verbetes&gt; e diz: &lt;st1:verbetes&gt;me&lt;/st1:verbetes&gt; siga.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23069912-5854799210232613933?l=acidabrancura.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://acidabrancura.blogspot.com/feeds/5854799210232613933/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23069912&amp;postID=5854799210232613933&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23069912/posts/default/5854799210232613933'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23069912/posts/default/5854799210232613933'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://acidabrancura.blogspot.com/2009/05/visao-terrifica.html' title='A visão terrífica'/><author><name>André Lira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05596118036306451188</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_jG0L32jYfC8/S7L44h7_oGI/AAAAAAAAAEQ/GQsX9UMOIAo/S220/DSC03111.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23069912.post-1998770342997830316</id><published>2009-04-16T20:30:00.002-03:00</published><updated>2009-04-16T21:47:34.802-03:00</updated><title type='text'>O lugar do movimento em repouso</title><content type='html'>Quando um poeta, aqui tomado em sua relação com a &lt;span style="font-style:italic;"&gt;poíesis&lt;/span&gt;, de-forma ou in-forma a obra de outro poeta, não há problema, geralmente, do ponto de vista teórico e crítico. É um procedimento normal e esperado da historicidade da arte, enquanto diálogo. O que numa obra foi posto em obra perpetua-se obrando em outra obra. Isso acontece quando um "clássico" reafirma sua permanência pela presença atualizada em obras diferentes. O âmbito da arte, desde o Romantismo, é ditado pela criatividade e pelo gênio do artista, que tanto melhor quanto capaz de, num mesmo movimento, integrar e criar sobre a tradição. Ainda que haja ressalvas a ser feitas nessa compreensão, que até hoje possui muitos defensores, a vemos radicalmente diferente em relação aos estudos literários, filosóficos e científicos, que hodiernamente se confundem e sorvem ideias de um paradigma comum.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A postura a que nos referimos é a da necessidade da conformação ao argumento de autoridade. Academicamente, é o famoso "quem disse?/de acordo com quem?". Essa é a inclinação que gerará todo tipo de corrente de pensamento, os chamados "ismos". Aqui não há lugar para nenhum pensamento radicalmente criativo, pois ele, no final de contas, sempre se apoia no testemunho e visão de outros. Ora o pensamento de um autor é cristalizado nas chamadas terminologias, os chamados jargões, e há o efeito "colcha de retalhos", ora se tenta esquivar a qualquer filiação, seja na legitimação via lógica ou ideologia, seja na tentativa de absorver vários desses discursos distintos. Imaginem se a poesia precisasse citar para se legitimar...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em todo caso, perde-se nesse tipo de requisição qualquer possibilidade de desenvolvimento de um trabalho genuinamente próprio, no sentido de, ao invés de "usar" as autoridades autorais para chegar a algo novo, partir em busca, nesses autores, de um ponto de diálogo que ajude o pensador/pesquisador/aluno a ser posto em questão. Aí a aprendizagem já é tomada como caminhada de vida, desabrochar destinal do que cada um é. E, claro, não há por que não buscar concretizar essa caminhada pelo estudo dos grandes pensadores. Mas também não há por que achar que a formação do humano de cada um passa necessariamente pelo conhecimento do texto e/ou da chamada doutrina de determinado(s) autor(es), que, querendo ou não, já partem da abertura que a obra oferece para se estabelecer tal interpretação corrente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daremos um exemplo: o alvoroço causado pela interpretação de Nietzsche sobre a mundividência grega em &lt;span style="font-style:italic;"&gt;O nascimento da tragédia&lt;/span&gt;. Lá apresenta-se uma rica interpretação da arte, não só da tragédia grega, que vai de encontro ao entendimento da época –- o tal classicismo dos gregos. E ele o faz sem qualquer necessidade de respaldo teórico ou até mesmo textual em sua obra, ainda que, claro, esteja ciente da interpretação normativa da Grécia. Não é à toa que mencionamos Nietzsche: até certo ponto, ele aponta contra o princípio acadêmico-científico e mais para o poético-pensante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porém, simplificou-se demais a questão. Tentarei surpreendê-la de outra maneira. A aprendizagem é uma experiência concreta, concresce conosco. Ela concresce à medida que nos abrimos para aprender: em grego, máthesis, o dar-se como aprender. Essa experiência se situa numa dimensão poética, já que faz surgir, manifesta um novo sentido como aquilo que passa a existir. O que emana desse âmbito, então, não pode ser um processo mental em que uma informação é reproduzida como num espelho. Trata-se de uma disposição completa, em que um novo horizonte se configura. Você é transformado. A repetição de informações e conceitos, se não pensados e apropriados numa dinâmica singular e criativa, nunca é livre para si -- pelo contrário, é escrava da requisição auto-imposta de ter a urgência de pensar retirada de si mesmo e apaziguada na compreensão superior de outros. Muito mais do que um mecanismo de poder, essa tendência nos estudos instituídos aliena os homens não só em relação à essência criativa e questionante de todo "estudo" como pensamento, mas a si mesmos, já que a essência do pensar torna-se aí a essência do homem como ser.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por essas considerações, penso que, ao interrogado pelo "de acordo com quem?", se deva responder "eu!", se assim for o caso. Para esclarecer mais a questão, não estou fazendo manifesto contra a pesquisa acadêmica. Até porque, sob uma forma muito mais subreptícia, esse comportamento é emulado em outras esferas, além da universidade. Só se trata de sublinhar que o que há para ser pensado no homem e no real não está, de nenhuma forma, dado ou delimitado pelo(s) paradigma(s) oficial(oficiais) da academia. Ele está dado, sim, na forma do não-pensado, que é o que não se resolve ou não se resolveu como pensamento, que nele é mantido na forma de mistério e questão. Mas mesmo para saber um conceito, deve-se entender que já comparece nele, ele não é externo, mas diz-e-não-diz algo sobre o que se é. Ainda resta perguntar pelo que não é, pelo que o conceito não diz.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23069912-1998770342997830316?l=acidabrancura.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://acidabrancura.blogspot.com/feeds/1998770342997830316/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23069912&amp;postID=1998770342997830316&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23069912/posts/default/1998770342997830316'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23069912/posts/default/1998770342997830316'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://acidabrancura.blogspot.com/2009/04/o-lugar-do-movimento-em-repouso.html' title='O lugar do movimento em repouso'/><author><name>André Lira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05596118036306451188</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_jG0L32jYfC8/S7L44h7_oGI/AAAAAAAAAEQ/GQsX9UMOIAo/S220/DSC03111.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23069912.post-1869933617579456951</id><published>2009-03-03T01:51:00.006-03:00</published><updated>2009-03-09T17:41:51.683-03:00</updated><title type='text'>Ascensão ou ascendência</title><content type='html'>Há alguns anos que um raciocínio me deixa bastante incomodado. &lt;br /&gt;Quando a oferta de produtos no mercado interno é alta, os preços caem. Já quando a oferta de produtos no mercado interno é baixa, os preços aumentam. Essa é uma lógica coerente, de acordo com a demanda dos consumidores. Mas a lógica econômica do governo brasileiro, há muito tempo, é de exportar o melhor e o máximo possível. &lt;br /&gt;Isso é algo engraçado, me lembro do barbudo Marx, comentando a separação entre o trabalhador, seu instrumento e o produto de seu trabalho. Aqui entra em jogo algo diferente: o produto feito em terras brasileiras é disponibilizado para ser comprado no mercado externo, completamente especulado. O que sempre me chamou a atenção é a volta terrível que a acumulação de capital tem que dar, a partir de superávits de balanças comerciais, pra trazer a prosperidade ou a decadência. Dentro daquele sistema antigo do capitalismo, parecia bem simples que a ruína do sistema de valor do século XIX estava próximo: mais produção, mais trabalhadores explorados e ele se autodestruiria. Porém, não creio que isso seja possível ou visível, da maneira como a lógica econômica se estrutura hoje. Vamos à volta: o país produz cada vez mais, bate recordes de safras e tudo só parece se encaminhar para um futuro grandioso. Contudo, será que vemos essa opulência realizada concretamente? Em nosso cotidiano, nas coisas que culturalmente tomamos como importantes, como as leis, saúde, educação.. Os resultados positivos da economia brasileira só vêm quando entupimos os países industrializados de produtos e nos pagam para tal. Produtos como comida, roupa, até mesmo energia. Assim, os produtos de menor qualidade e descartados pelo mercado exterior, ou que não chegaram nesse circuito, são postos à venda no mercado interno a preços elevados, como se pudéssemos pagar ou não precisássemos. Os produtos precisam sair, virar dinheiro e depois voltar para o país, para.. o quê? Pra que essa volta toda? Há, sem dúvida, motivos muito justificados para isso: para pagar dívidas e contas no exterior, para poder importar aquilo de que supostamente precisamos. Esses trâmites intra, inter e supranacionais acabam por deixar países como o nosso refém desse esquema traiçoeiro. Nenhum deles sai do lugar: é sempre a mesma coisa. O dinheiro excedente é utilizado em pequenas reformas e facilitações da vida, de forma que as coisas não sejam tão ruins. E a acumulação só aumenta, não porque não haja dinheiro sendo repassado, mas porque o dinheiro repassado só é repassado porque ainda mais dinheiro está sendo ganho, e por aí vai. Os deputados não estão ficando mais pobres porque o nível de analfabetos ou de crianças mortas está diminuindo. As taxas são comemoradas porque mostram uma realidade: "é o que está acontecendo". O que não se pensa é que é isso que o sistema político-econômico pode fazer naquele momento, o que não quer dizer que "é o que e como pode ser feito, temos é que agradecer". Termina por abafar o questionamento e a possibilidade de mudança. Como comentei em outro post sobre isso, essas taxas, ganhas e perdas se sucedem todo dia: muitos de nós se zumbificam diante dos jornais, diariamente, para ouvir a mesma coisa. A pergunta que torno a repetir é: para onde, para quê? O que estamos esperando que aconteça? Algo vai dialetica e progressivamente se resolver num futuro longínquo e impossível? A vida não é um brinquedo, um jogo que a gente pode jogar de qualquer forma e ver o que acontece, que possamos deixar em espera. Essa forma de viver e nos regular foi imposta ou imaginada por poucos, e ainda é defendida e operacionada por poucos. Mas somos tão jogados nessa lógica que acabamos aceitando e tendo que viver dessa maneira. A maior parte dos derrotistas brasileiros também se incomoda com alguns desses paradoxos, mas acaba por enterrar a questão procurando um referencial diferente, algum lugar onde "as coisas dêem certo". O que está em jogo, fundamentalmente, é a maneira como nos determinamos no nosso percurso histórico. Isso está bem longe da nossa compreensão, porque nos habituamos a pensar em liberdade por meio da Política e da Economia: sou livre para pensar e agir (perante as leis) e livre para comprar (de acordo com meus recursos). Isso permite que as leis sejam feitas para que todos possam comprar o que quiserem: o importante é o relativo bem-estar do indivíduo, suficiente para ele comprar e vender. A minha pergunta continua a mesma: qual o sentido de comprar, qual o sentido de produzir, qual o sentido de ter liberdade para comprar, ter opiniões e expressá-las? Ninguém sabe pra que serve a liberdade, porque não se sabe o sentido de viver. Mesmo que se respondesse que a liberdade é para viver, não se sabem os parâmetros de viver, o que é necessário, se é bom ou ruim, do que precisamos, quais seus resultados. Ainda que possamos arrogar nossas ideias como muito avançadas, continuam a ser feitas distinções entre sexo, cor, idade, opção sexual. Onde está a liberdade político-econômica sem paridade de salários para o mesmo serviço prestado? Esse tipo de contradição mostra que marchamos para lugar algum. Estamos cheios daquele nada metafísico, que é a negação de toda vigência e possibilidade de desdobramento. Nos embriagamos da face menos viva da Morte, tomando-a por Deméter!&lt;br /&gt;Não quis apontar dedo algum nesse texto, apenas tentar observar e criticar a engenhosidade do capitalismo a que estamos tão acostumados. Na verdade, é completamente impossível responsabilizar algo/alguém, ou simplesmente identificar a causa do problema. Meu entendimento pessoal é o de que se os países mais prósperos, afiados e importantes na máquina econômica o são não por nenhuma grandiosidade de seu povo, mas possivelmente por uma soma inacreditável de fatores e desvios, que ainda assim guarda sentido. Eles o são à custa de muitos outros. É curioso como o fato de você nascer em determinado país já pode te oferecer e tirar tanta coisa. Essa ênfase na diferença se mostra gritante, angustiante. As ideias de uma união para além de todos os países não é nova, porque é também essencial e claro que essas distinções que tomamos para nós como países, nações e estados são bastante abstratas, por mais que também consigamos fazer delas parte de nós [notando-se que essa apropriação nunca é da ideia do país ou do estado, mas da experiência e participação determinada no destino do homem, a que hodiernamente chamamos "cultura"]. &lt;br /&gt;Para que tanto dinheiro, o que ele faz, o que ele compensa? O que ele significa e tira de dentro de mim, o que me torna? Ou o que ele repele, bloqueia, interrompe? Com o assalto de tantas coisas, cores, atividades, obrigações e vozes é-nos furtado o pesadelo de ser, largados na entidade de tantos entes, a única mudança que conhecemos é a substituição. Substituição de telefones, de empregados, de esposas, de filhos. Substituição de ideias, de sentimentos, de paradigmas. E continuamos no mesmo lugar, comer é difícil, estudar é difícil, sentir é difícil. Mas o mais terrível é também o mais profundamente necessário: criar e estar na criação. Principalmente, porque envolve a única forma de destruição, a autêntica, em que coisa dança porque muda, ela nos escapa e surpreende, nem domina, nem se faz dominar, apenas retorna para si mesma e nos acena a partir da unidade. Não há desigualdade na genuína diferença: não que se exija igualdade ou parta dela, mas que o igual nunca é essencialmente similar, o fundo identitário não é a função.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desde há muito, carregamos o voo icárico. Somos o voo icárico. E a única lei do voo é a de liberdade para o voo, para o lugar transbordante de possibilidades que nos alimenta. Voamos para o princípio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Na concepção chinesa, é melhor possuir muito pouco do que demasiado, e é melhor deixar coisas por fazer do que fazê-las em exagero, porque, embora não se possa ir muito longe procedendo assim, certamente caminhar-se-á na direção correta. Assim como o homem que quer ir sempre mais e mais longe em direção ao leste acabará por chegar ao oeste, aqueles que acumulam mais e mais dinheiro a fim de ampliar sua riqueza acabarão na pobreza. A moderna sociedade industrial que, em sua tentativa contínua de elevar o 'padrão de vida' faz descrescer a qualidade da vida para todos os seus membros, constitui uma ilustração eloquente dessa antiga sabedoria chinesa"&lt;br /&gt;– Fritjof Capra, &lt;span style="font-style:italic;"&gt;O Tao da Física&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23069912-1869933617579456951?l=acidabrancura.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://acidabrancura.blogspot.com/feeds/1869933617579456951/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23069912&amp;postID=1869933617579456951&amp;isPopup=true' title='35 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23069912/posts/default/1869933617579456951'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23069912/posts/default/1869933617579456951'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://acidabrancura.blogspot.com/2009/03/ascensao-ou-ascendencia.html' title='Ascensão ou ascendência'/><author><name>André Lira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05596118036306451188</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_jG0L32jYfC8/S7L44h7_oGI/AAAAAAAAAEQ/GQsX9UMOIAo/S220/DSC03111.JPG'/></author><thr:total>35</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23069912.post-1218706845198719995</id><published>2009-02-18T21:17:00.002-03:00</published><updated>2009-02-18T22:09:44.009-03:00</updated><title type='text'>Reunião</title><content type='html'>Parece que aquele ponto salvaguardava todos os momentos perdidos, era sua máxima realização, o escoamento do esquecimento, mas também da lembrança. Pois é por ela que se reúnem os eternos companheiros do morto, a verem neste episódio de passagem nada mais que um absurdo paradoxal, ao mesmo tempo familiar, mas nunca visto ou sentido. Numa manhã, os remanescentes vêem um mundo se fechar para si, é uma vida que termina, pensam. Não importa qual seja, a paragem repentina de um corpo é sempre repentina. Ela nunca faz sentido para os viventes, que indagam por que aquele amontoado singular de carne e desespero pelo belo se refugiou nas fotos e palavras de tal forma e não de outra, em tal circunstância e não em outra. Não importa como ou onde se morre, nunca, aos que permanecem, parece "certo". E talvez, para eles, este ritual necrológico do funeral seja a oportunidade de reanimar aquele corpo, reajuntá-lo de volta ao ser, pelos cantos de memória, pela expiação da culpa, dos pecados e das paixões indeclaradas -- pela constatação celebrante do constante e expansivo universo que, na hora da morte, parece brilhar mais forte e conclamar todas as suas extremidades estelares a fazê-lo.&lt;br /&gt;Mas cada pedaço do divino deus, em si o todo, jamais deixa de ser grande e luminoso. O que, na perspectiva do vivo, é incompreensível - e não poderia deixar de ser -, na do morto se revela a mais simples e entranhada das verdades: aquele evento da morte pouco se difere do nascimento. Lança-se em curso um movimento próprio, que encerra o seu destino. O dever de morrer é ter um destino, do qual submergem pequenas dádivas marinhas, preenchendo o homem por inteiro, como os cavalos de Posêidon a mergulhá-lo firmemente no corpo aquático. O humano, ainda assim, não dá conta de toda a água. Mas tem sede.&lt;br /&gt;Por esse motivo é que religiões dizem morrer a humanidade eternas vezes. Porém, mesmo em uma só "vida" alguém já morre, imerso tão densamente em seu destino; ele, olimpicamente gigante, que sempre diz ao vivo de suas possibilidades, de seu talento para a imperfeição e a paixão. Ao mesmo tempo, o destino se esconde no impensável, no não-vivido, na morte, portanto. De que outra forma poderia viver aquele que ainda tem o que viver, lançando-se fervorosamente para o mesmo lugar? Dioniso não inebria o vivo de uma simples alegria que passa e não tem maior significado. Ele eleva o vivo até seus limites, especula e chancela a morte em todos os seus passos. Dioniso reside na dobra-destino de vida e morte. Horizonte da morte, isto é a paixão pela vida!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23069912-1218706845198719995?l=acidabrancura.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://acidabrancura.blogspot.com/feeds/1218706845198719995/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23069912&amp;postID=1218706845198719995&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23069912/posts/default/1218706845198719995'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23069912/posts/default/1218706845198719995'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://acidabrancura.blogspot.com/2009/02/reuniao.html' title='Reunião'/><author><name>André Lira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05596118036306451188</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_jG0L32jYfC8/S7L44h7_oGI/AAAAAAAAAEQ/GQsX9UMOIAo/S220/DSC03111.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23069912.post-7101170287413130130</id><published>2009-02-05T00:44:00.002-02:00</published><updated>2009-02-05T02:32:33.639-02:00</updated><title type='text'>Maremoto</title><content type='html'>No comentário sobre seu próprio livro, &lt;span style="font-style:italic;"&gt;O nascimento da tragédia&lt;/span&gt;, Nietzsche disparou uma indagação de peso. Para seguir o raciocínio que acompanha a tese do livro, se pergunta ele: "Será o pessimismo &lt;span style="font-style:italic;"&gt;necessariamente&lt;/span&gt; o signo do declínio, da ruína, do fracasso, dos instintos cansados e debilitados - como ele o foi entre os indianos, como ele o é, segundo todas as aparências, entre nós, homens e europeus 'modernos'? Há um pessimismo da &lt;span style="font-style:italic;"&gt;fortitude&lt;/span&gt;? Uma propensão intelectual para o duro, o horrendo, o mal, o problemático da existência, devido ao bem-estar, a uma transbordante saúde, a uma &lt;span style="font-style:italic;"&gt;plenitude&lt;/span&gt; da existência? Há talvez um sofrimento devido à própria superabundância? Uma tentadora intrepidez do olhar mais agudo, que &lt;span style="font-style:italic;"&gt;exige&lt;/span&gt; o terrível como inimigo, o digno inimigo em que pode pôr à prova a sua força?". Ainda que não se possa concordar com a explicação da "propensão intelectual" dos gregos, cuja tendência psico-fisiológica presente no pensamento de Nietzsche nos parece desviar sua colocação. Tal explicação é tão conveniente quanto a de que a prosperidade da região do Lácio, desembocando no Império Romano, se deve à "índole belicosa" de seu povo. O mesmo se diz quanto à medição de forças com o "digno inimigo".&lt;br /&gt;Aquela citação me contorceu de temor. Porque ela aponta para a radicalidade da experiência artística grega, de tal forma profunda que pôde articular, posteriormente, todo o desenvolvimento da civilização ocidental - como Nietzsche desenvolve, o demônio do socratismo. Ela diz que nosso percurso é marcado por uma escolha ancestral: que uma reação tão forte pela tranquilidade (pela aparência apolínea) só se originaria de uma experiência aterradora e apaixonada da realidade (pela nascividade dionisíaca).&lt;br /&gt;O que mudou? Hoje só se discute a crise econômica, o crescimento do país. O "olho solar" de Apolo brilha forte agora, inclusive. A lógica econômica, do jeito que está, não tem presente, passado, nem futuro. Ela é quase como que retirada do tempo. O que tentamos dizer é que ela tem história, é humana. Pode ser questionada, como é e sempre foi. Mas o fator principal de seu questionamento é que ela é histórica, e para se legitimar tenta ocultar isso. Na atualidade, forma-se um grande bloco de números e estatísticas rumo a um vazio desolador. O sistema capitalista, que forma a conjuntura econômica em sua dinâmica, não é de nenhuma forma reavaliado ou questionado. Parece que, depois da Guerra Fria, chegou-se a um "agora sim!"* e a única preocupação de plano social passou a ser o desempenho das trocas de produtos entre países e a diminuição das distâncias entre as classes econômicas.&lt;br /&gt;Dentro do discurso, ninguém experiencia aquela tensão extrema que os gregos tão bem confirmaram em suas obras. O homem é uma engrenagem, sem densidade ontológica, audacidade, autenticidade. Não sente raiva, nem medo, prazer. Porém, como a vida não deixa nenhum homem se esquivar de já estar nessa tensão permanente, por vezes ele é surpreendido. Desajeitado e inexperiente, foge em horror e não compreende as sensações pensantes que o acometem. Pode até ser que se lembre da experiência. Pouco tempo depois, volta obediente à rotina que o assedia e aprisiona na estaticidade aparente.&lt;br /&gt;A pergunta flamejante pelo o quê da vida, enraizada em toda obra-de-arte, não tem lugar no nosso mundo repleto de respostas. Não basta perguntar ao economista "e aí? e agora?" porque não seria apropriado. Na realidade, seu sistema não comporta as perguntas, nem as respostas. O desempenho, os resultados e o progresso são um fim em si mesmo, todos embebidos de um "otimismo" que enclausura a vida humana. Mas tais reflexões não almejam "socializar" nenhuma espécie de doutrina. Ninguém nos explica como lidar com nossa existência, somos apenas abandonados a ela. Tenta-se, contudo, nos convencer a toda hora do contrário: que já há algo pronto a ser seguido e obedecido, um limite a ser respeitado. Nós mesmos perpetramos uma ignorância contínua diante da vida, quando já pensamos saber o que são as coisas e as pessoas. Tão rápidos no juízo claro! E o jogo das sensações e sentimentos, obscuro para nós, nos constrange, e os escondemos diante do controle e da abstração.&lt;br /&gt;Não: quero antes o problemático, o errôneo e o perturbado. Essa declaração se faz um pouco difícil de captar no domínio da verdade corretiva. Ela precisamente transforma o desordenado em distorcido, o vigor em falta de clareza, o viril em uniforme. A luta é indesejada, porque significa falta de definição e de posição. Ora, a luta gera toda dicotomia e qualquer posição. Mas nunca se deixa de ser luta, ou abrimos mão do princípio. De outra forma, é uma caracterização de nossa vida. Ente sem ser, árvore sem raízes, com tronco enfiado diretamente na terra. Homem que busca em todo lugar por algo que não encontrará em nenhum "lugar".&lt;br /&gt;A destruição mútua dos palestinos e israelenses, se por um lado se mostra como um dos poucos eventos apaixonados em massa, por outro mostra sua invalidez, a partir da disseminação da hipocrisia ocidental e, por outro lado, da alienação dos dois lados, baseada na propaganda política e dominação religiosa. Não cremos que por este tipo de conflito se esteja decidindo o "destino histórico de um povo"; com outras palavras, não é essencial nem decide nada. Só é mais e mais matança, com justificativas logicamente aceitáveis e estruturadas para o lado que as enuncia. Entretanto, é uma expressão confusa da ineficiência dos paradigmas com que foram alimentados, seja lá de qual origem. Este mundo de luzes, tão desejado pela vida de treva que vislumbraram os gregos, agora muito deseja um retorno à escuridão.&lt;br /&gt;A escuridão esconde do olhar e as coisas deixam de se oferecer a ele. Essa é a expressão da noite, colocada de forma grega. Será que nos aproximamos da nossa noite, que finalmente poderemos perceber que as luzes também projetam sombras?&lt;br /&gt;A pergunta não tem por base, apenas, uma insatisfação subjetiva com o tipo de vida que se leva. Tentamos examinar o caminho histórico que trilhamos. Ele continua sendo grego: a resolução temerária dos passos que nos moldam, rumando à destruição genuína.&lt;br /&gt;Nâo creio que nada haja "para ser feito". À classe das soluções cabe os paradigmas e os Édipos. Mas como a Esfinge questionadora brota de maneira tão violenta do Édipo que a devorou é apenas digno de espanto: e assim nos prostramos. Estamos acostumados, exatamente, a encontrar a imperfeição e o impasse naquilo que "ainda" não está bom ou consertado. Da dúvida se espera ser uma pergunta ordinária, a que alguém já tenha a resposta e só basta esse alguém dá-la. Mas tirar a pergunta da própria resposta, perceber a inconstância em cada traço seu, isso é insólito. Contraditório. A questão se traz dentro de si mesma. Na poética de Murilo Mendes ("Mulher vista do alto de uma pirâmide"), é a transbordante excessividade da mulher que já carrega em si a neta da neta!&lt;br /&gt;O mitopoético diz da nossa pretensão diante do universo de fenômenos. A natureza e realidade mais óbvias, contudo, são sentidos da maneira mais mundana e, por isso, inquestionável. Por isso, a poesia perdeu seu lugar: deixou de ser questão, originária. A ela só restam as liras de Apolo, a aparência, a beleza. É imitação. Isso levou o formalismo russo a formular a literariedade de acordo com o conflito com a naturalidade de nossas percepções. Mas trata-se, ainda, de ver a poesia como chocante, a linguagem como um conjunto de palavras com significado que esperamos ou não.&lt;br /&gt;O nosso percurso, aqui, não defende uma certa interpretação da realidade baseada na poesia. Como diz um mestre, trata-se de "deixar-se atravessar pelo extraordinário", no sentido de fazer uma experiência co-movente e apaixonada. O extraordinário não precisa estar em nada ou em ninguém. Pelo contrário, nos surpreende se manifestando a partir do mais sólido dos nossos fundamentos human(ístic)os, e já nos lança em algo de novo, sem ao menos percebermos. Mas, na paciência, essa vibração silenciosa pode ser ouvida e acolhida. O chamado desesperado de um outro eu por nós mesmos, o chamado desesperado de nós mesmos por um outro eu. O mesmo se completa no destino, que naquele atravessar tanto se registra! Ele se diz a partir da exclamação ponderada de um gesto: isto, e apenas isto. Como o tempo nos rasga e nos tece, nos colhe e recolhe em um só. A noção moderna de identidade é uma idealidade. Cada homem é um não-lugar divino! Conjugando o impossível e o contraditório! As paixões mortais, os vazios plenos! No recôndito da morte, Dioniso e Apolo se acenam no espelho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O quanto ainda podemos ser pobres... Todos! (Mas a extrema miséria também pode revelar grande riqueza..)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23069912-7101170287413130130?l=acidabrancura.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://acidabrancura.blogspot.com/feeds/7101170287413130130/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23069912&amp;postID=7101170287413130130&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23069912/posts/default/7101170287413130130'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23069912/posts/default/7101170287413130130'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://acidabrancura.blogspot.com/2009/02/maremoto.html' title='Maremoto'/><author><name>André Lira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05596118036306451188</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_jG0L32jYfC8/S7L44h7_oGI/AAAAAAAAAEQ/GQsX9UMOIAo/S220/DSC03111.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23069912.post-4945925459742756443</id><published>2009-02-05T00:38:00.003-02:00</published><updated>2009-04-07T23:56:02.718-03:00</updated><title type='text'>Tiro</title><content type='html'>Tenho me dedicado a escrever mais, e este é um dos poemas que me surpreenderam no caminho. Comentem! - e me desculpem pela demora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Virtude&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Colho faltas nos lírios&lt;br /&gt;dos anos multicor futuros&lt;br /&gt;e só me resta este branco.&lt;br /&gt;Não há sintaxe na falteza,&lt;br /&gt;o corpo é uma pergunta. Perco&lt;br /&gt;no branco que permanece.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Falta excesso de menos.&lt;br /&gt;O verbo é que escapa à visão,&lt;br /&gt;cobrindo tudo branco.&lt;br /&gt;O brilho do vicejo total&lt;br /&gt;pesa, sonoro, e elevado:&lt;br /&gt;branca espera vital.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A falta cai no espelho&lt;br /&gt;e o quebra perfeita, acabada.&lt;br /&gt;Princípio e fim de todo branco.&lt;br /&gt;Sem gênero e sem classe,&lt;br /&gt;nutre e cresce alguma luz.&lt;br /&gt;No ponto branco, existe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A natureza própria arrasta à falta.&lt;br /&gt;Os lírios deixam toda uma paciência&lt;br /&gt;e por isso me planto no branco.&lt;br /&gt;Não há escolhas nos campos&lt;br /&gt;ou nos homens, mas aceitam seu valor&lt;br /&gt;no branco imenso costurados. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A folha do lírio apenas dedica&lt;br /&gt;sua falta à tristeza consistente&lt;br /&gt;do retorno ao berço branco.&lt;br /&gt;Não há lugar para as negações.&lt;br /&gt;O lírio está cheio de palavras vivas&lt;br /&gt;e todas elas, todas as cores brancas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23069912-4945925459742756443?l=acidabrancura.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://acidabrancura.blogspot.com/feeds/4945925459742756443/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23069912&amp;postID=4945925459742756443&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23069912/posts/default/4945925459742756443'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23069912/posts/default/4945925459742756443'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://acidabrancura.blogspot.com/2009/02/tiro.html' title='Tiro'/><author><name>André Lira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05596118036306451188</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_jG0L32jYfC8/S7L44h7_oGI/AAAAAAAAAEQ/GQsX9UMOIAo/S220/DSC03111.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23069912.post-7180026020792499436</id><published>2009-01-15T15:19:00.000-02:00</published><updated>2009-01-15T15:20:25.541-02:00</updated><title type='text'>Voltagem</title><content type='html'>A Ácida Brancura está em novo formato, mais enxuta e regular!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23069912-7180026020792499436?l=acidabrancura.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://acidabrancura.blogspot.com/feeds/7180026020792499436/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23069912&amp;postID=7180026020792499436&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23069912/posts/default/7180026020792499436'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23069912/posts/default/7180026020792499436'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://acidabrancura.blogspot.com/2009/01/voltagem.html' title='Voltagem'/><author><name>André Lira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05596118036306451188</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_jG0L32jYfC8/S7L44h7_oGI/AAAAAAAAAEQ/GQsX9UMOIAo/S220/DSC03111.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23069912.post-8616987557107436771</id><published>2008-10-23T16:49:00.006-02:00</published><updated>2009-01-15T23:20:44.253-02:00</updated><title type='text'>Notas claras</title><content type='html'>Decidi responder àquelas perguntas de antes fazendo outras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Metal?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;Pouca gente sabe o que é heavy metal. Aliás, nem mesmo quem aprecia deve(ria) saber. Sabe com a fúria e o grito com que vibra, e no fundo esse é o essencial, mas o desdobrar-se num saber explícito também compõe esse conhecimento. Nesse sentido, apresentamos um primeiro aspecto da questão: &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;o metal é tão múltiplo e diversificado, que se pode dizer, muitas vezes, serem tipos de música completamente diferentes&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;Essa diversidade já nasce no velho rock 'n' roll: os gêneros abundam em shock, hard, glam, punk, pop etc. Quando o heavy metal aprofundou a herança do rock, não só criou e mesclou seus próprios gêneros, como Death, Black, Folk, Power, mas também possibilitou uma apropriação muito mais interessante por bandas de vários países. Por exemplo, compare o som do Orphaned Land (Israel) com o do Finntroll (Finlândia), ou do Arkona (Rússia) com o Rotting Christ (Grécia). Encontra-se sem dificuldade quem só goste, por exemplo, de Gothic Metal, ou ainda de Power Metal. Ou então, por outro lado, quem gosta de um pouco disso daqui e um pouco daquilo ali. Ainda assim, todos se reúnem sob o sinal do metal, que oferece assim um espaço amplo e complexo para se entregar à música. &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Ainda assim, continua-se a achar tanta diversidade e criatividade uma mesma coisa desagradável e sem talento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em se tratando de música, a única música que há é aquela que te conclama e, permanecendo em mistério, enseja sentidos. Com o heavy metal não é diferente: é uma das possibilidades da experiência musical-ontológica.&lt;/span&gt; Como com a literatura, o fundamental não é o mercado, a compreensão racional, uma adequação à forma ou determinada técnica. No fundo, o que disse no outro parágrafo é contraditório: não se "gosta" de um estilo ou de determinadas técnicas de composição. A realização efetiva é que é determinante, ou seja, nos CDs, nas bandas. As realizações passadas são reinterpretadas e novas possibilidades são exploradas, o que acontece tanto no percurso de produções de uma própria banda, quanto no diálogo entre as bandas. Assim, surge outra contradição: o que seriam os gêneros do heavy metal senão uma forma de encaminhamento, entre outros, a partir de uma mesma questão? Não haveria gêneros, então, se cada um apenas possuísse uma existência concreta pelas obras musicais. O que identifica todas essas diferentes formas? Será o conjunto de instrumentos? O que me dizer, então, do Apocalyptica, que em seus primeiros CDs contava praticamente só com violinos? Seria a velocidade, o peso? A temática, talvez? O vocal?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essas respostas são frágeis e vagas, e sem delonga se veria que não bastam para uma distinção. &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Se o metal não se restringe a nenhuma dessas dimensões - mesmo que, para os mais desinformados, o metal seja barulho do diabo -, como então entendê-lo, estudá-lo, apreciá-lo e diferenciá-lo das demais experiências musicais, se suas próprias fronteiras se reformam e alteram radicalmente? &lt;/span&gt;Aí está, como responder a essa pergunta sem elaborar um novo conceito? A indicação mais honesta para se comprometer o heavy metal, como se trabalha no documentário &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Metal: A Headbanger's Journey&lt;/span&gt; (lançado aqui no Brasil), creio ser a de uma experiência musical ímpar, que propõe a paixão criativa e libertadora, e não quer converter, nem ser parâmetro técnico ou moral para nada. &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Se você não é cativado por essa experiência, não tem problema, você certamente será por alguma outra - o metal fica satisfeito da mesma forma.&lt;/span&gt; Esse caráter individual (da paixão dançante da música) e ao mesmo tempo coletivo às vezes é perdido de vista: há quem diga que tal gênero é o melhor e o resto pode ser deixado. Há totalitaristas em tudo e não têm nada a ver com a sua música e sua experiência. No máximo, pode ser um convite para partilhar a deles.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se a música, seja ela o metal ou qualquer outra, for pensada em seu sentido de culto, como criação e participação de algo extraordinário, e como o homem se faz e é tributário dessas experiências, pode deixar de ser encarada como um produto de mercado, como o resultado de um conjunto de técnicas ou simplesmente uma manifestação cultural. &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Como sagrado, o que existe se infiltra daquela canção, e de repente tudo canta. É como a poesia: toda ela nada mais é do que um esforço de fazer as coisas serem o que são&lt;/span&gt;; com a música não é diferente, entre ordem e desordem, som e silêncio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pela discussão que vínhamos tendo, precisamos agora dizer: já é insuficiente chamar a determinadas músicas de "heavy metal". Sem niilismo ou relativismo, todas as músicas se irmanam: dizem o mesmo, são tão parecidas entre si, ainda que possam parecer diferentes. Desde sempre, o que se faz é tocar, ouvir e cantar pelo puro transbordar da &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;phýsis&lt;/span&gt;, da realidade viva que permanece, ainda, mistério. Mais do que um ordenar do ouvido, a música ordena o ser como a construção poética de um novo mundo. Mais propriamente, ela é criada, cria e faz criar. Nada representa, nem dá a entender: impulsiona e evidencia a vida em si mesma, força-a aos seus limites e faz retornar ao seu silêncio.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23069912-8616987557107436771?l=acidabrancura.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://acidabrancura.blogspot.com/feeds/8616987557107436771/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23069912&amp;postID=8616987557107436771&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23069912/posts/default/8616987557107436771'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23069912/posts/default/8616987557107436771'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://acidabrancura.blogspot.com/2008/10/notas-claras.html' title='Notas claras'/><author><name>André Lira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05596118036306451188</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_jG0L32jYfC8/S7L44h7_oGI/AAAAAAAAAEQ/GQsX9UMOIAo/S220/DSC03111.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23069912.post-3975087877044478624</id><published>2008-09-03T23:05:00.003-03:00</published><updated>2009-01-15T23:21:24.697-02:00</updated><title type='text'>Branco continua</title><content type='html'>Talvez o primeiro impulso a responder, de maneira muito prática e acertadamente decisiva, seria que usar branco me faz sentir bem.&lt;br /&gt;Essa resposta perpassa todas as outras, e o que tem de genérico, ao mesmo tempo, não tem em precisão. Vejamos:&lt;br /&gt;O que motiva a minha transição de um conjunto de cores para uma única cor básica, com alguns salpiques de outras? Muitas vezes se subentende pelos comentários "você não está todo de branco" ou "seu (x) não é branco!" que a questão gira em torno da delimitação de uma cor e a opção completa por ela. A questão da completude é importante e voltarei a ela, ainda que aqui tenha o sentido de, apenas, ter uma materialidade vestuária a mais branca possível. Esse caminho, que creio não ser o meu, desembocaria numa questão epistemológica séria, que seria chegar a saber "o que sou que precisa ser branco?", ou, em outras palavras, até onde deveria se estender a brancura. Tais limites facilmente poderiam ser cada vez mais superados, até onde nenhum estágio de brancura bastaria. Em última instância, a pupila dos olhos sucumbiria à insana obsessão e daria lugar à cegueira, negra e devastadora, que acolheria o delírio final.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em que, então, consiste e consistiu deixar de usar roupas coloridas? A pergunta, na verdade, deve ser reformulada para: que é isto que agora visto que não vestia antes? Aqui há uma curva ontológica, mas também não insistirei nesse ponto ainda. Superficialmente, continuo a vestir o que sempre usei e gostei de usar: roupas pouco chamativas, calças, bermudas, cumprindo um propósito imediato e pequeno de me cobrir e proteger. Nada de bonés, apetrechos e coisas do tipo. Então, aparentemente, foi só uma questão de cor. Suspeito que não só nunca dei muita importância para esse tipo de coisa, a toda uma produção visual, mas também ingressei, desde cedo, num questionamento em progresso sobre a natureza do que vestia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nessa dimensão, já me contradigo, porque esse questionamento e todo um cuidado sobre isso exige dar "importância para esse tipo de coisa". Mas o pensamento até aqui aponta para que repense a roupa como algo de pouca importância, mas que, ao mesmo tempo, conduz à propriedade. Ou seja, apenas reconhecê-la como inessencial não é o suficiente, porque, de certa forma, a compreende como um produto. E deve-se dizer que tudo que se diz aqui ainda está no campo da materialidade, da visualidade sensível. O que digo com "conduzir à propriedade" é que o caminho de compreender a roupa, como já comentei em outro texto aqui no blog, não é ou deveria ser o de se adequar a um modelo porque se crê que essa obediência proporcionará a completude e a felicidade. Por outro lado, o que parece se sugerir, da maneira como caminho, é que ela faz parte de você, desde a impressão subjetiva deixada nas outras pessoas, até as esferas mais abissais de sua composição, onde pode se revelar como a &lt;span style="font-style: italic;"&gt;imagem-questão&lt;/span&gt; que reúne, poeticamente, toda a sua singularidade e identidade. O que normalmente se chama de Ser não pode ou precisa ser algo profundo, perdido ou inacessível, mas o misterioso que congrega e dá sentido às demais diferenças que se manifestam e se ocultam enquanto determinado ente. Fazer a experiência poética do que se veste parece ser uma postura, então, grande, no sentido de exigir uma certa recolocação diante da questão do real. Contudo, para que usar branco deixe de ser "usar" e seja ser o "Branco" e ser eu mesmo (o que não vale só pra mim), longe de um modismo ou excentricidade, responder à pergunta minha passa, necessariamente, pela questão da propriedade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Creio que até quem me conhece de muitos anos atrás pode confirmar essa mudança espiralar. Porém, qual a idéia de "questionamento em progresso" que mencionei acima? Era a de um abandono e uma re-visão das atitudes anteriores, ainda engessadas de imobilidade. Por um lado, pode-se dizer que era apenas um descontentamento adolescente com a aparência. Com o tempo, foi-se tentando resolver esse descontentamento com perguntas, descobertas, modificações. Esse caminho foi o de exigir, com voracidade cada vez maior, que o que vestisse fizesse parte de mim tão completamente que se tornasse uma parte do meu corpo e não apenas um acessório dele. Não só isso: o corpo foi entendido de outra forma, ligado à mente e aos sentimentos e a um monte desconhecido e incontrolável, que está lá. Exigia das roupas uma totalidade, e o corpo foi aos poucos ganhando raízes de existência, indeterminado. O que vestia tornou-se o que sou, e não o que sou tornou-se o que visto: o movimento é o de essencialização, e não de entificação ou desessencialização.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De que formas posso ler esse acontecimento, como interpretá-lo a partir da minha apropriação, em curso, portanto, do que sou e não-sou? Que é isso de brancura?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23069912-3975087877044478624?l=acidabrancura.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://acidabrancura.blogspot.com/feeds/3975087877044478624/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23069912&amp;postID=3975087877044478624&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23069912/posts/default/3975087877044478624'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23069912/posts/default/3975087877044478624'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://acidabrancura.blogspot.com/2008/09/branco-continua.html' title='Branco continua'/><author><name>André Lira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05596118036306451188</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_jG0L32jYfC8/S7L44h7_oGI/AAAAAAAAAEQ/GQsX9UMOIAo/S220/DSC03111.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23069912.post-1203184411757819237</id><published>2008-07-16T19:08:00.003-03:00</published><updated>2008-07-16T19:19:38.772-03:00</updated><title type='text'>Onoma</title><content type='html'>Apaixonei-me por um nome, um nome sem corpo: Sofia.&lt;br /&gt;Mas ele cresce dentro de mim, toma o meu próprio para si, contra a minha vontade, me joga ao destino sem defesa ou represália. Esse nome que se faz corpo, como de Cristo, prega um evangelho de dança e paixão. Que posso fazer, senão segui-lo, desarmado das violências do dia, como se fosse a única e verdadeira fonte de vida a se adorar?&lt;br /&gt;Eu amo você, Sofia.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23069912-1203184411757819237?l=acidabrancura.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://acidabrancura.blogspot.com/feeds/1203184411757819237/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23069912&amp;postID=1203184411757819237&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23069912/posts/default/1203184411757819237'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23069912/posts/default/1203184411757819237'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://acidabrancura.blogspot.com/2008/07/onoma.html' title='Onoma'/><author><name>André Lira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05596118036306451188</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_jG0L32jYfC8/S7L44h7_oGI/AAAAAAAAAEQ/GQsX9UMOIAo/S220/DSC03111.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23069912.post-2468256459579682924</id><published>2008-06-29T22:04:00.006-03:00</published><updated>2008-06-29T22:57:50.411-03:00</updated><title type='text'>Pluma</title><content type='html'>Todas as linhas paralelas concorrem para o infinito que nunca se vê. Deixa-se de ver e não se incomoda, o infinito é uma fábula. Toda linha liga dois pontos. Ou seriam dois vazios? As linhas transversais se unem em pontos que não apontam nada senão a imprecisão da visão de cada ponto. Quando ele se oferece, assim, magnânimo e gracioso, acena para o infinito, e o ponto passa a ser a própria linha.&lt;br /&gt;Fuga desse mergulho em espiral.&lt;br /&gt;Queda nas linhas definidas.&lt;br /&gt;O ponto perde essa vontade de ter cor, e vai deixando de fazer parte de um todo, deixando de ser parte ao que deixa de ser cor. A estátua perde suas cores primárias, a relva toma conta dela e a faz um santuário misto de pedra e folha. Ela cresce até não poder ter mais cores, a ganhar o seu sentido com o verde-cinza, essa pintura enredante e persistente da totalidade. A pluma na ave se perde dentro de si mesma para ressurgir na totalidade da plumagem. Assim, a ave é coordenada e se protege. No diálogo absurdo das plumas, cada uma só acontece num gradiente, numa harmonia entre cada uma das plumas. A pluma se esquece, a cor se esquece. Nessa leveza, o pontopluma se convida para não mais fazer parte.&lt;br /&gt;O ponto abraça o deus e fica, na oferenda, assim, todo sagrado no todo. Linha paralela que puxa ao infinito... Todas são infinitas, todas são iguais, pois levam para o mesmo lugar. Vê-las com olhos de deuses, em que todas são uma só. Caem uma pela outra e apontam para o ilimitado. Nessa brincadeira teatral, o infinito nunca chega, mas ele vai chegando. Ter certeza de que ele nunca vai chegar, mas sempre chega, ilimita tudo, sem ilimitar. Limite que não é limite...&lt;br /&gt;Com esses olhos cegos de cor, ver tudo que é colorido como para que de tanto brilhar rebentar e se fazer pintura, divina. As plumas mudam de cor todas juntas, e toda cor é uma cor só, se sustentando em um brilho misterioso, como a moeda no fundo do poço que sempre esconde um tesouro. A plumagem fica velha, suja, tediosa e envelhecendo se renova. Toda ela é uma só, toda ela é uma só, nada pode ser ignorado.&lt;br /&gt;Os pontos são como plumas tomadas por aves. O necessário é fazer aquelas colocarem seus ovos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23069912-2468256459579682924?l=acidabrancura.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://acidabrancura.blogspot.com/feeds/2468256459579682924/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23069912&amp;postID=2468256459579682924&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23069912/posts/default/2468256459579682924'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23069912/posts/default/2468256459579682924'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://acidabrancura.blogspot.com/2008/06/pluma.html' title='Pluma'/><author><name>André Lira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05596118036306451188</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_jG0L32jYfC8/S7L44h7_oGI/AAAAAAAAAEQ/GQsX9UMOIAo/S220/DSC03111.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23069912.post-583549940174037462</id><published>2008-04-30T18:08:00.004-03:00</published><updated>2009-01-15T23:25:26.826-02:00</updated><title type='text'>Titã</title><content type='html'>O homem mais forte do mundo&lt;br /&gt;Não suportou seu estranho peso.&lt;br /&gt;Os céus sob ele rápidos caíram,&lt;br /&gt;Como de há muito se temia.&lt;br /&gt;Pesando sua força, o mundo pensa,&lt;br /&gt;Como o titã é leve e diminuto.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23069912-583549940174037462?l=acidabrancura.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://acidabrancura.blogspot.com/feeds/583549940174037462/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23069912&amp;postID=583549940174037462&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23069912/posts/default/583549940174037462'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23069912/posts/default/583549940174037462'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://acidabrancura.blogspot.com/2008/04/1800.html' title='Titã'/><author><name>André Lira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05596118036306451188</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_jG0L32jYfC8/S7L44h7_oGI/AAAAAAAAAEQ/GQsX9UMOIAo/S220/DSC03111.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23069912.post-5651160779581681719</id><published>2008-04-29T23:30:00.002-03:00</published><updated>2008-04-29T23:34:13.775-03:00</updated><title type='text'>Pyr</title><content type='html'>Há algo que antecede a voz que muito fala.&lt;br /&gt;Está sempre por vir e sempre nasce pela primeira vez.&lt;br /&gt;Haurida sem dor, pinta sem cor,&lt;br /&gt;Repousa justa desde o fígado dos homens.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23069912-5651160779581681719?l=acidabrancura.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://acidabrancura.blogspot.com/feeds/5651160779581681719/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23069912&amp;postID=5651160779581681719&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23069912/posts/default/5651160779581681719'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23069912/posts/default/5651160779581681719'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://acidabrancura.blogspot.com/2008/04/pyr.html' title='Pyr'/><author><name>André Lira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05596118036306451188</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_jG0L32jYfC8/S7L44h7_oGI/AAAAAAAAAEQ/GQsX9UMOIAo/S220/DSC03111.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23069912.post-7167123626985299311</id><published>2008-03-30T19:06:00.003-03:00</published><updated>2008-03-30T19:13:49.101-03:00</updated><title type='text'>Companhia</title><content type='html'>Certas vezes sentimos o peso do destino recair sobre nós, e nos angustiamos de forma que a única coisa restante a fazer é aceitá-lo. Nesses momentos o mundo pára e todas as ações parecem desnecessárias e sem sentido. O tempo é um e as responsabilidades são um aborto: o que vive mudando, apenas, é a esperança de que Kali gire a roda mais uma vez, que o mundo recomece e ganhe movimento.&lt;br /&gt;Essa evangélica esperança não vem de nenhum lugar senão dos amigos. Sagradas asas batem forte, sempre e denovo um sopro de vida num corpo de dureza.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23069912-7167123626985299311?l=acidabrancura.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://acidabrancura.blogspot.com/feeds/7167123626985299311/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23069912&amp;postID=7167123626985299311&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23069912/posts/default/7167123626985299311'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23069912/posts/default/7167123626985299311'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://acidabrancura.blogspot.com/2008/03/compania.html' title='Companhia'/><author><name>André Lira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05596118036306451188</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_jG0L32jYfC8/S7L44h7_oGI/AAAAAAAAAEQ/GQsX9UMOIAo/S220/DSC03111.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23069912.post-8657671395445126236</id><published>2008-02-28T18:37:00.004-03:00</published><updated>2008-02-28T19:55:06.335-03:00</updated><title type='text'>Anu</title><content type='html'>Convivemos em tantos tempos que não sabemos em qual estamos agora.&lt;br /&gt;Essa Memória nos juntando todos, nos pregando peças. O que deixamos para trás, ou melhor, o que não conseguimos levar adiante?&lt;br /&gt;Qual a diferença entre abandono e renúncia?&lt;br /&gt;Quando nos pensamos cônscios de nós mesmos, sempre em outro momento ficava evidente que o que aprendemos e nos dedicamos a conhecer de nós era apressado e rapidamente concluído. O aprender genuíno escapa e só se opera uma reforma de paradigma. Mas quando fazemos a pergunta, a resposta fica propriamente incerta e o mínimo que seja se dispõe a ser aprendido. Abandonamos o desconhecido? Renunciamos ao conhecido?&lt;br /&gt;Quem disse que não somos crianças, adultos e velhos? Aqui já somos tudo. Mas teremos aprendido o que poderíamos aprender, levamos adiante aquilo que nos enobrece? Ou já teríamos acesso a ele? Esse frágil equilíbrio de agora não convence de que todos os erros supostamente &lt;span style="font-style:italic;"&gt;superados&lt;/span&gt; não ocorrerão denovo. Na verdade é mais o frágil desequilíbrio de agora: desde sempre somos divididos e costurados junto no tempo. Quando mergulhamos na costura e a rasgamos, resgatamos alguma outra dimensão concreta que intuíamos. Ela dá pane nos relógios e desarma a pretensão do juízo. O que será já foi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um avião passa por uma nuvem e a arrasta, deixando um delgado rastro branco delineando seu trajeto. Nas nuvens moram os deuses, porque seu tempo é outro, suspendem a Morte, extraordinário. O tempo da nuvem-rastro é o instante eterno do avião. Será o avião um deus?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(v. GAIMAN, Neil. &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Deuses Americanos&lt;/span&gt;. São Paulo&lt;span style="font-style:italic;"&gt;&lt;/span&gt;: Conrad Editora, 2002.)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23069912-8657671395445126236?l=acidabrancura.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://acidabrancura.blogspot.com/feeds/8657671395445126236/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23069912&amp;postID=8657671395445126236&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23069912/posts/default/8657671395445126236'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23069912/posts/default/8657671395445126236'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://acidabrancura.blogspot.com/2008/02/o-que-deixamos-para-trs.html' title='Anu'/><author><name>André Lira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05596118036306451188</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_jG0L32jYfC8/S7L44h7_oGI/AAAAAAAAAEQ/GQsX9UMOIAo/S220/DSC03111.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23069912.post-2802099862179134467</id><published>2008-02-17T20:34:00.003-03:00</published><updated>2009-01-15T23:23:00.143-02:00</updated><title type='text'>Ourivesaria</title><content type='html'>Às vezes, por mais que tenhamos ouro em nossas mãos, o calor delas acaba por derretê-lo completamente, o ouro derretido escorrendo pelos dedos e todo aquele valor de antes indo embora, fugindo pelo chão e ralos, enquanto inutilmente corremos atrás dele.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23069912-2802099862179134467?l=acidabrancura.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://acidabrancura.blogspot.com/feeds/2802099862179134467/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23069912&amp;postID=2802099862179134467&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23069912/posts/default/2802099862179134467'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23069912/posts/default/2802099862179134467'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://acidabrancura.blogspot.com/2008/02/thats-gold-jerry-gold.html' title='Ourivesaria'/><author><name>André Lira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05596118036306451188</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_jG0L32jYfC8/S7L44h7_oGI/AAAAAAAAAEQ/GQsX9UMOIAo/S220/DSC03111.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23069912.post-4385740266128420204</id><published>2008-02-10T20:08:00.000-02:00</published><updated>2008-02-12T14:42:51.042-02:00</updated><title type='text'>Quando um homem tenta pensar na perspectiva de um pombo</title><content type='html'>Uma janela aberta de um quarto num prédio.&lt;br /&gt;Um pombo qualquer-um pousa na janela, do lado de fora. Lá ele fica por vários minutos até que voa mais uma vez para o telhado de uma casa adjacente, mais baixa.&lt;br /&gt;Por que o pombo não entrou? Ele simplesmente ignorou a janelância da janela e voou para um outro lugar qualquer, como se também fosse um lugar qualquer a janela em que se apoiava e o livre caminho que se abria diante dele. É como se fosse tão abundantemente ignorante e consciente, que com tamanha leveza pousa na janela e voa dela, nada demais. Imagine só todas as oportunidades perdidas pelo pombo, quantas novidades poderia ter trazido para seus amigos, como poderia ser bem tratado dentro da casa. Mas aí é que está: pombo não perde oportunidade, pombo não traz novidade, pombo não tem amigo. Pombo é pombo.&lt;br /&gt;Mas será que mesmo assim o pombo poderia ser trágico? Quer dizer, ele está ali, na janela, e é uma imagem trágica ele estar ali na janela e não entrar. Por mais que possa evocar uma imagem trágica, essa não poderia ser uma: o pombo carece de peso, de mundo, ele mesmo não olha a janela e decide em prol de não entrar, como se isso fosse de algum modo sacrificial e penoso. O pombo não tem deuses, não sente a dor de ser pombo. Então não, o pombo não pode ser dramático de nenhuma forma, ainda que por vezes mostre ao homem o valor da própria dramaticidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Será que essas considerações elevam o pombo, já que apresentamos algo novo dele, ou dissimulam o pombo, já que nunca seremos pombos?&lt;br /&gt;Ou será os dois?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não faz sentido iluminar uma vela, se ainda não se iluminar a iluminação.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23069912-4385740266128420204?l=acidabrancura.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://acidabrancura.blogspot.com/feeds/4385740266128420204/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23069912&amp;postID=4385740266128420204&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23069912/posts/default/4385740266128420204'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23069912/posts/default/4385740266128420204'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://acidabrancura.blogspot.com/2008/02/quando-um-homem-tenta-pensar-na.html' title='Quando um homem tenta pensar na perspectiva de um pombo'/><author><name>André Lira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05596118036306451188</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_jG0L32jYfC8/S7L44h7_oGI/AAAAAAAAAEQ/GQsX9UMOIAo/S220/DSC03111.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23069912.post-5292721171918306388</id><published>2008-01-31T16:48:00.001-02:00</published><updated>2009-01-15T23:23:52.328-02:00</updated><title type='text'>Peixaria</title><content type='html'>Por vezes o peso do mundo recai sobre os ombros de um homem, desejante de todas as revoluções, alegrias e misérias. Tudo tão distante e inconciliável, paradoxal, largado numa constante encruzilhada de que tenta se distrair. Os sonhos estão aqui e lá, a todo momento se abre mão deles em sinal de humildade, so mesmo tempo que se mostram impossíveis de realizar, mostram seu vigor na criação e destruição do homem. Tendo e não-tendo é a renúncia silenciosa: não sabemos de nada. Disarmar as presunções e encaminhar a vida na conquista de si mesmo parece ser das mais interessantes lições. Conquista-se um particípio presente, sempre algo inexplicável, mas suspeitável, que agora seduz e engendra todos os tempos. É por isso que os poetas e os profetas nada precisam ter de sobrenatural: adivinham no aquém e no além óbvio todo o percurso humano do Ser, do homem, do pensamento, o intra-óbvio da dobra que se entrega e esquiva num evidente, em evidências.&lt;br /&gt;Por vezes um homem veste as roupas maltrapilhas de Ulisses e chora as lágrimas de Gilgamesh, depois de tantos trabalhos e vitórias aparentemente sem sentido. Mas as roupas e as lágrimas, sejam elas de um mendigo ou de um rei, são o mesmo: elas não se arrependem, elas são o presente, o dado. Dramático é aquilo que percebe e faz a experiência de se deixar levar por si mesmo, por sua Moira; mesmo que essa experiência dramática sempre articule a dor da incompreensão e o delírio da libertação, é propriamente a mais plena das vidas.&lt;br /&gt;Contudo, resta saber se a angústia e a dor de sonhar sempre nos dispõem a um conhecimento e burilamento de nós mesmos, ou se na maior parte das vezes só somos tomados pelo estagnante, pelo enclausuramento absoluto e pela preguiça. Ou será que mesmo assim está um modo próprio se pondo em ação, de forma que não existem oportunidades perdidas, mas só as que você não pôde tomar?&lt;br /&gt;Assim, o sonho está sempre aqui. A poesia vive tudo que poderia ter sido e que é. O coração de todo homem, como o Escudo de Aquiles, conta a sua própria história.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23069912-5292721171918306388?l=acidabrancura.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://acidabrancura.blogspot.com/feeds/5292721171918306388/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23069912&amp;postID=5292721171918306388&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23069912/posts/default/5292721171918306388'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23069912/posts/default/5292721171918306388'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://acidabrancura.blogspot.com/2008/01/blog-post.html' title='Peixaria'/><author><name>André Lira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05596118036306451188</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_jG0L32jYfC8/S7L44h7_oGI/AAAAAAAAAEQ/GQsX9UMOIAo/S220/DSC03111.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23069912.post-7510757176859514666</id><published>2008-01-01T00:07:00.001-02:00</published><updated>2009-01-15T23:24:28.731-02:00</updated><title type='text'>Algumas palavras (2)</title><content type='html'>A intuição do frágil edifício da intelectualidade e da aglomeração de idéias põe o homem diante de uma ansiedade temerosa. É mais como uma angústia: a sensação de estar e só poder estar preso, em embate com tantas liberdades concedidas e caminhos possíveis.&lt;br /&gt;Contudo, só mergulhando no ponto infinito - a idéia - do pensamento é que se pode conviver com seu movimento. Isto em conseqüência põe em dúvida, sempre, se de fato estamos nos colocando a destino do pensamento; em outras palavras, se o diálogo em que nos lançamos permite o silêncio especular todo seu poder criativo. Na aventura do pensar, as idéias e os paradigmas são o que se deu a ser visto (evidente) para alguém que vê. Resta, mais uma vez, a dúvida sobre o que é ver e o que é pensar. Não pertencem  esses verbos mais ao dizer do obscuro e do impensado do que do luminoso e do pensado? Ainda assim se apropriam no seu projetar-se, no seu movimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um ano passa e é inevitável chorar por cada dia, também inevitável perda e abandono de si mesmo. Mas até que ponto esse cada dia não foi uma surdez diante das sutilezas e possibilidades, de modo que o que antes se encontrava cindido, ao invés de reunir-se, só aprofundou as cisões? O que se construiu no que antes se envia à destruição? Mais distância, dor. Se a resposta a essas questões sempre, parece, é ínfima e angustiante, permanece espectralmente o fator de seu retorno, mais radical e deslumbrante. A questão voltará a ser escutada e ela carrega desde sempre a gênese de um destino. A perda não se torna negatividade, mas lança as sementes do ganho. Só não se sabe se de fato é essa a perda que acontece, como num corte de cabelo ou aquisição de um novo produto.&lt;br /&gt;Onde fica o homem entre suas máquinas e maquinações? Não estaria sendo por demais distraído por elas? Até que ponto está se realizando a busca de cada um pelo &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;seu&lt;/span&gt; essencial? O seu é seu próprio. O demonstrativo consiste em sobresaltar o seu ver no demonstrar, na formulação de uma pergunta, de um pensamento. Basta saber se o próprio pode conjugar-se anteriormente e ao mesmo tempo do sujeito e do objeto, isto é, se é ele mesmo o objeto e o sujeito da reflexão, ou se antes mesmo disso se apropria quanto mais evidencia silenciosamente e perturbadoramente o irrefletível.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23069912-7510757176859514666?l=acidabrancura.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://acidabrancura.blogspot.com/feeds/7510757176859514666/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23069912&amp;postID=7510757176859514666&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23069912/posts/default/7510757176859514666'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23069912/posts/default/7510757176859514666'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://acidabrancura.blogspot.com/2008/01/algumas-palavras-2.html' title='Algumas palavras (2)'/><author><name>André Lira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05596118036306451188</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_jG0L32jYfC8/S7L44h7_oGI/AAAAAAAAAEQ/GQsX9UMOIAo/S220/DSC03111.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23069912.post-3569721498159321428</id><published>2007-12-27T12:33:00.000-02:00</published><updated>2007-12-27T12:37:52.629-02:00</updated><title type='text'>O</title><content type='html'>"O ovo não sabe o que é ser velho. Mas vive o paradoxo, sabe, porque envelhece, o suficiente para ser ele mesmo, ovo, e morrer como ovo num outro mundo."&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23069912-3569721498159321428?l=acidabrancura.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://acidabrancura.blogspot.com/feeds/3569721498159321428/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23069912&amp;postID=3569721498159321428&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23069912/posts/default/3569721498159321428'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23069912/posts/default/3569721498159321428'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://acidabrancura.blogspot.com/2007/12/o.html' title='O'/><author><name>André Lira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05596118036306451188</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_jG0L32jYfC8/S7L44h7_oGI/AAAAAAAAAEQ/GQsX9UMOIAo/S220/DSC03111.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23069912.post-409375432430167693</id><published>2007-12-18T13:41:00.000-02:00</published><updated>2007-12-18T13:47:45.171-02:00</updated><title type='text'>Interludium</title><content type='html'>Estar entre dois caminhos é estar entre, isto é, já pressupõe um terceiro caminho em que se reside. Se se escolhe um deles para trilhar, continua a ser o mesmo caminho (aquele em que se reside), ainda que diferente. E já estamos entre dois caminhos denovo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como fazer escolhas? Pôr o ouvido na terra e se guiar pelos extraordinários búfalos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23069912-409375432430167693?l=acidabrancura.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://acidabrancura.blogspot.com/feeds/409375432430167693/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23069912&amp;postID=409375432430167693&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23069912/posts/default/409375432430167693'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23069912/posts/default/409375432430167693'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://acidabrancura.blogspot.com/2007/12/interludium.html' title='Interludium'/><author><name>André Lira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05596118036306451188</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_jG0L32jYfC8/S7L44h7_oGI/AAAAAAAAAEQ/GQsX9UMOIAo/S220/DSC03111.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23069912.post-4947650021289284629</id><published>2007-11-08T01:23:00.001-02:00</published><updated>2009-01-15T23:24:57.525-02:00</updated><title type='text'>Crátilo:</title><content type='html'>o responder e o questionar.&lt;br /&gt;Inquieto dedo indicador de nossa igual e singular miséria.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23069912-4947650021289284629?l=acidabrancura.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://acidabrancura.blogspot.com/feeds/4947650021289284629/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23069912&amp;postID=4947650021289284629&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23069912/posts/default/4947650021289284629'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23069912/posts/default/4947650021289284629'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://acidabrancura.blogspot.com/2007/11/crtilo.html' title='Crátilo:'/><author><name>André Lira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05596118036306451188</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_jG0L32jYfC8/S7L44h7_oGI/AAAAAAAAAEQ/GQsX9UMOIAo/S220/DSC03111.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23069912.post-5939739931369411798</id><published>2007-11-06T00:16:00.001-02:00</published><updated>2009-01-15T23:25:47.592-02:00</updated><title type='text'>Recomendação</title><content type='html'>Um conselho: nunca se apaixone por uma cabeça, é só uma cabeça, não é ela que age, é o corpo todo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23069912-5939739931369411798?l=acidabrancura.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://acidabrancura.blogspot.com/feeds/5939739931369411798/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23069912&amp;postID=5939739931369411798&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23069912/posts/default/5939739931369411798'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23069912/posts/default/5939739931369411798'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://acidabrancura.blogspot.com/2007/11/um-conselho-nunca-se-apaixone-por-uma.html' title='Recomendação'/><author><name>André Lira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05596118036306451188</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_jG0L32jYfC8/S7L44h7_oGI/AAAAAAAAAEQ/GQsX9UMOIAo/S220/DSC03111.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23069912.post-8658132639078564083</id><published>2007-11-02T20:25:00.000-02:00</published><updated>2007-11-02T20:55:44.798-02:00</updated><title type='text'>Grande</title><content type='html'>Acordar exige esquecer sempre não poder jamais abraçar todos os amores do mundo.&lt;br /&gt;Nem mesmo pela mais forte especulação&lt;br /&gt;Nem mesmo por um beijo apaixonado.&lt;br /&gt;Nem mesmo, creia, pela memória dos poetas.&lt;br /&gt;Mas, se se acorda sinceramente, algo de todos os amores, de ontem, hoje e sempre, se insinua. Por quê? Acordar exige lembrar e esquecer. Todo dia meu corpo se levanta da cama. Ele traz o dia com ele e esquece a noite, com suas almas e fantasmas. Pouco tempo depois e ele já quer ser algo mais, sai de si e quer se dissolver no imutável, na brancura obscura que cura a noite. No dia seguinte, esquece seu fracasso, admite sua estupidez e recomeça calmamente tudo mais uma vez. Passo minha mão pelos meus cabelos e suspeito de sua simplicidade.&lt;br /&gt;Precisamos ser largados, já ao largo de nosso fracasso? Nossos braços são tão curtos, nossas invenções muitas e pretensiosas. Sempre fui ensinado de que nascíamos fechados e prontos, bastando-nos a nós mesmos. Fujo: não deixo de pensar que esses olhos me foram postos, artificiais, alienígenas. Que outra razão haveria para ver o que vejo? Sim, definitivamente eu devia estar deitado, e algum sujeito muito infeliz me plantou esses frágeis instrumentos de ver, a que acabo por me apegar com tanta violência. De que visões acabei por me distrair com esse triste evento? Não importa, é tudo bobagem. Na verdade, até suspeito que seja como todo mundo com seus olhos todos seus. Acatam bem, eles, minha covardia de viver. Parece até que foram feitos sobre encomenda, desde sempre meus. Se esquivando sempre pelas vias mais fáceis e iluminadas, pelo instantâneo.&lt;br /&gt;Na manhã, meu corpo se limpa de todas as frustrações, tenho vontade de amar. Mas, quando se distrai e finge que não se movimenta, renego rapidamente o que vejo, me saboto. Vou parando, diminuindo numa idéia: sei o que é melhor e não preciso mais dançar. Esses olhos não são meus, eles são seus? Pisco, e a felicidade brota: o esquecimento. Meus ou seus eles piscam. Minha lembrança mais profunda à noite voltará.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23069912-8658132639078564083?l=acidabrancura.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://acidabrancura.blogspot.com/feeds/8658132639078564083/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23069912&amp;postID=8658132639078564083&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23069912/posts/default/8658132639078564083'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23069912/posts/default/8658132639078564083'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://acidabrancura.blogspot.com/2007/11/grande.html' title='Grande'/><author><name>André Lira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05596118036306451188</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_jG0L32jYfC8/S7L44h7_oGI/AAAAAAAAAEQ/GQsX9UMOIAo/S220/DSC03111.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23069912.post-7434912746573159232</id><published>2007-10-15T23:41:00.001-02:00</published><updated>2009-01-15T23:26:58.402-02:00</updated><title type='text'>Lugar acima dos céus: hyperouranoi topoi</title><content type='html'>Não sou sozinho...&lt;br /&gt;A possibilidade de já ser uma unidade solitária o vento bate no seu rosto e esquece.&lt;br /&gt;Somos abertos: a tiros, flechadas, voadoras, vôos, viagens. Vamos a um monte de lugares e nos deparamos com muitas pessoas. &lt;br /&gt;Mas quando inspiramos uns aos outros, quando mergulhamos nas águas de um espelho que não supúnhamos existir, escorre um momento de eternidade. Palavras vagas que não querem dizer nada subitamente nos dizem tudo. Não acredito que fui entendido, penso. Mas as palavras já passaram, e ainda permaneço no eco de sua presença irrevogável, no silêncio mortal ainda me identifico com alguém cujas palavras lhe apontaram como meu, como eu.&lt;br /&gt;Sem as palavras vagas não digo nem ouço nada, deixo os outros com as deduções. Fico no instante porque não sei ficar em outro lugar, finjo um outro porque não sei ir para outro tempo.&lt;br /&gt;Bebo rápido e soluçante e a bebida engana, não estou acostumado, não sei como ela desce. Vai queimando tudo até se alojar fria e suspeita no pericárdio, e cresce e cansa. Dizem que vou morrer se continuar bebendo assim, mas foi assim que aprendi, até me faz bem. A bebida dos deuses não tenho calma em reverenciar como deles e suas palavras me tornam mais divino, mais completo. Rapidamente já perco a paciência e me torno pura aceleração: a eternidade acena e bebo-a sempre.&lt;br /&gt;Caído pelos cantos ao final da noite, me bebi a si mesmo, me distraio na minha eternidade, sua música, silenciosa. O coração destila toda minha paixão e me dou por vencido, vencendo minha ânsia e me enterrando numa terra preta e sublunar. Mas ainda sou mortal e profano: vivo outro dia, é hora de ser tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sei se o homem existe ou não, para lá com existencialismos. Só creio em suas palavras, outros que amo. Creio que precisamos delas, e elas de nós. Estamos todos juntos&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23069912-7434912746573159232?l=acidabrancura.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://acidabrancura.blogspot.com/feeds/7434912746573159232/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23069912&amp;postID=7434912746573159232&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23069912/posts/default/7434912746573159232'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23069912/posts/default/7434912746573159232'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://acidabrancura.blogspot.com/2007/10/vou-dar-um-beijo-na-boca-do-carneiro.html' title='Lugar acima dos céus: hyperouranoi topoi'/><author><name>André Lira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05596118036306451188</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_jG0L32jYfC8/S7L44h7_oGI/AAAAAAAAAEQ/GQsX9UMOIAo/S220/DSC03111.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23069912.post-4885021830272553669</id><published>2007-09-13T19:15:00.002-03:00</published><updated>2009-01-15T23:30:16.553-02:00</updated><title type='text'>Pontual</title><content type='html'>Ainda acredito que a melhor virtude do homem é ser capaz de esquecer. Ainda que disto todos partilhamos, poucos são os que o priorizam na sua dinâmica de conhecimento. Pensar (filosofar) &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;é&lt;/span&gt; morrendo e se preparando para morrer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não há de ter credenciais para criticar. Não há de comprovar superioridade, nem sequer crer na sua ou em qualquer superioridade. Para rejeitar uma teoria, não precisa propor uma nova que suplante a anterior. Para aquilo ou aquilo daquele que não se abre para o diálogo, a crítica e a sugestão são perniciosas e buscam culpados; o gesto de contribuição é ingênuo ou malicioso; sinceridade é arrogância. Uma lástima.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23069912-4885021830272553669?l=acidabrancura.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://acidabrancura.blogspot.com/feeds/4885021830272553669/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23069912&amp;postID=4885021830272553669&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23069912/posts/default/4885021830272553669'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23069912/posts/default/4885021830272553669'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://acidabrancura.blogspot.com/2007/09/excertos-rpidos-de-um-descontrole-mudo.html' title='Pontual'/><author><name>André Lira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05596118036306451188</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_jG0L32jYfC8/S7L44h7_oGI/AAAAAAAAAEQ/GQsX9UMOIAo/S220/DSC03111.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23069912.post-3854646494637359577</id><published>2007-09-07T18:21:00.001-03:00</published><updated>2009-01-15T23:30:54.975-02:00</updated><title type='text'>Na vizinhança das catacumbas de Nephren-Ka</title><content type='html'>Um gigante obtuso se enraivecia por décadas com o céu, e queimava. Sua extensão era incalculável, de modo que seus admiradores se sentiam na pura presença avassaladora de um deus. Esse deus, contudo, não se importava muito com as causas dos mortais. Na verdade, achava uma grande palhaçada estar ali, adorado por certos desesperados de uma língua e um aparelho fonador desprezíveis.&lt;br /&gt;Ainda assim, por anos permaneceu ali, no centro da praça, de forma que ninguém chegava a um acordo sobre seu surgimento, ou ainda como era a vida sem aquele colosso absurdo. Ele teimava a cutucar os céus, elevando-se sem hesitação, dobras ou quinas. De fato, era de tal forma que mortais, algum dia, chamariam de "fálico", mas seria comentário falho. Não era exatamente um objeto, nem coisa: era difícil de distingui-lo da terra fundíssima de que saíra e da luz minguante dos astros diminutos; possuía uma textura orgânica, mas quase totalmente pétrea. Nada representava senão a imponderável certeza de sua presença e a sensível sensação de que aquele monumental era indissociável da vida e da pequena cidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A uma hora, todos se congregavam em torno da grandeza e auscultavam, com o desembaraço de um filósofo, a profecias, verdades auditivo-poéticas. Bastava que repousassem o ouvido no chão e ouvissem. E eles ouviam. Recolhiam suas revelações e nisso consistia basicamente a filosofia desses mortais, pesando-as com o cuidado que, segundo interpretavam, mereciam. Assim encaminhavam suas vidas, com as sugestões telúricas do magnânimo. Mas não é sem revés, como tudo que é: por vezes, irava-se o supremo, talvez por temperamento, talvez por descontentamento com seus sacerdotes, não sei bem. Queimava. Queimava e fagulhava o ar, como . . . prejudica qualquer vazio urânico de texto. Soltava cinzas, e névoa, e desorientação: centelhas enormes caíam sem escrúpulo por entre as casas, queimando alegremente seus habitantes. Fogo jorrava do céu, de uma mangueira irritada. O que se sabia ao certo é que tudo advinha daquele que consideravam deus. No dia seguinte, entendendo que pecassem e desvirtuassem, recolhiam-se nos escombros e cantavam seus hinos e elegias, aspirando, no meio da fumaça, dos caídos, recuperação. Na mesma noite, lá estavam outra vez em comunhão com o sagrado, na esperança de que a ira cessara. Por um tempo, cessava.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23069912-3854646494637359577?l=acidabrancura.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://acidabrancura.blogspot.com/feeds/3854646494637359577/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23069912&amp;postID=3854646494637359577&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23069912/posts/default/3854646494637359577'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23069912/posts/default/3854646494637359577'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://acidabrancura.blogspot.com/2007/09/na-vizinhana-das-catacumbas-de-nephren.html' title='Na vizinhança das catacumbas de Nephren-Ka'/><author><name>André Lira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05596118036306451188</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_jG0L32jYfC8/S7L44h7_oGI/AAAAAAAAAEQ/GQsX9UMOIAo/S220/DSC03111.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23069912.post-4695892855603040344</id><published>2007-07-26T23:36:00.002-03:00</published><updated>2009-01-15T23:34:37.548-02:00</updated><title type='text'>Gemido da Banshee ou a morte em espelho</title><content type='html'>Não entendo essa sua necessidade frenética de se esquecer...&lt;br /&gt;Que história é essa de se vestir todo de branco? O que você tenta esconder por trás de um personagem, uma figura cômica para cativar seu próprio espírito? O que você deixou para trás ao se tornar esse todo alvo? Do que você se envergonha e quer esquecer? De que foge, o que não quer aceitar?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por que não deixar as coisas serem coloridas? Que imposição é essa de aniquilar totalitariamente a cor da diferença? Não, isso não pode ser identidade... Mas e se os momentos de diferença forem tão gritantes, mas imensamente radicais e insustentáveis, tamanhas as cores, que a única solução seja a guerra contínua de abrir uma vastidão alva por tudo que se encontre por perto? Eu quero me cegar, me dêem meus óculos de volta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não consegue ficar parado. Quer se afundar em tudo aquilo que faz. Morre a todo momento pela frustração de não ser tudo o que poderia ser. É por isso que canto esse seu rasgo dolorido, nunca a sarar. Morreria na gênese de brotos de mim mesmo só para dar vazão ao quase tudo que não sou. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por que não se aceitar, não fazer as escolhas, trilhar os caminhos? Precisa ser essa dýnamis obscena, esse caldeirão primordial e gástrico? Precisa ser esse &lt;br /&gt;PAPEL EM BRANCO&lt;br /&gt;PAPEL EM BRANCO&lt;br /&gt;PAPEL EM BRANCO&lt;br /&gt;onde tudo pode ser escrito? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não adianta, André, você já é e não pode deixar de ser o que você é senão sendo o que você é a cada momento. Como você escreve sobre a morte não-absoluta e a nega com tanta convicção a todos os dias? Compreendo que não se odeia. Você apenas despreza todos os inícios, ainda que os faça sempre, por almejar a completude e a satisfação, a totalidade e o melhor... As cores são as cores, uma não é a outra. Por que é uma e não a outra? Por que é uma e não a outra? É uma e a outra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jack of all trades: knower of all, but master of none.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por se abrir a tudo que poderia ser, se fecha a tudo que poderia ser. Princípio não é princípio se não principiar e ir principiando. Onde está o retorno, a aprendizagem constante? Quero me parar, me dêem meus freios de volta. Olhe como os outros andam calmos, serenos e felizes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Você é uma farsa.&lt;br /&gt;Uma farsa tragicômica que amo queimando.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23069912-4695892855603040344?l=acidabrancura.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://acidabrancura.blogspot.com/feeds/4695892855603040344/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23069912&amp;postID=4695892855603040344&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23069912/posts/default/4695892855603040344'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23069912/posts/default/4695892855603040344'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://acidabrancura.blogspot.com/2007/07/gemido-da-banshee_26.html' title='Gemido da Banshee ou a morte em espelho'/><author><name>André Lira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05596118036306451188</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_jG0L32jYfC8/S7L44h7_oGI/AAAAAAAAAEQ/GQsX9UMOIAo/S220/DSC03111.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23069912.post-6095689902846408052</id><published>2007-06-30T22:15:00.003-03:00</published><updated>2009-01-15T23:49:54.355-02:00</updated><title type='text'>Viagens para longe da nossa terra (2)</title><content type='html'>Paulo Isidoro sofreu um acidente de Vida. Não resistiu aos ferimentos e tornou-se insanamente feliz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todo rei senta-se sobre seu trono. A poesia faz com que a realeza não repouse nem no rei nem no trono. Com cada sentar rei e trono se definem. A realeza definha quando o sentar perde seu valor verbal e só sugere uma posição corporal, rei sentado; realeza definha quando o trono perde seu valor real e outros nele se sentam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando expliquei, já aconteceu. Acontecendo, se explica. Mas não se explica o que acontece. O que deixou de ser? Seu momento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sempre desconfie dos sábios. Só o tempo lhe revelará, talvez, a obscuridade do que dizem. Porém Rosa diz: quem desconfia, fica sábio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;João Maria foi poesia e ninguém leu. Mas foi personagem de filme, virou velho senil, aventureiro no passado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se é dito de algo ser hermético, é porque pouco se quis ou pôde abrir. Se algo se diz direto, é porque algo de algo é hermético. Como faz pra ser, pensar? A pergunta já interpreta, e a resposta também: aprendendo a perguntar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23069912-6095689902846408052?l=acidabrancura.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://acidabrancura.blogspot.com/feeds/6095689902846408052/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23069912&amp;postID=6095689902846408052&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23069912/posts/default/6095689902846408052'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23069912/posts/default/6095689902846408052'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://acidabrancura.blogspot.com/2007/06/viagens-para-longe-da-sua-terra.html' title='Viagens para longe da nossa terra (2)'/><author><name>André Lira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05596118036306451188</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_jG0L32jYfC8/S7L44h7_oGI/AAAAAAAAAEQ/GQsX9UMOIAo/S220/DSC03111.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23069912.post-8342554794984866318</id><published>2007-06-24T14:35:00.003-03:00</published><updated>2009-01-15T23:40:13.108-02:00</updated><title type='text'>Viagens para longe da nossa terra</title><content type='html'>Não quero mais saber do lirismo que não seja libertação. Libertação da citação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todos têm um mártir dentro de si. Mas já há dor demais no mundo: que as lágrimas das almas dos outros sejam as minhas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O errar da errância é fatalmente o errar do erro. Não se encontrar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando sentir a impulsão lírica, não escreva. Mas se fores a lira, já terás escrito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É atemorizante uma orquídea na escuridão. Corta-se dedos com ela: palavras do tato. Não quer brilhar, não se deixa brilhar... O que só aparece é perdição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alto, o inverno condensa as vibrações mais intensas que parecem não existir. Estamos lá, elas existem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na névoa, ela co-permanecia. Dissipada a névoa, rasgo, sua confusão misturada: sem travessia, clausura, lógica atravessava, mas não nós.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;20 = 20 + 0. Vinte anos por vinte décadas, o assombro da eternidade.&lt;br /&gt;Eternidade: é terno, ponto a, ponto b e o nenhum-e-os-dois.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os seus problemas são sempre a seus olhos maiores. Mas isso que é, não é só o que vês. Possível conclusão: os problemas são ainda maiores. Será?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Oto-diálogo: habitar ouvindo o logos. Olvidando, habitamos também o logos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A vida se engravida de mim, me engravido de uma idéia. Mas não sou a idéia, e não é minha filha: nego tudo, agora mesmo. Concepção singular e totalmente maculada.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23069912-8342554794984866318?l=acidabrancura.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://acidabrancura.blogspot.com/feeds/8342554794984866318/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23069912&amp;postID=8342554794984866318&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23069912/posts/default/8342554794984866318'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23069912/posts/default/8342554794984866318'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://acidabrancura.blogspot.com/2007/06/viagens-para-longe-da-minha-terra.html' title='Viagens para longe da nossa terra'/><author><name>André Lira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05596118036306451188</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_jG0L32jYfC8/S7L44h7_oGI/AAAAAAAAAEQ/GQsX9UMOIAo/S220/DSC03111.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23069912.post-7062220028253599756</id><published>2007-05-05T15:08:00.000-03:00</published><updated>2007-05-05T18:30:00.488-03:00</updated><title type='text'>Verbete Poético-Libertário para os Viajantes de uma Cidade Pós-Moderna</title><content type='html'>Política: achar que sabe o que é melhor para a vida do outro (e conseqüentemente da de quem acha), e tentar consolidar isso através de meios oficiais e não-oficiais de uma dada ordem da sociedade. Seu sentido etimológico de "pólis" enquanto irmandade foi esquecido. Aquela presunção opera através de&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Partidos: grupos na política* que lutam entre si pelo controle ou poder nas mais diferentes escalas de vida de uma sociedade. Têm por costume aniquilar a diferença e se proclamar a única ou melhor via, especialmente entre si. Eles arrebanham novos participantes e criam seus discursos de acordo com uma certa&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ideologia: algo que você não quer pra viver. Em geral, modelo abstrato de raciocínio que se julga conter uma verdade superior ou mais abrangente em comparação com outros modelos. Seus defensores negam essas características, rotulando-a como "uma visão crítica perante a sociedade". Uma das mais famosas é o&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Marxismo e derivados: "um 'agora sim!'", nas palavras do ilustre Antonio Jardim. Oriunda da Europa do século XIX, em geral se esquece disso, assim como o peculiar modo hegeliano de se pensar que lhe dá forma. É uma forma de política*, mas marcadamente autoritária, com tons de simpatia e justiça social para com os próximos. Lembra o Terror da Revolução Francesa, ao paradoxalmente sustentar um discurso pró-povo e armar uma máquina de execuções desse mesmo povo, para que esse se moldasse aos interesses de seus idealizadores. Com outras palavras, é a organização de partidos* (geralmente, um partido único), que se entendem representantes do povo e lutam para corresponder a ele, com uma retórica humanista. Nesse sentido, não difere muito de um certo grupo de outras ideologias, geralmente associadas ao&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Capitalismo: É a ilusão de liberdade* do Marxismo*, mas traduzida em dinheiro, poder aquisitivo, direitos civis e numa defesa mais admitida da retenção do poder com os poderosos e do &lt;span style="font-style: italic;"&gt;statu quo&lt;/span&gt;. O principal sistema político-econômico de hoje, costumeiramente opera com uma política* fortemente ligada à economia. Constitui-se por grupos econômicos brigando por poder, associado ao capital, forma institucionalizada de dominar e tomar posse das coisas materiais - esses grupos fatalmente se associam e se confundem com partidos*. Fortemente marcado pela técnica, os grupos que o defendem são geralmente chamados de "de direita". Apresentam um discurso mais lugar-comum, embora ainda claramente um discurso de política*. Um exemplo desse tipo de discurso é a utilização de palavras como&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cidadania: jargão técnico costumeiro dos capitalistas. Como todo jargão político, é a tentativa de coagir e obter concordância sem o pensamento de a quem se dirige. Esse em específico diz respeito a manter as pessoas "na linha", de acordo com a Lei/Direito*, ou seja, cumprir as obrigações ditadas por grupos de poderosos (v. partidos*, política* e economia), para que determinado sistema social continue funcionando de acordo com o interesse daqueles. É mais uma forma de cristalização do pensamento em produto-desinformação, com fins políticos. Uma das maneiras de ser cidadão é&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Votar: constrói a ilusão de liberdade*, pela crença de que os mais fracos dentro de um sistema têm a capacidade de, pelo voto, elegem e decidem os rumos de sua vida. Só não se pensa que o mecanismo de voto já é a decisão de alguém sobre a sua forma de decidir. O voto se inscreve em eleições, plebiscitos e derivados, através do qual só se pode e deve responder numa escolha alternativa e imposta entre uma coisa &lt;span style="font-style: italic;"&gt;ou&lt;/span&gt; outra. Obviamente, a política* não pensa a importância do método, da pergunta, do questionar. O voto se alça no entendimento de&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Representatividade: lógica simbólica e metafórica de tomar uma coisa pela outra, sendo que na representatividade se supõe que essa coisa tomada por outra(s) dá conta e substitui todas as outras, as sintetiza, muito como os partidos*. Antes um problema de pensamento do que político, defende os gêneros, os universais, os conceitos gerais para se apreender e lidar com o real. Ela suporta e constitui o lugar dos dirigentes, dos centros, dos partidos*, dos ideais, de toda ideologia*. É um dos pilares da&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Democracia: literalmente, governo ou poder do povo ("fracos"). É um paradoxo em si e nas suas aplicações. Ao contrário do que se costuma propagar a respeito, como a maneira mais justa e igualitária de se viver, é, enquanto regime político, estruturação para privilegiar a uns e desprivilegiar outros, tal como seu melhor amigo, o republicano. Contudo, a divulgação e aplicação disso é o mais sutil possível. Alça-se na&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lei/Direito: modernamente, uniformização e homogeneização do comportamento e modo de pensar humano a partir de juízos morais que se impõem à sociedade, feitos por determinados grupos e estudiosos. Esses juízos são o sustentáculo da maior parte dos sistemas políticos, e são tão efetivos porque seus maiores defensores são as próprias pessoas a que foram dirigidas para prejudicar. Eles estimulam o povo a ter orgulho de ser dominado e restrito, de levar uma vida técnica e banal, assim almejando sua&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Liberdade: lugar e potência poético-ontológica. É normalmente entendida como possibilidade legal e moralmente aceita de fazer e poder fazer (a maior parte de) os anseios da vontade. Todos os sistemas liberais defendem em seus discursos chegar a ela por fora, ou a partir de conceitos, juízos ou ideologias. Mas, como já se é sempre livre e nessa liberdade se reside e se comunga com a força da &lt;span style="font-style: italic;"&gt;poiesis&lt;/span&gt;, sendo, põe-se a necessidade daqueles sistemas de reprimi-la e diminuí-la, pois esse lugar é incontrolável e perigoso a uma determinada maneira boa de pensar e viver, dada pelas mais diferentes teorias. Por mais que se tente conceitualizá-lo e dominá-lo, enquanto o homem existir, será sempre poético, e por isso, livre. É seu bem mais precioso e inalienável, embora os sistemas tentem dominá-lo ou reproduzi-lo, para que se adira a um tal artificial.&lt;br /&gt;Diferente de tudo aqui, não pode ser verbetalizado. Cada um é livre enquanto si mesmo, e cada um é enquanto põe a liberdade em questão. Dessarte, cabe a cada um (e a ninguém) dizer o que é a liberdade - só fazer o exercício dessa liberdade, em sua vida, pensando e buscando se conhecer e encontrar, escutando e ouvindo seus irmãos, numa atitude de respeito (o que não quer dizer concordância ou discordância), constituindo sua IDENTIDADE, sempre no rasgo entre o agora e o porvir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quer saber o que é liberdade? Já sabe e não-sabe. Quer ser livre? Seja a mão levantada, dedo indicador apontando a questão, insurgindo contra o que está pronto e definido, e seja ainda os quatro outros dedos, que se velam para que o um brote e apareça, eles também questionando as verdades de outros. Seja a mão aberta e o vazio que por elas escapa quando se fecha: seja você.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23069912-7062220028253599756?l=acidabrancura.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://acidabrancura.blogspot.com/feeds/7062220028253599756/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23069912&amp;postID=7062220028253599756&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23069912/posts/default/7062220028253599756'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23069912/posts/default/7062220028253599756'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://acidabrancura.blogspot.com/2007/05/verbete-potico-libertrio-para-os.html' title='Verbete Poético-Libertário para os Viajantes de uma Cidade Pós-Moderna'/><author><name>André Lira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05596118036306451188</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_jG0L32jYfC8/S7L44h7_oGI/AAAAAAAAAEQ/GQsX9UMOIAo/S220/DSC03111.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23069912.post-6057598136873060658</id><published>2007-05-03T23:24:00.001-03:00</published><updated>2009-01-15T23:53:48.693-02:00</updated><title type='text'>O que é isto, o amor?</title><content type='html'>Não sabemos os corações. Mas sabemos que é um diabo de um "isto" fugidio, incerto. O amor parece ser uma promessa, tanto quanto um decote.&lt;br /&gt;Ama-se o idêntico ou o diferente?&lt;br /&gt;Ou a diferença que identifica?&lt;br /&gt;Se é a diferença na identidade, amamos o afastamento. Pois para alguém ser o que ele é, um outro não pode ser o que alguém é. Um outro ser o que ele é e alguém ser o que é, quando se amam, fazem uma ligação essencial, na qual, afastados, conseguem por amor ao outro e a si fazer da sua busca pessoal a busca do outro. Elas não se confundem, dialogam, por vezes se cruzam, mas sempre se afastam, pois se situam no afastamento. Assim é impossível uma hierarquia, ou alguém que mande. Quando se aproximam disso, seu amor torna-se algo de outro, uma troca de interesses, uma relação de conveniência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, ainda, a vida sempre nos prova o contrário. E ainda tentamos aprender - não para superá-la, mas para aproveitar e encontrar nossa concordância e entendimento com o amor. Tipo de coisa que os mais e os menos puristas diriam indiscutível, seja pela sua obviedade, seja por pertencer totalmente ao "reino da emoção" e ser portanto impassível de discussão. Aqui o argumento "eu sou assim/amo assim" é o lugar-comum.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Amar é pensar.. "ser e pensar: o mesmo"&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23069912-6057598136873060658?l=acidabrancura.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://acidabrancura.blogspot.com/feeds/6057598136873060658/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23069912&amp;postID=6057598136873060658&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23069912/posts/default/6057598136873060658'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23069912/posts/default/6057598136873060658'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://acidabrancura.blogspot.com/2007/05/o-que-isto-o-amor.html' title='O que é isto, o amor?'/><author><name>André Lira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05596118036306451188</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_jG0L32jYfC8/S7L44h7_oGI/AAAAAAAAAEQ/GQsX9UMOIAo/S220/DSC03111.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23069912.post-116032511791079559</id><published>2006-10-08T12:34:00.001-03:00</published><updated>2009-01-16T00:12:03.373-02:00</updated><title type='text'>Incensário</title><content type='html'>Com que freqüência você se escuta?&lt;br /&gt;Não a seu ego, a seus desejos imediatos ou suas autocríticas, mas o quão freqüentemente você faz um esforço para se ver? Para sair de seu entendimento habitual de si e buscar uma compreensão mais autêntica?&lt;br /&gt;Pensem nisso. Não há nenhum parâmetro para saber quando você está crescendo, nem quando deveria crescer. Esse é um pensamento que vai assombrar cada um na vida.&lt;br /&gt;Um pensamento de "Que ótimo, me mantenho o/a mesmo/a apesar de tanto tempo, minha identidade é forte" pode ser tornar rapidamente um "Que pena, não empreendi grandes esforços pra mudar, continuo a mesma coisa que achei que devesse ser", por exemplo.&lt;br /&gt;A imortalidade é a mortalidade do I (eu).&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23069912-116032511791079559?l=acidabrancura.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://acidabrancura.blogspot.com/feeds/116032511791079559/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23069912&amp;postID=116032511791079559&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23069912/posts/default/116032511791079559'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23069912/posts/default/116032511791079559'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://acidabrancura.blogspot.com/2006/10/incensrio.html' title='Incensário'/><author><name>André Lira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05596118036306451188</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_jG0L32jYfC8/S7L44h7_oGI/AAAAAAAAAEQ/GQsX9UMOIAo/S220/DSC03111.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23069912.post-115525845837677557</id><published>2006-08-10T21:38:00.000-03:00</published><updated>2006-08-10T22:07:38.393-03:00</updated><title type='text'>Combate</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt;"&gt;Por todas as coisas das quais desviamos o olhar.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt;"&gt;        André, por que motivo foges da escrita como o fogo ao vento? Temes o que pode descobrir? Não há belo lírio que se faça sem cuidado, nem colírio aos olhos dos cegados – foi isto que te ocorreu? Nunca; te escrevinhas apenas à fama dos tolerantes, confundindo um boi com um belo bife. De que te vanglorias, menino sem conquistas, empoleirado nos seus cômodos brancos? Procuras mera distração na sua pena sem questão, pões-lhe a valsar como um pangaré bêbado e nele vagueias, batendo sem mercê todas as portas dispostas pelo sonho poético. Não, sonho não: é bastante realidade, bastante para teu mundo de certezas: queres morrer e encontrar um deus qualquer jogando bacará com Nietzsche, postos a discutir todas as verdades por ti e tuas ferramentas descobertas! Iludes-te com prisões, não com ilusões.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt;"&gt;&lt;!--[if !supportEmptyParas]--&gt; &lt;!--[endif]--&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;span style="font-size: 14pt; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;&lt;span style=""&gt;         &lt;/span&gt;Digo-te: duela contigo mesmo. Sim, pois verdadeiramente empunhando a pena, empena aquelas portas, faze mais, arranque-as de uma vez. Se seu caminho quiseres trilhar, então ele estará livre; se não, ponha-te a procurar por outro. Sê a porta: embriaga-te de pangarés e escancara-te de corujas a lagartos! Empenar vai ser teu adornar e pararás de buscá-lo nos outros. Aviso-te, porém: no momento do universo, enquanto segurar a pena e empenar, importar, perguntas-te: és porta, espelho? Teus deuses caminham por ti e acenam a ti no balaústre?&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Responderes afirmativamente, pões-te já outra vez em questão. Senão, sê completo.&lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:14;"  &gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23069912-115525845837677557?l=acidabrancura.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://acidabrancura.blogspot.com/feeds/115525845837677557/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23069912&amp;postID=115525845837677557&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23069912/posts/default/115525845837677557'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23069912/posts/default/115525845837677557'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://acidabrancura.blogspot.com/2006/08/combate.html' title='Combate'/><author><name>André Lira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05596118036306451188</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_jG0L32jYfC8/S7L44h7_oGI/AAAAAAAAAEQ/GQsX9UMOIAo/S220/DSC03111.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry></feed>
